🔥 9.9: Assine Revista Impressa + Digital Premium por R$ 32,90/mês. Preço especial só hoje.

Edwin Luisi fala de temática LGBT+, influencers na TV e paternidade tardia

Aos 79 anos, ator é o convidado do programa semanal da coluna GENTE

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 ago 2026, 11h00
Edwin Luisi fala de temática LGBT+, influencers na TV e paternidade tardia Priorizar nos meus resultados Google

Dezoito anos depois do sucesso de crítica e público, Edwin Luisi, 79 anos, volta a contar a história da travesti alemã Charlotte von Mahlsdorf (1928-2002), que durante e após o nazismo sobreviveu à perseguição, ao preconceito e à violência. A peça Eu sou minha própria mulher, que na primeira montagem rendeu a Edwin os prêmios Shell e APTR, discute temas ainda mais atuais nos dias de hoje, como a LGBTfobia e o totalitarismo. O ator é o convidado do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku). Assista.

(Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)

RETORNO DE PEÇA. “Reforçamos a parte histórica da peça, porque ela passa num período conturbado do mundo, final da Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha se divide em duas. A personagem principal está do lado oriental, o que significava viver sob regime comunista, mas é uma peça para cima. É claro que você se comove, mas ao mesmo tempo tem uma mensagem positiva, porque a personagem tem um humor fantástico. Era uma travesti alemã que atravessou os dois piores regimes da humanidade: nazismo e comunismo. Faço em cena vinte papéis mais ou menos, sem nenhum artifício, só mudando a voz, os trejeitos… Cada personagem tem dois ou três gestos que os identificam”.

LUTA LGBT+. “A gente hoje tem uma dramaturgia muito mais voltada para a mulher, porque a mulher teve lutas muito poderosas, fortes, extremamente consequentes. Os autores se debruçaram sobre a temática feminina, transformando os homens em personagens fracos, bobocas, idiotas. E isso não me supriam como ator, falar sobre esse tipo de homem. Depois da mulher sendo valorizada, aí sim veio a pauta das minorias. Com isso o movimento negro foi extremamente importante, não que negro seja minoria. Mas surgiram vários atores negros extremamente maravilhosos dentro da dramaturgia. A questão dos gays, quando montei a peça pela primeira vez, ainda era incipiente. (…) O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo”.

ÓDIO ÀS MINORIAS. “Ao mesmo tempo em que as coisas avançam, um grupo quer voltar para trás. O ódio por esse avanço faz com que pessoas matem. A mulher avança, aí tem um grupo que odeia esse avanço e quer matar mulher. São ódios reprimidos. Esses assuntos pertinentes precisam estar na discussão. Não estou fazendo essa peça por oportunismo. É um assunto que estou contribuindo para o momento da civilização e da estrutura brasileira. Há pouco tempo um rapaz veio falar para mim: Com a sua peça meus pais começaram a me aceitar’. Olha, devo ter ajudado outras pessoas”.

Continua após a publicidade

INFLUENCIADORES DIGITAIS. “Qualquer época da minha vida sempre teve franco-atiradores, oportunistas, sempre houve caras de pau. Ser ator é um assunto muito delicado para se falar. Tem vários bons atores, várias pessoas que fazem cultura de forma tão inteligente, bonita… Mais que o celular, a televisão aberta deu oportunidade de surgimento a uma camada de pessoas que não estão interessadas em discutir a sociedade, discutir a arte. São pessoas que chamo de franco-atiradores. Eles estão preocupados em ganhar seu dinheiro, viver e geralmente fazem mais sucesso do que a gente. Vivem uma vida babesca, com muito seguidor. Essa coisa de influenciador, nem entendo muito bem. Influencia o quê? O que é influenciar?”.

VISÃO INTELECTUAL. “Que geração é essa que vive atrás de pessoas que dão palpite sobre absolutamente tudo de uma forma leviana, de uma forma grotesca, de uma forma infantilizada? É isso que a gente quer criar para o nosso futuro? Os nossos filhos, os nossos, no meu caso, já netos, não quero criá-los ouvindo um influenciador, quero que eles sejam criados ouvindo pessoas que têm alguma coisa legal para dizer. Nem precisa ser um intelectual, nem me considero intelectual, homem culto. Tenho uma vivência, uma história de vida que me fez caminhar por certos lugares onde pus um foco”.

Continua após a publicidade

INTERESSE PELA TV. “Nunca tive o foco de ser famoso, de ser uma personalidade pública. Meu foco era ser uma pessoa conhecida sendo boa naquilo que escolhi fazer, sobretudo no teatro. Fiz escola de teatro para ser ator de teatro. As outras coisas surgiram por contingências, foram bem-vindas. Sou muito grato à minha entrada na televisão, mas o meu pé sempre esteve no teatro, continuei lá a vida inteira. Tanto que minha carreira no teatro foi muito mais bem-sucedida do que na TV. Queria fazer teatro mesmo ganhando menos, muito menos. Vejo amigos meus que escolheram caminhos que não escolheria, que hoje têm coisas que nem sonho ter na minha vida”.

