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Engenhão passa no teste de seu primeiro grande show

Espetáculo de Paul McCartney marca o início da era de concertos. Noite desta segunda será mais complexa, com o movimento do rush do fim da tarde

Por João Marcello Erthal 23 Maio 2011, 19h11

A lição que fica da primeira noite da ‘Up and Coming Tour’ de Sir Paul McCartney é de que com organização decente, planejamento de transporte adequado e respeito ao público o Rio tem, durante a reforma do Maracanã, um espaço condizente com grandes nomes da música e espetáculos dessa magnitude

Ter Paul McCartney para uma estreia seria o sonho de qualquer arena, estádio ou espaço para grandes shows. Apesar de o Engenhão já estar em atividade desde 2007, a noite de domingo não pode deixar de contar como uma inauguração. Afinal, foi a primeira vez que o público cruzou os portões para assistir a algo diferente de competições esportivas – mais precisamente, algo que não fosse futebol, como vem sendo a rotina do Estádio Olímpico João Havelange.

Passadas as duas horas e meia de música – da melhor música – e quase 10 horas de movimentação do público, o Engenhão passou no teste: o estádio, que tem uma estação de trem à porta, revelou-se uma opção confortável e segura para grandes shows.

Parte desse mérito, claro, é dos organizadores, a começar pela obsessão do próprio ex-Beatle com as dezenas de exigências em suas apresentações. Mas a lição que fica da primeira noite da ‘Up and Coming Tour’ de Sir Paul McCartney é de que com organização decente, planejamento de transporte adequado e respeito ao público o Rio tem, durante a reforma do Maracanã, um espaço condizente com grandes nomes da música e espetáculos dessa magnitude – no momento em que a maré tem sido generosa com atrações do tipo no Brasil.

Foi a primeira vez do Engenhão nesse tipo de evento. O público contou com um serviço já comum nos dias de jogos, como orientadores ao redor do estádio, indicando os acessos adequados e “filas mais rápidas” – uma herança dos tempos do Pan. Estranho? Sim, bastante, para a cidade que teve, em março, um show do Iron Maiden adiado por um dia devido à queda de um alambrado – por erro dos organizadores do evento.

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Ao descer da rampa da estação de trem do Engenho de Dentro, o público começava a ver que seria um espetáculo diferente. Com megafones, orientadores devidamente identificados separavam a multidão pelo tipo de acesso: norte, sul, leste e oeste. As equipes de camiseta verde estavam em toda parte, o que facilitou bastante a “primeira vez” de muita gente no Engenhão.

Transporte – Duas semanas antes do show, foi amplamente divulgada a orientação sobre proibição de carros e o esquema especial de trens. O resultado: de um público esperado de 45 mil pessoas, 35 mil usaram os trens, segundo o balanço de venda dos kits para o show vendidos pela Supervia, no domingo.

Os problemas que o público enfrentou não comprometeram o espetáculo. Houve, por exemplo, quem tenha passado duas horas para chegar às arquibancadas superiores – algo que se resolve com uma mudança na distribuição dos acessos. E, como sempre, há o que foge completamente do poder de ação dos organizadores: cambistas às dezenas, já na descida da rampa para o Engenhão; táxis ilegais que a prefeitura tratou de tirar de circulação.

O bloqueio de ruas no entorno do Engenhão foi providencial, mas ainda não é o ideal: quem optou pelos táxis teve que enfrentar um esquema confuso, dificuldade para chegar aos ‘bolsões’ preparados pela CET-Rio – mais um item que o aprendizado do Engenhão deve tratar de corrigir, em eventos futuros.

A expectativa é de que no show da noite desta segunda-feira o funcionamento do estádio e do esquema de transporte se repita sem tumulto, mas a prova será mais complexa: em um dia útil, o movimento em direção ao estádio coincide com o rush de volta para casa, do Centro para a zona norte da cidade, assim como o fluxo de passageiros dos trens nas estações da Supervia.

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