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Entenda a polêmica envolvendo Ed Sheeran e discurso pró-Palestina

Cantor britânico sofre boicote por manter posição isenta, após demissão de Macklemore da 'Loop Tour'

Por Lucas Almeida 16 set 2026, 12h58 | Atualizado em 17 set 2026, 11h02
Entenda a polêmica envolvendo Ed Sheeran e discurso pró-Palestina Priorize VEJA no Google

Ed Sheeran se viu no centro de uma polêmica nesta semana, depois que o rapper Macklemore foi demitido como atração de abertura de sua turnê por se manifestar a favor da Palestina em shows nos Estados Unidos. A reação veio rápido: todos os artistas que abririam para Sheeran ao longo da Loop Tour cancelaram suas participações.

Sheeran tentou se defender, afirmando que a decisão partiu exclusivamente dos contratantes. “Eu tenho minhas opiniões pessoais sobre esse conflito devastador. O fato de eu escolher não falar publicamente não significa que eu não as tenha, nem que eu não me importe”, disse o cantor em comunicado.

O britânico ainda argumentou que seu público inclui crianças e jovens. “Aqueles que vêm ao meu show não esperam um fórum político”, afirmou. A página de fãs Ed Sheeran Brasil, com mais de 45 mil seguidores no X (antigo Twitter), mostrou que a visão do ruivo não é unânime ao apoiar Macklemore. “Também discordamos da ideia de que, diante de uma crise humanitária dessa dimensão, a neutralidade seja uma posição isenta de consequências”, escreveu o perfil.

Sheeran construiu sua imagem como o “amigo da vizinhança”: simpático, caridoso e pouco ameaçador. Em 2014, chegou a doar todo o guarda-roupa para bazares beneficentes ligados a instituições de saúde. Essa postura dócil o poupou de cobranças por posicionamentos políticos. “Eu tenho opiniões políticas, mas ninguém compra meus discos pensando: ‘O que será que ele pensa sobre política?'”, disse em 2017.

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Isso não significa que o cantor nunca tenha se posicionado. Ainda em 2017, declarou apoio a Jeremy Corbyn, então líder do Partido Trabalhista britânico. Em janeiro de 2021, assinou uma carta com uma centena de artistas contra o Brexit. No ano seguinte, participou de um show beneficente em apoio à Ucrânia após a invasão russa.

A neutralidade neste momento representa uma garantia financeira. Além de multas e cobertura de gastos, o cancelamento da turnê significaria abrir mão de lucros expressivos: a The Mathematics Tour, turnê anterior de Sheeran, faturou 875 milhões de dólares (cerca de 4,5 bilhões de reais), uma das mais lucrativas da história.

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Taylor Swift, amiga de Sheeran, tentou manter uma imagem isenta durante boa parte da carreira. Após a chegada de Donald Trump à Casa Branca, em 2017, o público passou a associá-la a posições republicanas. A cantora precisou se pronunciar para rechaçar essa leitura e, mais tarde, declarou apoio a democratas, incluindo Joe Biden. Apesar das críticas, manteve credibilidade ao se posicionar — um contraste com a estratégia atual de Sheeran.

Entenda a demissão de Macklemore

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O caso começou em 4 de setembro, na Filadélfia. Antes da entrada de Sheeran no palco, Macklemore declarou apoio à criação de um Estado palestino livre e disse que queria que palestinos em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidos. Em seguida, cantou Hind’s Hall, música lançada durante os protestos pró-Palestina na Universidade Columbia, em Nova York.

As falas repercutiram enquanto Sheeran permaneceu em silêncio. Na segunda-feira, 14, Macklemore voltou a se manifestar após ser cortado da turnê. O próximo show está marcado para sábado, 19, também na Filadélfia. Segundo o rapper, a decisão partiu dos donos dos estádios por onde a turnê passaria, mas isso não isenta Sheeran: “Tomar um lado pode custar caro: dinheiro, parcerias de marca, patrocínios, festivais, shows particulares, relacionamentos e acesso. Eu perdi tudo isso”, disse nas redes sociais. “Mas não existe posição neutra entre o opressor e o oprimido. Quando um lado tem as bombas e o apoio financeiro e militar ilimitado dos Estados Unidos, recusar-se a tomar partido não te deixa no meio-termo.”

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A Messina Touring Group, promotora da etapa americana da turnê, confirmou a pressão dos contratantes: “Fomos notificados pelos locais que sediarão as próximas datas da turnê de que não permitirão shows com a participação de Macklemore no line-up — o que resultaria no cancelamento da turnê e afetaria centenas de milhares de fãs.”

O posicionamento de Macklemore também gerou apoio da classe artística. Os outros artistas escalados para abrir shows da turnê — que ainda passará pelos Estados Unidos e pela América Latina —, incluindo Aaron Rowe, Lukas Graham, a banda Beoga e Finneas (irmão de Billie Eilish, que viria ao Brasil com Sheeran em dezembro), se manifestaram em apoio a Macklemore.

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