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Festival de dança reúne 27 grupos na zona sul de SP

Por Da Redação 5 jun 2012, 11h00

Por AE

São Paulo – Destacar o trabalho de grupos de dança contemporânea da periferia e, ao mesmo tempo, trazer companhias de outras partes da capital paulista e de outras cidades para se apresentarem no bairro do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, e vizinhanças, é o objetivo do Circuito Vozes do Corpo, que chega à sua terceira edição. O evento começa nesta terça-feira no Ninho Sansacroma, a cerca de 18 quilômetros do centro, e se irradia às redondezas, como a estação de metrô Capão Redondo, o Poupatempo Santo Amaro e o Sesc Santo Amaro, que, aliás, é um dos apoiadores do projeto, assim como o Programa de Ação Cultural (Proac) da Secretaria Estadual de Cultura.

“A gente está numa região super rica de manifestações culturais. Muitos coletivos produzem aqui, como o Cooperifa, o próprio (rapper) Mano Brown, o Racionais MCs, o (escritor) Ferrez. A produção de hip-hop aqui é uma referência. A cultura popular, os saraus tomaram conta da periferia”, diz Gal Martins, diretora artística da Cia. Sansacroma, organizadora da mostra e uma das curadoras. “É um berço da cultura periférica, porém, a dança contemporânea ainda precisa de mais espaço.”

Essa carência, talvez, se reflita na seleção dos grupos participantes da Mostra Local. Responderam ao edital de convocação apenas quatro grupos da região, para um total de seis vagas. Desses, dois dos trabalhos corresponderam aos critérios de escolha: o Grupo Ximbra e o Projeto NoSart, que apresentam, respectivamente, os espetáculos “Lápis de Cor” e “Uma Partidança de Futebol”. Para completar a programação da categoria, foram convidadas as companhias Diversidança e Saída de Emergência, do Ninho Sansacroma.

Com o apoio do Sesc Santo Amaro, esta edição do Vozes do Corpo tem programação ampliada. São 27 grupos, da cidade, do interior paulista e também do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Além de Gal, a curadoria ficou a cargo do programador de dança do Sesc Santo Amaro, Marcos Villas Boas, e da convidada Ana Terra. Na mostra, que vai até 1.° de julho, haverá oficinas na unidade do Sesc e no Ninho. Os dois locais concentram as apresentações da categoria Espetáculos (solos, duos e trios).

Já a categoria Mostra de Rua vai tomar espaços como o Metrô Capão Redondo, que fica a 100 metros do Ninho Sansacroma, o Poupatempo e o Terminal Santo Amaro, além de um campo de futebol de várzea da região, o mesmo do ano passado. “No Campo do Sabão, foi muito especial. A performance começou e a galera brotou. Saíam de dentro das casas, dos barracos. As crianças intervinham no trabalho e era isso que o grupo queria na época”, lembra Gal.

A Cia. Sansacroma, com sete bailarinos, completa uma década de existência neste ano. Alguns alunos que faziam curso de dança afrocontemporânea ministrado por Gal a convidaram para montar o grupo. “Era um núcleo afro que foi se transmutando na dança contemporânea”, conta ela. O nome Sansacroma faz referência a um pássaro de uma lenda africana, que acolhia e protegia as crianças dos massacres do apartheid, sistema de segregação racial na África do Sul que perdurou até meados dos anos 1990. As informações são do Jornal da Tarde.

3.° CIRCUITO VOZES DO CORPO

Ninho Sansacroma. R. Dr. Luís da Fonseca, 248, Capão Redondo. 5511-0055. De hoje a 1.º/7. Grátis. Locais e horários no site circuitovozesdocorpo.wordpress.com.

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