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Egocentrismo marca documentário de Beyoncé

Filme dirigido pela cantora, que estreia neste sábado na HBO brasileira, desfaz boatos sobre a estrela e tenta humanizá-la -- sem sucesso

Por Carol Nogueira 10 Maio 2013, 07h37

Aos 31 anos, mais de vinte deles de carreira, Beyoncé tem uma das histórias mais interessantes de construção de mitos da música pop. Filha de um casal de americanos, teve seu talento descoberto na escola quando ainda era criança, cantou em corais de igreja e, aos 13 anos, formou aquele que viria a ser um dos grupos de garotas mais bem sucedidos da história, o Destiny’s Child. Mas, ao contrário da maioria dos astros pop, cuja carreira tem duração limitada, a fama de Beyoncé só cresce. Esses são alguns pontos que poderiam ter sido explorados no documentário Beyoncé: Life is But a Dream, dirigido e produzido por ela, que estreia na HBO brasileira neste sábado, se o filme não fosse, infelizmente, apenas uma egotrip da cantora.

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A história de Beyoncé é tão incrível que é até difícil de acreditar que seja verdade. Há quem especule na internet que ela seja membro da sociedade secreta dos illuminati. Mas a verdade é que Beyoncé não é nada disso por acaso — sua fama de controladora é conhecida. Desde o fim do Destiny’s Child, em 2001, ela se tornou uma das maiores cantoras pop da atualidade, tudo graças aos ensinamentos valiosos de seu pai, Mathew Knowles, sobre marketing pessoal e construção de imagem, e dos consequentes (e muitos) movimentos calculados. Hoje, ela e o marido, o igualmente bem-sucedido rapper Jay-Z, formam um dos casais mais ricos do entretenimento. Como se não bastasse, ela é linda de morrer. Mas tudo isso tem um preço, enfatiza Beyoncé no filme.

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O longa apenas pincela a infância e a ascensão da cantora, antes de partir direto para o começo de 2011, quando a cantora rompeu laços profissionais com o pai, seu empresário e mentor desde a época das Destiny’s Child, e passou a administrar a própria carreira. “Eu precisava de limites, e o meu pai precisava também”, diz a cantora no filme. Ela afirma que tomou a decisão porque queria seguir outros rumos profissionais, mais arriscados, e — ai, que drama — porque “precisava de um pai”. Boa parte do que acontece a seguir diz respeito ao processo de gravação do disco 4, lançado no fim daquele ano, um dos mais elogiados da cantora, no qual ela incorporou elementos do R&B ao seu som pop, além de apresentar letras mais tristes e instrospectivas.

https://youtube.com/watch?v=prkDKl6qWNA

O problema é que tudo vira dramalhão em Beyoncé: Life is But a Dream. Há muitas tentativas de humanizar a cantora e arrancar lágrimas do espectador. “Eu sou um ser humano: choro e fico assustada, como qualquer outra pessoa”, diz ela. São consumidos muitos minutos, por exemplo, para contar o processo de criação para a apresentação que ela fará em uma premiação da revista americana Billboard, que não tinha “nada pronto” até dois dias antes, mas que transcorreu sem problemas. E, o mais engraçado, não foi uma apresentação nada memorável, mesmo para quem é da área musical.

Mais: no dia do lançamento do álbum abordado pelo filme, o 4, Beyoncé mal pode acreditar que o disco está sendo lançado, algo que parece estranho para alguém que lançou o primeiro disco há mais de 15 anos. Soa falso.

A coisa fica pior quando a cantora decide incluir um drama da vida pessoal para dar profundidade ao documentário: um aborto sofrido por ela antes dos 3 meses de gestação, período em que é normal que isso aconteça. Mas outras questões ainda mais importantes da vida pessoal dela, como o relacionamento com Jay-Z (como é ser casada com alguém do meio? Eles influenciam a carreira um do outro? Jay-Z teve alguma participação na decisão do rompimento com o pai?) ficam de fora. A filha do casal, Blue Ivy Carter, de 1 ano, então, aparece só no fim, e quase nada é dito sobre ela.

Para quem acompanha a carreira de Beyoncé ou o noticiário de celebridades, não há nada novo em Life is But a Dream. Mas alguma mulher de TPM pode aproveitar se ele estiver passando na televisão. É garantia de choro na certa.

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