QUASE 80 ANOS. “A coisa maior, que a gente omite (sobre o lado negativo da velhice), é a morte. A gente omite, a gente finge que esquece que a morte existe. A gente tem um mecanismo de defesa cerebral de fingir que ela não existe. Agora, não há dúvida, há um fantasma que está muito mais próximo de mim do que de você pelo caminhar das leis da natureza. Ah, mas ainda espero enterrar muita gente. Quero ainda viver bastante, mas é um fantasma. O mal de ter mais idade é a rapidez da ampulheta. A ampulheta, não dá para você revertê-la. O tempo é uma coisa inexorável. Cada vez que acordo, falo: ‘Que bom, mais um dia’. Faça tudo para que esse dia seja proveitoso. Apesar de tudo, amo viver”. (…) Sabe o que é triste? É saber que melhorei tanto ao longo da minha vida. O longevo, como eu, tem oportunidade de melhorar e aparar as arestas. Quem morre cedo não tem tempo, eu tive tempo. Me tornei uma pessoa melhor, e agora que estou melhorando, tenho que partir. Isso é a parte dura. E a parte boa disso tudo? Não tem nenhuma (risos)”.

Continua após a publicidade

ADOTANDO UM FILHO DE 19 ANOS. “Adotei um filho, que hoje tem 42 anos, e que já me deu uma neta. Vivo em função deles. Ele trabalha comigo na peça como produtor e estamos vivendo uma fase maravilhosa, a gente está todo dia junto, fazendo essa turnê. É minha paixão de vida, não sei como tinha tanto amor dentro de mim, é incondicional. Foi por acaso, porque a gente fala que é ‘pai’ e ‘filho’ há uns seis anos. Conheci a família dele, quando ele era criança, morava perto de mim, moravam no Leblon. Depois, o pai dele perdeu absolutamente tudo, foi morar no Riachuelo. Quando reencontrei o Cláudio, ele contou a vida dele. E ele falou que queria ser ator. Falei: ‘Olha, qualquer coisa que você precisar, conte comigo’. Até o dia que ele chegou, já com 19 anos e falou: ‘Vou optar por essa carreira’. Falei: ‘Vamos falar com o teu pai, você vai para minha casa’. Os pais acharam ótimo. O tempo foi passando e um dia entrei numa farmácia e ele estava com, nem sei, dor de cabeça. Aí falei: ‘Você tem um remédio para o meu filho?’. Saímos de lá com ataque de riso. Ele: ‘Você me chamou de filho?’. ‘É, você é meu filho. Cláudio, é isso que a gente é. Sou teu pai, você é meu filho’. Na pandemia, estava morando em Portugal e lhe ofereci minha casa no Leblon. ‘Vai tomar conta da minha casa, você não paga aluguel, vai ter tudo pago. Sustento a casa inteira, você não vai fazer nada, não vai pagar absolutamente nada’. (…) A gente não se desgrudou mais agora. Agora é até o final dos tempos”.

AMOR SEM DEFINIÇÃO. “Tenho que cuidar de alguém, (e isso podia parecer que) era complicado, ainda mais ele pós-adolescente e eu já um senhor de certa idade. Não é um amor carnal, não é um amor romântico, não tem isso, mas é um amor que eu desconhecia… Que tinha tanto amor para dar para alguém. Nunca tinha amado alguém dessa forma, mesmo quando casei, namorei, transei. Essa forma é um lugar especial, mas que abrange tudo o que necessito para tirar dentro de mim este sentimento que ficou guardado por muitos anos. (…) Minha responsabilidade é só fazer ele feliz, só isso, de verdade, pode parecer piegas, mas é isso, é fazer ele feliz, a família dele, saber que ele está sustentando a família e, claro, vou dando os subsídios para que ele tenha uma vida legal, boa, melhor”.

Continua após a publicidade

Captação de imagens e edição: Libário Nogueira / Agradecimentos: Hotel Nacional e Elev Comunicação / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221).

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional da Editora Abril. À esquerda, um selo laranja com CHEGOU O 9.9 e 80% OFF, e um botão APROVEITE A OFERTA AGORA. Ao centro, texto Na Editora Abril os números se alinharam para você ler as melhores revistas do Brasil por um preço simbólico e capas de revistas como Veja, Quatro Rodas, Saúde e Claudia. À direita, uma mulher sorridente com cabelo castanho, vestindo camisa bege, segura um cartão dourado. No canto superior direito, um ícone de árvore e uma faixa laranja diagonal com ASSINATURA LEIA 15 MARCAS
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA 9.9

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$5,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).