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Fãs vão ao cinema dar adeus a Harry Potter

Fantasiados como personagens da série e com os olhos inchados de choro, leitores e espectadores do bruxinho lotam quatro salas de cinema no Shopping Eldorado, em São Paulo

Por Beatriz Souza - 15 jul 2011, 14h12

No meio de tanta gente que se acumulava em redor de quatro salas de cinema do shopping Eldorado, na noite desta quinta-feira, para acompanhar a pré-estreia múltipla de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, gritos de feitiço chamavam a atenção. Eram os termos expeliarmus e avada kedavra, um de desarmamento e outro uma maldição mortal do universo mágico de Harry Potter, usados em uma batalha do bruxinho contra três comensais da morte. Quer dizer, de Luis Guilherme Virgílio, de 22 anos, Marcos Junior, de 16, Artur Armelin, de 18, e Luiza Fazio, de 17. Caracterizados da cabeça aos pés como os personagens da série, os quatro foram alguns dos muitos fãs que se reuniram em todo o país para ver a despedida das telas do bruxinho criado pela britânica J. K. Rowling, uma saga de dez anos e de 10 bilhões de reais em bilheteria.

Para os quatro amigos, ser fã da série Harry Potter é mais do que ler os livros e assistir aos filmes. É também viver essa experiência de encontrar outros fãs, chegar cedo às filas e de, vestidos como seus personagens preferidos, se sentir parte da história. Além de chamar a atenção, é claro. “É legal vir de cosplay (fantasia) porque a gente fica famosinha”, conta Luiza, que também atende quando chamada de Bellatrix Lestrange, uma das comensais da morte da saga, para posar para fotos.

Última pré-estreia da série, esta foi a primeira em que Marina Cury, de 14 anos, vestiu fantasia – o chamado cosplay, termo em inglês que une costume e play (fantasia e representação). “A gente vem às pré-estreias desde o 5º filme e agora quis fazer algo diferente”, explica Marina. A menina, que ainda não sabia ler quando começou a gostar da história do bruxinho, veio acompanhada da mãe e da irmã mais nova, Julia, de 8 anos, que também virou fã, por influência da irmã.

“Marina tinha 4 anos quando me pediu para ler Harry Potter e a Pedra Filosofal para ela. Toda noite, eu lia um pouco e fiquei impressionada com o quanto ela se interessou”, diz Adriana Cury, mãe das meninas. Para ela, a saga de Harry Potter foi responsável por despertar na filha mais velha o gosto pela leitura. Já a mais nova ainda prefere a bagunça e, com uma varinha, na mão procurava enfeitiçar os que passavam por ela.

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Maratona de fãs – Abraçadas, Isabella Tavares e Daniela Dias, ambas de 15 anos e caracterizadas como estudantes de Hogwarts, choram bastante. Elas acabaram de ver a sessão especial da Warner para fãs que participaram, ao longo da semana, de uma maratona com a exibição dos sete primeiros filmes da franquia. “Viemos aqui nos últimos sete dias”, contam. O longa que acabaram de ver, e a emoção de se despedir de Harry Potter, ainda não estão processadas. “Ver o filme foi bom, mas também foi horrível, choramos o tempo todo”, conta Daniela.

Sebastião e Ana Luiza Pereira, pai e filha, vieram fantasiados para a mesma sessão especial da maratona. Ele, como o guarda-caças Hagrid, e ela, como a melhor amiga de Harry, Hermione. Para os dois, o final da saga é um momento marcante. “Não vai mais ter aquilo de ir à livraria para esperar o lançamento de um livro, ou de ir ao cinema para ver o novo filme. Agora eu me sinto um pouco sozinha, porque o Harry virou um companheiro”, diz a menina de 16 anos, com os olhos ainda inchados após a sessão especial.

Mas, entre tantas crianças e adolescentes, Denise e Avelino Ferro, na faixa dos 40 anos, é que realmente se destacam. Vestidos como a professora Sprout e o professor Dumbledore – “para entrar no clima”, ela explica -, o casal já participou de quatro pré-estreias da franquia de filmes. “Eu me identifico com o que a história prega: amizade, força, união. É uma ótima temática para ensinar aos adolescentes”, diz Denise, que acompanha os livros e filmes de Harry Potter desde 2004. Para o casal, que também acompanhou a sessão especial, o episódio final corresponde às expectativas apenas parcialmente, “porque nunca dá para ser igual ao livro”.

Mais Potter – O estudante Hugo Hueguedusch, de 18 anos, foi o primeiro a chegar ao shopping Eldorado, em São Paulo, para a pré-estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2. Abriu sozinho a fila do cinema, às 17h, sem saber como voltaria para casa, já que a sessão, marcada para a 0h, terminaria em horário mal servido de transporte público. “Volto andando, se precisar, o importante é estar aqui”, disse.

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Tatiany de Caro apareceu acompanhada de sete amigos que, como ela, conseguiram os últimos ingressos disponíveis para “ver o que todos estão esperando”. Na expectativa para ver retratados em película seus momentos preferidos do livro, cada um tem uma opinião. Vitor Margini, um dos amigos de Tatiany, torce para não faltem os momentos em que as memórias do professor Snape (interpretado por Alan Rickman) são descobertas por Potter, explicando muitos dos acontecimentos dos sete filmes anteriores. Ele não iria se decepcionar: no oitavo e último filme da saga, todos os fios soltos são amarrados e os mistérios resolvidos. http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/saga-de-harry-potter-no-cinema-chega-ao-fim-com-filme-denso-e-esclarecedor)

Tatiany e os amigos têm também uma opinião sobre como deveria ser a continuação da série por J. K. Rowling, embora nem todos acreditem em um retorno da saga. Uma história dos marotos, o grupo de amigos do pai de Harry Potter quando adolescente, é a pedida geral. Com essa solução, a la Star Wars, haveria mais a ler de “um mundo irreal e surpreendente”, como Tatiany define o universo criado por Rowling.

Harry Potter se tornou fenômeno mundial em 1997, com o lançamento do livro Harry Potter e a Pedra Filosofal. O primeiro filme chegou aos cinemas há 10 anos, ampliando ainda mais a legião de fãs do bruxinho. Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, episódio final que estreia nesta sexta, encerra a franquia.

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