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Em carta de 1787, Catarina, a Grande defende vacinação contra varíola

Documento que vai a leilão indica que a imperatriz da Rússia queria que a inoculação fosse usada em larga escala

Por André Sollitto 30 nov 2021, 19h20

Uma carta datada de 1787 que vai a leilão nesta semana mostra que Catarina, a Grande (1729-1796), imperatriz da Rússia de 1762 até sua morte, não era negacionista. O documento, endereçado ao governador de uma província na atual Ucrânia, pede que um método de inoculação contra a varíola, precursor da vacinação, fosse aplicado em larga escala na região. Catarina foi pioneira em defender os principais avanços das artes e da ciência no século 18 e uma das primeiras lideranças russas a promover a luta contra a varíola.

O método de prevenção, conhecido como variolação, consistia em expor os pacientes à doença usando cascas de feridas de pessoas contaminadas. Usado por anos na Ásia, a técnica demorou para chegar à Europa – e foi encarada com restrições pela população, que temia se expor. “Essa inoculação deveria ser comum em todos os lugares, e agora é muito mais conveniente, já que existem médicos em quase todos os distritos, e o método não exige gastos elevados”, escreveu Catarina na carta.

Assim como diversos líderes mundiais fazem um apelo para que a população se vacine contra a covid-19, dando o exemplo ao aparecer publicamente tomando o imunizante, a própria imperatriz passou pelo procedimento, junto com o filho e outros membros da corte. Convidou um importante médico inglês da época, foi inoculada e se recuperou. Para celebrar, instituiu um feriado. Depois, passou a defender a vacinação.

O documento será leiloado junto com um retrato de Catarina, a Grande feito por Dmitry Levitsky, pela casa MacDougall’s Auction, baseada em Londres e especializada em arte russa. Atualmente, ambos estão em posse de um colecionador privado não identificado, e devem ser vendidos por um valor entre US$ 1 milhão e US$ 1,6 milhão.

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