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Fã derruba microfone de Bieber, que encerra show antes da hora em SP

Grande produção, energia no palco e histeria das milhares de fãs contrastam com atitude do cantor canadense, que foi embora antes de cantar o grande sucesso de sua carreira, ‘Baby’

Por Rafael Costa 3 nov 2013, 08h59

Após uma noite relaxante e agitada no Rio de Janeiro, onde saiu de uma boate acompanhado por duas mulheres, Justin Bieber teve uma noite mais estressante em São Paulo. O cantor canadense se apresentou neste sábado na Arena Anhembi e, após pouco mais de uma hora e meia de show, Bieber fez a tradicional pausa antes de encerrar a noite com os sucessos Boyfriend e Baby. No entanto, ao final da primeira música, uma garrafa de água foi atirada no palco por uma fã e derrubou o microfone do cantor, que virou as costas para o público e encerrou o show antes mesmo de cantar a música que o fez estourar para o mundo.

GALERIA: Confira fotos do show de Bieber no Rio de Janeiro

As milhares de beliebers – um trocadilho com “believer”, crente em inglês, e palavra pela qual a fãs do cantor são conhecidas – ficaram visivelmente indignadas com a saída precoce do ídolo. Enquanto algumas mais próximas ao palco entoavam o refrão de Baby, outras desabavam no choro. “Legal, agora ele vai embora odiando o Brasil”, exclamava uma garota em tom de ironia. O descaso com o país, aliás, já havia ocorrido na metade do show, quando uma bandeira brasileira foi atirada na passarela anexa no centro do palco e Bieber, ao invés de pegá-la e fazer a típica declaração de amor ao país onde está se apresentando, simplesmente a ignorou e deu-lhe, inclusive, um leve chute para afastá-la antes de retornar ao centro do palco.

Pouco mais de uma hora e meia após o término do show, Bieber postou em seu Twitter uma mensagem chapa branca agradecendo pela noite na capital paulista. “Vocês gritaram bem alto essa noite, obrigado pelo amor. É tudo amor, o tempo todo. Obrigado Brasil. Para o próximo #BelieveTour amanhã novamente”, escreveu.

https://youtube.com/watch?v=MvWwmK1rdeY

Era realmente difícil encontrar fãs satisfeitos ao final do show. Um contraste enorme em relação às horas que antecederam seu início, quando milhares de garotas não escondiam a ansiedade. “Espero que seja sensacional como o outro”, disse uma fã, referindo-se à primeira passagem do cantor pelo país, em 2011. Nem mesmo a atual fase bad boy do canadense e as controvérsias nas quais tem se envolvido recentemente incomodavam as beliebers. “Ele continua lindo. Essa fase é problema dele, a gente não tem nada a ver com isso”, disse um grupo de garotas ainda do lado de fora do Anhembi.

Após um atraso de pouco mais de uma hora, um cronômetro foi exibido no telão com uma contagem regressiva de dez minutos. A cada minuto que passava os gritos estridentes aumentavam, até o momento em que Bieber entrou em cena para dar inicio à apresentação com All Around the World.

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Com exceção do imprevisto com Baby, os grandes hits da carreira estiveram presentes no repertório. Somebody to Love, Never Say Never e As Long As You Love Me foram algumas das canções que levaram as fãs ao delírio. Contando com a ajuda do playback, o cantor não decepcionou no quesito empolgação e nas danças bem coreografadas, mantendo a energia no topo ao longo de toda a noite, mesmo nas canções Be Allright e Fall, apresentadas somente com voz e violão, e acompanhadas pelo coro da multidão.

Apesar do setlist diferente do apresentado na última passagem, em 2011, o enredo do show foi bem parecido. Além da parte com voz e violão e das dancinhas que imitavam as de Michael Jackson, Bieber fez questão de levar uma garota ao palco, e durante a mesma música, One Less Lonely Girl. A garota permaneceu sentada em uma cadeira no centro do palco enquanto o ídolo andava ao seu redor, acariciando seu rosto e cantando a música ao seu ouvido. Visivelmente emocionada, ela deu um abraço no cantor, que perguntou o nome da garota, disse um “prazer em conhecê-la” e a levou para a parte de trás do palco, para êxtase, e inveja, das fãs que estavam na pista.

Esse momento, no entanto, é exceção. Apesar de ter todos em sua mão, o cantor pouco interage com a plateia e faz o seu show praticamente como se não houvesse ninguém ali. Bieber ainda tem muito o que aprender se quiser realmente pôr seu nome entre os grandes da história do pop.

Talento ele tem, vide o excelente solo de bateria feito após a música Beauty and The Beat, e o acompanhamento com o piano em Believe. Musicalmente, seu show não deixa a desejar em relação ao de outros artistas do mesmo segmento. O que ele precisa é praticar o carisma e o respeito com os fãs. Afinal, as beliebers vão crescer e elas esperam que seu ídolo amadureça junto com elas.

P9 – Antes do show de Bieber, quem subiu ao palco foi a boyband brasileira P9. O show mais importante da curta carreira do quarteto carioca – que canta músicas em inglês – foi algo que as pessoas podem apagar da memória sem qualquer remorso. Talvez para não mexer na estrutura preparada para Bieber, os garotos fizeram um show acústico, apenas com dois violões. A falta de repertório obrigou a banda a se apoiar em covers de Pumped Up Kicks, da banda Foster the People, e Do Seu Lado, do Jota Quest, além dos dois únicos hits, My Favorite Girl e Love You In Those Jeans, que, aliás, foi tocada duas vezes, no início e no fim do show.

Talvez pelo convite ter sido feito de última hora, o show pareceu ter sido improvisado e, para piorar, os quatro estavam visivelmente nervosos e perdidos no palco, sem saber como interagir com o público. Por sorte, a multidão de beliebers se empolgava com qualquer movimento sobre o palco. Até os integrantes da produção eram saudados quando passavam rapidamente. Felizmente, durou pouco menos de 40 minutos.

Justin Bieber segue a turnê brasileira neste domingo com um show no Rio de Janeiro, na Praça da Apoteose.

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