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Estados ensaiam a volta dos shows no Brasil — mas variante delta preocupa

Com o avanço da vacinação e a queda no número de infecções e mortes no país, casas de espetáculos agendam shows após mais de um ano fechadas

Por Felipe Branco Cruz 23 ago 2021, 17h41

O setor de shows e eventos no Brasil está animado com o gradual retorno das aglomerações no país. Com 70% da população adulta vacinada com a primeira dose contra a Covid-19, o estado de São Paulo teve seu primeiro final de semana sem restrições e os bares do boêmio bairro da Vila Madalena, na capital paulista, ficaram lotados. Se por um lado os números trazem esperanças de que a pandemia está sendo superada, por outro lado, a variante delta ainda não permite que se vislumbre um fim definitivo.

A toada de incertezas atinge especialmente as casas de shows, que lutam para sobreviver. Há algumas semanas, tanto em São Paulo, quanto no Rio de Janeiro, esses lugares já haviam sido autorizados a funcionar com número reduzido e público sentado. A secretária de desenvolvimento econômico do estado de São Paulo, Patricia Ellen, destacou que a abertura está sendo gradual e que o público não deve achar que liberou geral. “Eventos com público em pé só em novembro”, garantiu. A variante delta também preocupa o governo, embora até este momento o risco, segundo a secretaria, esteja controlado. “A preocupação de que qualquer coisa possa prejudicar a retomada é constante. Estamos monitorando a variante delta em todo o estado”, completa.

Até lá, o estado pretende realizar dezenas de eventos testes para descobrir o comportamento do vírus. “Mas em hipótese nenhuma as máscaras serão liberadas. Elas sempre serão obrigatórias”, disse. Segundo Patrícia, o estado está em contato com governantes de cidades da Holanda, Reino Unido e Estados Unidos para entender como os eventos testes ocorreram por lá. “Esses contatos internacionais foram úteis para entendermos a necessidade de testagens e exigências de cartões de vacinações para definirmos o que iremos fazer”, contou. Na capital paulista, a prefeitura anunciou nesta segunda-feira que vai exigir comprovante de vacina contra a Covid para entrada em eventos, shoppings e restaurantes. Segundo a secretária, o maior problema para os empresários do setor de eventos é a falta de previsibilidade. “Trata-se de uma área em que a agenda é muito importante. Como você vai marcar um show sem saber se naquela data ele poderá ocorrer”, diz ela.

  • Enquanto isso, não param de ser anunciados shows e eventos até o fim do ano. O Tom Brasil anunciou para domingo, 29, o Aquiles Priester Drum Festival, só com bateristas de heavy metal. A agenda é extensa no Espaço das Américas. Ainda este mês, Oswaldo Montenegro fará shows por lá e em outubro será a vez de Ney Matogrosso. O Blue Note também reabrirá em outubro, com apresentações de Hamilton de Holanda, Toquinho e João Bosco. Vale lembrar que em todos esses eventos, o público deverá ficar sentado e a lotação do espaço estará reduzida para evitar aglomeração. Mas a novidade na cidade será o Knotfest, organizado pela banda de heavy-metal Slipknot, que terá o público em pé. Previsto para dezembro, no Sambódromo da Anhembi, o evento terá shows de diversas bandas internacionais, inclusive o Slipknot.

    Em Salvador, na Bahia, a realização de eventos-testes ainda está em fase de planejamento. Em nota, a prefeitura da capital baiana afirmou que fará uma “retomada gradual e responsável do setor de eventos, atividade de extrema importância para a cidade”, mas que os detalhes de como isso vai ocorrer ainda não foram concluídos e validados. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a realidade é semelhante à de São Paulo, com as casas de eventos abrindo para shows com o público sentado. O estado anunciou, inclusive, que irá fazer 25 festas e 15 eventos de esporte na capital e no interior para avaliar se ocorrerão novas contaminações. A surpresa por lá, no entanto, foi o anúncio de que a prefeitura pretender realizar 40 dias de Carnaval em 2022, começando em janeiro e se estendendo até março.

    A queda constante no número de infecções e mortes, além do aumento da vacinação, permitem alguma esperança. Com a abertura atual, nas próximas semanas será possível observar se essa curva avançará ainda mais no retorno da tão sonhada normalidade.

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