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Empresas brasileiras não patrocinaram a Beija-Flor, diz embaixador da Guiné

Benigno Pedro Matute Tang, embaixador do país africano, afirmou que patrocínio foi feito por meio de um fundo de investimento cultural

Por Da Redação 22 fev 2015, 15h15

A Beija-Flor recebeu vaias na madrugada deste sábado, ao fazer parte do Desfile das Campeãs na Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escola de samba de Nilópolis venceu o carnaval carioca na semana passada, após apresentar um enredo homenageando a Guiné Equatorial, país governado pelo ditador Teodoro Obiang – que patrocinou o desfile. O embaixador da Guiné no Brasil, Benigno Pedro Matute Tang, que desfilou no último carro alegórico, voltou a defender a escola. Ao jornal O Globo, o embaixador afirmou que não houve participação de empresas brasileiras no patrocínio à Beija-Flor. E disse ainda que seu país “não é uma ditadura”, pois Obiang, diz ele, foi “eleito democraticamente” pelo povo.

A informação sobre o patrocínio de empresas brasileiras à Beija-Flor foi dada pelo próprio governo da Guiné, em nota oficial, na semana passada. Mas, segundo Tang, o dinheiro “investido” na Beija-Flor veio de um fundo cultural da Guiné, no qual investem inúmeras empresas presentes no país. “Nenhuma empresa brasileira patrocinou a escola. O que fizemos foi a abertura de um fundo cultural na Guiné, onde empresas ligadas à cultura do meu país depositaram valores que não sei ao certo dizer quanto atingiram. Foram financiamentos culturais. Uns pagaram menos, outros pagaram mais, não tenho como saber o valor total”, disse ele.

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Há 35 anos no poder, Obiang comanda a Guiné com mãos de ferro. O país é um dos mais pobres da África e o ditador é acusado de violações de direitos humanos, tortura e prisões arbitrárias pela Anistia Internacional. Tal situação, contudo, foi negada por Tang. “Não há ditadura. Há respeito ao voto. Ele vence porque o povo vota. O voto é secreto e não há qualquer tipo de interferência ou manipulação”, disse.

Ditadura – Mbasogo comanda o país desde 1979, quando tomou o poder por meio de um golpe de Estado. Desde então, ele pôs a principal riqueza do país, a indústria petrolífera, a serviço do próprio enriquecimento. Seguindo o padrão de regimes tirânicos, a Guiné Equatorial se apresenta como democracia constitucional, mas as eleições realizadas no país são marcadas pela fraude, como demonstram os resultados: no pleito de 2009, Mbasogo venceu com 95,8% dos votos.

A riqueza oriunda do petróleo, que encheu os cofres do governo, obviamente não foi destinada a melhorar a vida da população. Vários programas de auxílio ao país que eram mantidos pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional foram cortados no início da década de 1990 devido à corrupção e má gestão.

Para assumir o poder, Mgasogo passou por cima do tio Francisco Macias Nguema. Da independência, em 1968 até sua derrubada, em 1979, ele espalhou o terror no país, ordenou o assassinato de milhares de opositores e forçou um terço da população a fugir do país. Quando passou a comandar a Guiné Equatorial, Mgasogo promoveu um julgamento sumário do tio e mandou executá-lo.

Em 2003, o ditador declarou oficialmente ter conexões permanentes com Deus, o que lhe permitia matar qualquer pessoa que quisesse, sem dar explicações para ninguém – e sem ir para o inferno.

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