Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

‘Ex-BBB’, profissão de risco

Inflação de brothers e multiplicação de plataformas de lançamento de celebridades tornam a concorrência acirrada para quem quer viver da fama

Por Emylinn Lobo, do Rio de Janeiro 23 dez 2012, 07h23

Uma dúzia de candidatos a 1,5 milhão de reais entrará em cena, no próximo dia 8, para a 13ª edição do Big Brother Brasil. A ideia original do programa era transformar anônimos em atração, mas as edições recentes mostraram que parte das cobaias em confinamento no Projac costuma ter experiências no mundo das celebridades, seja como coadjuvante no mundo das artes, em carreiras ainda não deslanchadas de modelo ou, em alguns casos, no próprio BBB – caso dos ‘ressuscitados’ pela direção do programa. O prêmio é a isca principal, mas é a fama o capital que pode de fato transformar em celebridade os participantes do reality. Ainda não surgiu uma plataforma de lançamento de famosos tão rápida e poderosa como o BBB, que mantém por três meses os confinados em exibição pelo pay-per-view, leva ao ar edições diárias com o resumo dos “melhores momentos” no horário nobre e promove um bombardeio de exposição.

A má notícia para os BBBs é que a fama, apesar de intensa, tem acabado cada vez mais cedo. Repetir o feito de Grazi Massafera, incorporada ao elenco da Globo e com a carreira de atriz consolidada, é missão para poucos. Maria, a felizarda da 11ª edição, é outra conseguiu espaço na emissora. Mas ela também enfrenta problemas: foi escalada para o elenco do humorístico Casseta & Planeta, que não emplacou e está se despedindo da grade da emissora.

Uma parte do problema para a ‘carreira’ de ex-BBB está na relação entre oferta e procura. O mercado brasileiro de famosos tem hoje 180 ex-BBBs à disposição de elencos, comerciais, inaugurações de lojas e até festas de debutantes. Mas a concorrência se dá também com outras categorias de celebridades e subcelebridades. A década em que o BBB se consolidou como principal reality-show brasileiro foi também a da explosão de outras plataformas, como os humorísticos dos canais a cabo, a ‘safra’ de mulheres frutas, os canais de TV na web e, claro, os realities de outros canais.

Para piorar, a fidelidade do público ao programa também caiu. Na última edição, o Ibope registrou apenas 26 pontos na grande final, menos da metade dos 59 pontos registrados no último dia do primeiro Big Brother Brasil.

Continua após a publicidade

Micael Herschmann, autor do livro ‘Mídia, Memória & Celebridades’, vê o cenário mais competitivo para os que querem viver da fama. “Só se destaca quem é talentoso e consegue sempre se reinventar na mídia de forma que pareça natural. Não é a mesma coisa de ocupar determinado espaço midiático apenas porque seu agente negociou isso”, ressalta Herschmann, que é professor da Escola de Comunicação da UFRJ. Dentro da própria Globo um novo reality projeta famosos com algo além da vontade de aparecer. O The Voice Brasil, aposta bem-sucedida de 2012 na grade da Globo, exibiu nas tardes de domingo uma competição entre cantores ainda pouco conhecidos. Todos, porém, pré-selecionados de forma a fazer cada apresentação uma atração de alto nível musical. Ou seja, um time de famosos com carreira e habilidades reais para a carreira artística – não apenas, e nem todos, com capacidade de estrelar ensaios sensuais.

“O desejo dos participantes do BBB é que a fama instantânea que ele proporciona seja apenas um ponto de partida para despontar uma carreira de sucesso. Isso não é fácil e exige, além da sorte, uma excelente gestão de imagem. Às vezes essa competência vem de forma intuitiva, amadora, mas a disputa nesse mercado tem profissionais capacitados para a função”, diferencia Herschmann.

Karina Sato Rahal assessora a irmã, a ex-BBB Sabrina Sato. O artificialismo, alerta, é uma armadilha. E perde pontos quem faz de tudo para tentar agarrar o público. “Não existe fórmula, o principal é não ser artificial e tentar achar o mercado que se adeque ao seu perfil”, diz.

Egressa da quarta edição do Big Brother, Sabrina – a “japa” do Pânico na TV!, exibido na Band – é um caso bem-sucedido de carreira de celebridade. Em janeiro, a menina de Penápolis comemora 10 anos de sua passagem pela casa do Big Brother Brasil e inicia a gravação de seu primeiro longa-metragem. A estrada foi longa. Depois do confinamento, ela foi capa de revistas masculinas e entrou para a equipe do programa humorístico, onde já foi Panicat, repórter e hoje é apresentadora.

Karina acredita que o carisma e a preparação de Sabrina foram seus diferenciais. Antes do Big Brother, ela estudou teatro, dança contemporânea, balé clássico, e iniciou a faculdade de jornalismo. “É determinante se preparar, estudar e fazer os trabalhos com qualidade. Não adianta achar que as coisas vão cair do céu só porque você participou de um reality show e conseguiu alguma fama. Tem gente que só quer ver resultado, sem esforço, e acaba não conseguindo nada”, conta Karina, que também agencia outras celebridades.

Se Grazi, Sabrina e Jean Wyllys – o vencedor do BBB 5 que se tornou deputado federal – são exemplos para os candidatos ao BBB, a última edição é rica em modelos pouco desejáveis. Quem se lembra de Fael, o vitorioso do BBB 12? Apático mesmo durante a exibição do reality, Fael desapareceu – e, justiça seja feita, não fez muito esforço para isso depois do confinamento. Do último BBB, mais que dos personagens, é lembrado o episódio mais incômodo para a Globo. A cena que motivou suspeitas de abuso sexual na casa, envolvendo o modelo Deniel Echaniz e a sister Monique, é mais famosa que qualquer participante isoladamente. O inquérito foi arquivado. O caso, não: ao sair do programa, Daniel teve que andar de carro blindado e hoje estuda um acordo com a Globo para tentar reverter as consequências da publicidade negativa. Como ele, o BBB também saiu arranhado.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo da VEJA! Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.

a partir de R$ 39,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Edições da Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 19,90/mês