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Festival de Cannes defende exibição de ‘Dom Quixote’ de Terry Gilliam

Há 20 anos em uma disputa entre produtores, filme está previsto para estrear no encerramento do festival — se a Justiça permitir

Por EFE 30 abr 2018, 15h09

O Festival de Cannes se posicionou nesta segunda-feira a favor do diretor britânico Terry Gilliam na polêmica com o ex-produtor Paulo Branco e denunciou as “intimidações” deste para que The Man Who Killed Don Quixote (O Homem que Matou Dom Quixote, em tradução literal) não seja exibido no encerramento do evento, marcado para o dia 19 de maio.

A Alfama Films, controlada por Branco e antiga produtora do projeto de Gilliam, recorreu à Justiça para proibir a exibição do filme porque, na sua opinião, “viola os direitos de divulgação da obra”. A organização de Cannes garantiu que não agiu superficialmente quando decidiu incluir o filme na seleção oficial e acusou Branco de proceder com “intimidações e afirmações difamatórias tão irrisórias como grotescas”.

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    O festival, segundo o comunicado assinado pelo presidente, Pierre Lescure, e pelo delegado geral, Thierry Frémaux, “respeitará a decisão” que será tomada pela Justiça no dia 7 de maio, “seja ela qual for”, afirmaram antes de reiterar o apoio a Gilliam. Os representantes do evento destacaram que os advogados de Branco prometeram uma “derrota desonrosa” e responderam que a única derrota “seria ceder à ameaça”.

    No mesmo comunicado, os representantes do festival reiteraram que “os artistas necessitam mais que nunca que sejam defendidos, não atacados”. Por isto, neste ano, apostaram no iraniano Jafar Panahi e no russo Kirill Serebrennikov, dois diretores que, em princípio, não poderão comparecer à exibição dos próprios filmes por problemas com a Justiça de seus países.

    Histórico

    Apelidado de “filme maldito de Terry Gilliam”, o longa acumula crises ao longo de 20 anos de produção. Um dos maiores problemas é o rompimento da relação profissional entre Gilliam com o produtor português Paulo Branco, que o levou a entrar com uma ação nos tribunais franceses pedindo pelo impedimento da exibição do título.

    Problemas financeiros e doenças de antigos protagonistas foram outras intempéries no caminho do cineasta, que agora conta com  Jonathan Pryce, Adam Driver, Olga Kurylenko e Stellan Skarsgard no elenco.

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