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Festival de Gramado começa com discursos de emoção e denúncias

Por Carlos Helí de Almeida 6 ago 2011, 14h51

Selton Mello recebeu um Kikito especial, pelo conjunto de sua carreira, das mãos do veterano Paulo José

A abertura do 39º Festival de Gramado, na noite desta sexta-feira (5), foi marcada por demonstrações genuínas de emoção, mas também por discursos de lamentação. O clima era de desconforto do lado de fora do Palácio dos Festivais, na Rua Coberta, onde autoridades ligadas à maratona comentaram a denúncia do Ministério Público que investiga uma suposta fraude envolvendo as contas de outro importante invento da cidade, o Natal Luz. Do lado de dentro, a felicidade contagiante de Selton Mello, autor do terno e delicado O Palhaço, o filme inaugural, e homenageado do festival, contagiou a plateia de convidados.

Na rua, um concerto da Orquestra Unisinos e números de tango serviram como coadjuvantes do enredo de uma festa onde a tensão era palpável na fala dos protagonistas da solenidade oficial. Nestor Tissot, prefeito de Gramado, uma das 34 pessoas indiciadas pelo MP, fugiu do assunto, concentrando-se em enumerar os benefícios que um evento como o festival de cinema costuma trazer para os hotéis, restaurantes e lojas da cidade. Almir Coletto, presidente da Comissão Executiva do festival, lembrou dos dias ‘difíceis’ que a cidade tem passado, mas reafirmou a intenção de realizar o melhor festival de cinema da América Latina.

No cinema, Selton Mello recebeu um Kikito especial, pelo conjunto de sua carreira, das mãos do veterano Paulo José, um dos atores do elenco de O Palhaço. Homenageado com o vídeo que resumia sua contribuição para o cinema, o ator e diretor de 38 anos lembrou de sua primeira visita à Gramado. “Vim aqui bem no início dos anos 90, quando já sonhava em fazer cinema. Dizia para o (ator e diretor Roberto) Bomtempo: ‘Cara, eu preciso fazer cinema, me ensina como eu posso entrar nesse meio!’. Hoje, gostaria de ir lá na rodoviária de Gramado para comprar uma passagem de volta aquele tempo e dizer para mim mesmo: ‘Calma, garoto, daqui a 20 anos você estará naquele palco'”.

Agendado para chegar aos cinemas brasileiros em outubro, O Palhaço saiu do Festival de Paulínia com os prêmios de direção, roteiro, figurino e ator coadjuvante. Conta a história de Benjamin (interpretado por Mello), jovem palhaço de um circo mambembe que acha que perdeu o dom de fazer graça. Em crise, decide abandonar sua trupe e voltar à cidade onde nasceu, para lá descobrir sua verdadeira vocação. “Espero que a candura da narrativa do filme aqueça corações mentes da plateia de Gramado”, disse Mello, ainda no palco.

Vocação também é um dos temas de O Riscado, do estreante Gustavo Pizzi, que abriu a competição brasileira pelo troféu Kikito, ainda na noite de sexta. O filme descreve o périplo de uma jovem e talentosa atriz (vivida por Karine Teles, premiada no Festival do Rio de 2010) que amarga trabalhos humilhantes um atrás do outro enquanto espera sua grande chance na carreira. “O filme do Selton dialoga de maneira bastante interessante com o nosso”, concordou Pizzi, durante o debate ocorrido na manhã deste sábado (6). “Os personagens das duas histórias estão envolvidos com as questões: ‘Como posso me sustentar com o que faço?’, ‘O que posso fazer para continuar fazendo o que gosto?’, e ‘É isso mesmo que quero para minha vida?'”.

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