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Eletrônica in Rio: festival vai muito além do axé e do pop — ah, e do rock, é claro

Por Leo Pinheiro, da Cidade do Rock 25 set 2011, 19h13

Que nem só de rock se faz o maior festival de música do país, já não é novidade — estão aí Rihanna, Katy Perry e Claudia Leitte, atrações da primeira noite, para provar. Mais do que pop e o axé, no entanto, há um gênero que atrai atenção na Cidade do Rock. Onipresente — ela está em todos os dias –, a música eletrônica tem arrastado milhares para perto das picapes após e mesmo antes dos grandes shows do palco Mundo, o principal do evento.

Foi o caso da turma que trabalha nos stands e só pôde curtir um pouco do festival, que tem mais de 170 atrações, depois que os californianos do Red Hot Chili Peppers encerraram a programação do segundo dia do palco Mundo, na madrugada deste domingo. Àquela altura, por volta de 3h30, a adrenalina voava e o clima de azaração na Tenda Eletrônica fervia. Dois belos jovens promotores do stand de uma marca de refrigerantes, que se conheceram no primeiro dia de festival, trocavam beijos ao som do bate-estaca. O casal não quis se identificar para não perder o trabalho temporário, mas disse que, apesar do risco, voltará ao point outras vezes. “Ontem, eu estava muito cansada e preferi relaxar na rua de serviço antes de pegar a van de volta para casa. Mas hoje estou curtindo um pouco. A gente não ganha bem, mas se diverte”, brincou a moça, de 26 anos. Pouco mais velho, o rapaz de 30 disse que não saberia responder se teria pique para voltar ao local todos os dias, após 12 horas de trabalho.

Ao lado dos trabalhadores, os visitantes da Cidade do Rock gastavam suas últimas energias. A estudante Lorraine Boechat, de 22 anos, queria festa depois dos shows. Mesmo cansada de peregrinar pela arena do festival, a jovem, que chegou às 16h, dançava como se não houvesse amanhã. “Passei onze anos esperando pelo Rock in Rio. Agora, quero curtir todas as atrações a que tenho direito. Gosto de rock pesado e para mim os melhores shows foram o do Red Hot e do Capital inicial, mas curto eletrônica, também. Por mim, eles ficariam tocando aqui até 10h da manhã”, exagerou a estudante. Sua colega, a chinesa Yimei Chan, de 19 anos, estava mais resignada e disse que se contentava em ficar até as 4h, horário de encerramento do evento.

A mistura de nacionalidades também se via na lista dos artistas que se apresentaram na tenda. Na babel que é a escalação das atrações de eletrônica, com DJs ingleses, holandeses, turcos, israelenses e chilenos, quem se destacou foi o nova-iorquino Danny Tenaglia. O americano é um dos maiores produtores de house music de todos os tempos e se tornou conhecido nas pistas de todo mundo com remixes de Madonna e Jamiroquai. Sem tocar no Brasil há muitos anos, Danny incendiou o público no show de encerramento da segunda noite da Tenda Eletrônica. “Vamos lá, galera! Obrigado, Rio”, gritava o DJ em um português obscuro.

Outro destaque, ao menos para o estudante Michael Fernandes, de 18 anos, foi a carioca Mary Zander. Uma das DJs mais requisitadas em Londres, Mary toca um som mais eclético — e menos repetitivo — e se destaca pela mistura do house e do tecno. “Gostei também do Vibe, o DJ português que veio em seguida”, disse o rapaz que, como muitos outros fãs, abriu mão de ver os shows do Palco Mundo para curtir a Tenda.

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