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Festival de Berlim: Gladiador era vegetariano, diz documentário

'The Game Changers' tenta desmontar o mito do consumo de proteínas animais, ouvindo esportistas de elite que chegaram ao topo com dieta vegetariana

Por agência France-Presse 20 fev 2018, 09h38

Quem come carne não consegue correr mais rápido, nem ser mais forte, argumenta um documentário apresentado nesta segunda-feira na Berlinale, no qual até Arnold Schwarzenegger se soma à causa vegetariana em nome da saúde e do meio ambiente. Dirigido pelo documentarista vencedor do Oscar Louie Psihoyos, The Game Changers tenta desmontar o mito do consumo de proteínas animais, entrevistando esportistas de elite que chegaram ao topo com uma dieta vegetariana.

Os corredores Carl Lewis, Scott Jurek e Morgan Mitchell, o nadador Murray Rose, o levantador de pesos Kendrick Farris e até um dos homens mais fortes do mundo, Patrik Baboumian, capaz de levantar mais de 500 kg, são provas convincentes de que é desnecessário consumir carne para ganhar em energia e força. “Quando parei de comer carne, fiquei maior e mais forte”, assegura Baboumian, alemão de origem iraniana, enquanto levanta e move quatro homens como se fossem penas.

Até “os gladiadores eram vegetarianos”, aponta o documentário de Psihoyos, fazendo eco a um estudo elaborado a partir de cerca de 5.000 ossos pertencentes aos lutadores romanos.

O colesterol do ‘Exterminador’

Mas, para além do que poderia ser uma constatação curiosa, o filme, exibido na seção “Cinema Culinário” da Berlinale, mergulha em estudos científicos e opiniões de especialistas, que advertem sobre os riscos para a saúde de ingerir proteínas animais, especialmente relacionados a doenças coronárias.

Nesse contexto, Schwarzenegger reconhece ter passado de consumir 110 gramas por dia de proteína animal a levar uma dieta vegetariana. “Tenho quase 69 anos e o nível de colesterol mais baixo da minha vida!”, assegura o “Exterminador”.

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  • Psihoyos, um ambientalista que em 2010 ganhou um Oscar com o filme The Cove, no qual denunciava a pesca de golfinhos no Japão, diz ter percebido que a melhor maneira de lutar pela preservação do planeta era mudando os hábitos alimentares. “Comprar um carro híbrido ou substituir de lâmpadas tem muito menos impacto que a alimentação, dado que comemos três vezes ao dia”, defende o americano, em cujo filme mostra até que ponto a criação maciça de gado afeta o meio ambiente.

    Ereções noturnas

    Psihoyos afirma que cada um pode encontrar o argumento que melhor lhe convenha no documentário para parar de comer carne. Além de uma questão de saúde, esportiva ou ambiental, para os jovens que “acreditam que vão viver para sempre”, o longa mostra três meninos que se submetem a um exame para determinar seu número de ereções durante a noite: nos períodos em que eliminaram a proteína animal, o número disparou.

    “Este pode ser o pretexto mais poderoso, porque todo mundo quer render sexualmente”, assegura sorrindo Psihoyos, que se define vegano.

    Se a ideia de que comer carne é saudável segue vigente, isso se deve, segundo o documentarista, aos interesses da indústria agroalimentar. “Há bilhões de dólares em jogo” e o setor “tenta reter pelo maior tempo possível a informação” prejudicial, da mesma forma que aconteceu com a indústria do tabaco na segunda metade do século XX, afirma Psihoyos.

    O documentarista confia em que seu filme terá um impacto: “95% das pessoas que o viram nos testes disseram estar dispostas a modificar sua dieta”, comemora.

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