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Empresas brasileiras não patrocinaram a Beija-Flor, diz embaixador da Guiné

Benigno Pedro Matute Tang, embaixador do país africano, afirmou que patrocínio foi feito por meio de um fundo de investimento cultural

Por Da Redação
Atualizado em 5 jun 2024, 11h08 - Publicado em 22 fev 2015, 15h15

A Beija-Flor recebeu vaias na madrugada deste sábado, ao fazer parte do Desfile das Campeãs na Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escola de samba de Nilópolis venceu o carnaval carioca na semana passada, após apresentar um enredo homenageando a Guiné Equatorial, país governado pelo ditador Teodoro Obiang – que patrocinou o desfile. O embaixador da Guiné no Brasil, Benigno Pedro Matute Tang, que desfilou no último carro alegórico, voltou a defender a escola. Ao jornal O Globo, o embaixador afirmou que não houve participação de empresas brasileiras no patrocínio à Beija-Flor. E disse ainda que seu país “não é uma ditadura”, pois Obiang, diz ele, foi “eleito democraticamente” pelo povo.

A informação sobre o patrocínio de empresas brasileiras à Beija-Flor foi dada pelo próprio governo da Guiné, em nota oficial, na semana passada. Mas, segundo Tang, o dinheiro “investido” na Beija-Flor veio de um fundo cultural da Guiné, no qual investem inúmeras empresas presentes no país. “Nenhuma empresa brasileira patrocinou a escola. O que fizemos foi a abertura de um fundo cultural na Guiné, onde empresas ligadas à cultura do meu país depositaram valores que não sei ao certo dizer quanto atingiram. Foram financiamentos culturais. Uns pagaram menos, outros pagaram mais, não tenho como saber o valor total”, disse ele.

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Há 35 anos no poder, Obiang comanda a Guiné com mãos de ferro. O país é um dos mais pobres da África e o ditador é acusado de violações de direitos humanos, tortura e prisões arbitrárias pela Anistia Internacional. Tal situação, contudo, foi negada por Tang. “Não há ditadura. Há respeito ao voto. Ele vence porque o povo vota. O voto é secreto e não há qualquer tipo de interferência ou manipulação”, disse.

Ditadura – Mbasogo comanda o país desde 1979, quando tomou o poder por meio de um golpe de Estado. Desde então, ele pôs a principal riqueza do país, a indústria petrolífera, a serviço do próprio enriquecimento. Seguindo o padrão de regimes tirânicos, a Guiné Equatorial se apresenta como democracia constitucional, mas as eleições realizadas no país são marcadas pela fraude, como demonstram os resultados: no pleito de 2009, Mbasogo venceu com 95,8% dos votos.

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A riqueza oriunda do petróleo, que encheu os cofres do governo, obviamente não foi destinada a melhorar a vida da população. Vários programas de auxílio ao país que eram mantidos pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional foram cortados no início da década de 1990 devido à corrupção e má gestão.

Para assumir o poder, Mgasogo passou por cima do tio Francisco Macias Nguema. Da independência, em 1968 até sua derrubada, em 1979, ele espalhou o terror no país, ordenou o assassinato de milhares de opositores e forçou um terço da população a fugir do país. Quando passou a comandar a Guiné Equatorial, Mgasogo promoveu um julgamento sumário do tio e mandou executá-lo.

Em 2003, o ditador declarou oficialmente ter conexões permanentes com Deus, o que lhe permitia matar qualquer pessoa que quisesse, sem dar explicações para ninguém – e sem ir para o inferno.

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