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‘Ele é insubstituível’, diz Lebrecht sobre Claudio Abbado

Em entrevista ao site de VEJA, o escritor e especialista em música clássica lamenta a morte do maestro italiano

Por Raquel Carneiro 21 jan 2014, 16h16

Para o escritor e crítico cultural britânico Norman Lebrecht, uma das maiores autoridades em música erudita no mundo, o maestro Claudio Abbado, morto nessa segunda-feira de um câncer no estômago, aos 80 anos, era “único”. “Ele é insubstituível. Um dos últimos nomes famosos da geração de ouro”, diz Lebrecht ao site de VEJA.

O regente italiano, natural de Milão, comandou algumas das orquestras mais relevantes do mundo, entre elas a Filarmônica de Berlim, para muitos a mais importante entre todas, e deixou um legado a ser lembrado pela história da música erudita. Não apenas por seu talento com as batutas, mas também por sua habilidade em gerir pessoas dentro de um meio marcado por altos níveis de excelência e de exigência e povoado por egos muitas vezes difíceis de domar.

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Confira a entrevista com Norman Lebrecht, que relembrou a carreira do maestro e sua contribuição para a arte:

Quais foram os principais feitos de Claudio Abbado? Ele rejuvenesceu e modernizou a La Scala e renovou a Filarmônica de Berlim. Ele era uma força constante de modernidade e progresso, sempre procurando novos talentos, como o maestro venezuelano Gustavo Dudamel. Também fundou três grandes orquestras: a Orquestra Juvenil da União Europeia, a Orquestra Juvenil Gustav Mahler e a Orquestra Mozart de Bolonha. Abbado sempre pensava no futuro.

Abbado é quase uma unanimidade no mundo da música clássica. O que fez dele uma pessoa tão bem aceita? Ele era um intérprete com um som único em todo o mundo. E um gênio por atualizar detalhes no meio das apresentações.

Existe alguém no cenário que possa ser comparado a Abbado? Não. Ele era único.

Como a perda dele afetará a música clássica? Ele é insubstituível. Um dos últimos nomes famosos da geração de ouro.

https://youtube.com/watch?v=QAMxkietiik%3Frel%3D0

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Filarmônica de Berlim

Fundada em 1882, a Filarmônica de Berlim é a mais respeitada orquestra do mundo. Por ela, passaram grandes nomes como o austríaco Herbert von Karajan, maestro autoritário que é considerado um dos mais importantes do século XX, e que a conduziu entre 1955 e 1989. Nesse período, a filarmônica alcançou um nível de excelência único, reconhecido até hoje em todo o mundo. Sua qualidade excepcional é resultado dos rígidos processos de seleção de seus profissionais e de uma rotina diária de ensaios extremamente rigorosa, que leva o grupo de mais de 100 músicos a beirar a perfeição na execução das obras. Com Karajan, a orquestra se dedicou a levar suas performances para discos e CDs e registrou o repertório clássico em gravações antológicas. Claudio Abbado sucedeu Karajan e ficou à frente da filarmônica de 1990 a 2002. Embora tenha reduzido as investidas em gravações, o italiano teve seu trabalho à frente da orquestra registrado em discos incríveis como Mahler: Symphony No 3, de 1999, e Schumann: Scenes from Faust, de 1994.

https://youtube.com/watch?v=VwXeu77_Vf8%3Frel%3D0

Scala de Milão

O Teatro alla Scala foi inaugurado em 1778, em Milão. Criado para executar óperas italianas, a partir do início do século XX, sob a direção de Arturo Toscanini, o teatro e sua orquestra foram abrindo espaço para o trabalho de compositores de outras nacionalidades e para obras sinfônicas e balés, o que fez da diversidade uma de suas características mais importantes. O Scala recebeu os principais músicos e intérpretes da história da música clássica, como a soprano Maria Callas e o bailarino Rudolf Nureyev. Claudio Abbado assumiu a direção musical do teatro em 1968 e, além de vasculhar o repertório clássico italiano, fez a casa acolher compositores contemporâneos, como Schoenberg e Stockhausen. A orquestra do Scala é formada por 135 músicos e já foi conduzida por alguns dos maestros mais importantes das últimas décadas, como o próprio Toscanini, Herbert von Karajan e Leonard Bernstein. Em 1982, Abbado fundou a Filarmônica do Scala para desenvolver o repertório sinfônico da casa.

https://youtube.com/watch?v=BLSGFNGhnYU%3Frel%3D0

Orquestra Sinfônica de Londres

Reconhecida por sua diversidade e flexibilidade, interpreta de compositores clássicos a contemporâneos e é responsável pela gravação original da trilha de filmes como Guerra nas Estrelas, composta por John Williams, compositor americano especializado em trilhas para o cinema. Leonard Bernstein foi intimamente ligado à LSO (sigla para a orquestra em inglês) da década de 1960 até sua morte, em 1990, e Abbado foi o principal condutor do grupo de 1979 e 1987, período em que excursionou constantemente, incluindo uma turnê mundial em 1983. O italiano também foi seu diretor musical entre 1984 e 1987.

https://youtube.com/watch?v=ZPJ1cMSqhKw%3Frel%3D0

Ópera de Viena

Um das principais casas de ópera do mundo, ela data do século XIX. Ao contrário do Scala de Milão, que expandiu seu repertório para incluir concertos sinfônicos, a Ópera de Viena seguiu se dedicando a óperas e balés. Em sua história, a orquestra foi conduzida por grandes nomes da música como Gustav Mahler  (1897–1907) e Herbert von Karajan (1956–1964). Abbado foi seu diretor musical e maestro entre 1986 e 1991. 

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