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Festival de Cannes: Elle Fanning vive modelo macabra em novo filme

Diretor Winding Refn volta a ousar com sua estética psicodélica em 'The Neon Demon', um conto de fadas de terror

Por Mariane Morisawa, de Cannes 20 Maio 2016, 17h31

O cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, que ganhou o prêmio de direção em Cannes por Drive, em 2011, é conhecido pelo estilo visual chamativo e nem um pouco naturalista, com cores brilhantes e exageradas. Em seu filme anterior, Apenas Deus Perdoa (2013), a fórmula não deu muito certo. The Neon Demon, exibido no 69º Festival de Cannes, funciona melhor.

A personagem principal é a adolescente Jesse (Elle Fanning), que chega a Los Angeles, vinda de uma cidade pequena no Estado da Georgia, para ser modelo. Com seu jeito ingênuo, logo é contratada por Roberta Hoffman (Christina Hendricks) e começa a participar de testes. Topa com homens que ficam encantados com sua beleza e mulheres que sentem inveja, especialmente as modelos Gigi (Bella Heatchcote) e Sarah (Abbey Lee). A maquiadora Ruby (Jena Malone) faz parte da turma, mas tenta ajudar Jesse, talvez com segundas intenções.

O filme começa com uma sessão fotográfica em que Jesse está coberta de sangue, uma imagem simbólica do “mercado de carne” em que se envolve. À medida que ela vai cedendo às tentações, o filme se transforma num conto de fadas de terror, com direito a muito mais sangue, cenas de delírio, envolvendo um leão da montanha e uma faca sendo enfiada em sua boca pelo dono do motel onde mora (Keanu Reeves), e de necrofilia. São imagens fortes, mas altamente estilizadas.

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“Há algo aterrorizante na ideia de que o mundo pode ser só a beleza. E ainda assim é uma obsessão que só aumenta”, disse o diretor na entrevista coletiva em seguida à exibição. Ele negou, porém, querer fazer um filme sobre o mundo da moda. “Não sou especialista, querido”, disse Winding Refn, provocando risos na plateia. “Qualquer ambiente tão focado em sua beleza é extremamente duro, porque se resume a como você nasceu.”

A talentosa Elle Fanning, 18 anos completados em abril, que perde sua noite de formatura para estar em Cannes, usa sua imagem angelical e otimista, mas retrata bem a transformação de Jesse em uma narcisista.

O cineasta definiu seu filme como “realidade intensificada”, o que é uma forma discreta de descrever The Neon Demon. Winding Refn não faz cinema para explicar nada, nem se aprofundar, mas para impactar. Ele próprio se definiu como Sex Pistols do cinema. “É ‘search and destroy'”, disse, referindo-se à música dos Stooges. “É punk rock, f… o sistema.” Para o diretor, a arte hoje não pode mais ser definida como boa ou má. “É a experiência. A criatividade, hoje, tem a ver com reações. Se você não reage, o que está fazendo aqui? Há outras coisas para passar o tempo. Não se comprometa, na vida ou em nada.” O filme pode ter sido vaiado, mas Nicolas Winding Refn pelo menos fez o que quis.

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