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Exposição ‘Queermuseu’ é confirmada no Parque Lage, no Rio, em junho

Mostra, encurtada após controvérsia em Porto Alegre, alcançou a meta de financiamento coletivo para abrir na capital fluminense

Por Estadão Conteúdo 27 mar 2018, 20h24

A Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no Rio de Janeiro, já conseguiu arrecadar mais do que o valor necessário para montar a exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira – confirmada nesta terça-feira para a segunda quinzena de junho.

No ano passado, a mostra, que tem obras de artistas brasileiros seminais, como Candido Portinari, Alberto Guignard, Lygia Clark e Adriana Varejão, foi cancelada pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, e vetada pela prefeitura carioca no Museu de Arte do Rio (MAR), por ser considerada imoral por movimentos conservadores.

A EAV lançou uma vaquinha virtual no dia 31 de janeiro para amealhar 690.000 reais até o fim de março. Com mais de 1.400 doadores, o crowdfunding alcançou mais de 800.000 reais nesses 58 dias. A meta agora passou a ser 1 milhão de reais. O valor a mais será aplicado no ciclo paralelo de debates sobre temas ligados à diversidade sexual e no programa educativo da instituição.

“A campanha abrangeu um público muito variado: tivemos doações de 20 a 10.000 reais. A população se engajou porque a censura é contra todos”, celebrou o diretor da EAV, Fabio Szwarcwald. “A comunidade artística se sensibilizou muito com a causa. Para o leilão (que aconteceu no último dia 15), tivemos as obras de 83 artistas.” Foram vendidas 55 peças, de nomes como José Bechara, Raul Mourão e Neville d’Almeida, e Caetano Veloso fez um show.

Os recursos serão usados na reforma das Cavalariças, espaço do Parque Lage que servirá à mostra, de curadoria de Gaudêncio Fidelis, e na operação e montagem das 263 obras, de 85 artistas.

Não está descartada a possibilidade de a mostra ter classificação indicativa. No ano passado, à época do cancelamento pelo Santander e o veto unilateral do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB) – bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus -, a mostra foi acusada de “promover a zoofilia e a pedofilia”, e tachada de imprópria para menores.

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