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Ewan McGregor não dá conta de Philip Roth em ‘American Pastoral’

Em sua estreia na direção, ator escocês tem dificuldades com a história da transformação da sociedade americana nos anos 1960 pela ótica de uma família

Por Mariane Morisawa, de Toronto 15 set 2016, 19h41

Um dos maiores escritores americanos, Philip Roth não tem adaptações cinematográficas à altura de seus livros. É o caso de American Pastoral, ambiciosa estreia na direção do ator Ewan McGregor, que também interpreta o protagonista Seymour “Swede” Levov, o exemplar aparentemente perfeito do sonho americano na década de 1940. Atleta festejado, soldado na Segunda Guerra, casa-se com Dawn (Jennifer Connelly), ex-miss, com quem tem uma filha, Merry (interpretada em diferentes idades por Ocean James, Hannah Nordberg e Dakota Fanning). Levov poderia ter feito o que quisesse na vida, mas resolveu seguir a tradição e assumir a fábrica de luvas de seu pai, um negócio em extinção.

Por trás da aparência, no entanto, as coisas não são assim tão certinhas. A filha do casal gagueja ao falar, algo que a terapeuta suspeita ser uma estratégia para competir pela atenção do pai com sua bela mãe. A imagem da autoimolação do monge budista Thích Quang Duc em 1963, em protesto contra a política do governo do Vietnã do Sul, choca a menina. Adolescente, ela engaja-se nos protestos contra a Guerra do Vietnã e torna-se suspeita de explodir uma bomba na agência do correio local, matando uma pessoa. Merry desaparece, o que desestabiliza completamente a família. Seymour não desiste de encontrá-la.

No livro publicado em 1997 e vencedor do Pulitzer no ano seguinte, Roth registra o fim do sonho americano nos anos 1960, com os protestos contra a guerra, os movimentos pelos direitos civis e os tumultos em Newark que resultaram em dezenas de mortes. É um período riquíssimo, e a fratura da família Levov, na verdade, reproduz a da sociedade americana, que jamais seria a mesma.

O problema é que dificilmente dá para explorar em menos de duas horas a complexidade de um romance de mais de 400 páginas. No caso de American Pastoral, o começo já é problemático, porque o roteiro de John Romano mantém o escritor Nathan Zuckerman (alter ego do próprio Roth e interpretado por David Strathairn) como o narrador da história a partir do encontro com Jerry (Rupert Evans), irmão de Seymour, numa reunião de ex-colegas de classe. O recurso faz com que a trama seja contada, em vez de mostrada. Em vários outros momentos, o problema se repete, com soluções que funcionam melhor no papel do que no cinema. Falta força dramática. McGregor simplesmente não dá conta do denso material.

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