Ed Stafford experimenta rituais de passagem intensos em nova série
Astro do Discovery Channel volta às telas
Em uma aldeia indígena isolada na Amazônia brasileira, o explorador inglês Ed Stafford se submeteu a quase 24 horas de agonia ao inserir as mãos em luvas recheadas de formigas tucandeiras. “Imagine ferver uma chaleira com água e derramá-la sobre a pele enquanto golpeiam seus dedos com uma marreta. É mais do que isso”, descreveu ele em entrevista a VEJA sobre a dor. Tradicional do povo sateré-mawé, o rito milenar de resiliência marca a passagem dos homens para a vida adulta e é uma das iniciações experimentadas pelo inglês na série Rituais Extremos, que estreia no Discovery Channel e na HBO no domingo 12.
Astro de documentários de sobrevivência populares, como Desafio Mortal e Contra Todos, Stafford dedica sua vida a levar o corpo e a mente ao limite, transformando suas estranhas aventuras em entretenimento. Ele ganhou notoriedade ao entrar para o livro dos recordes ao percorrer toda a margem do Rio Amazonas a pé, caminhando por 860 dias entre 2008 e 2010. Nascido em Peterborough, na Inglaterra, Stafford entrou em contato com o universo da sobrevivência ainda criança, como escoteiro, enquanto sonhava em jogar rúgbi. Mais tarde, depois da faculdade de geografia e do serviço militar, a aventura se impôs como profissão, fazendo dele estrela de vivências televisivas que variam de passar meses em lugares inóspitos, sem contato humano, até levar a esposa e o filho pequeno para morar em uma ilha deserta.
Em Rituais Extremos, ele rodou a África, a América Latina e a Ásia em busca dos ritos de iniciação mais exigentes do planeta, incluindo saltar sobre touros na Etiópia e coletar o mel das abelhas mais agressivas do mundo na Tanzânia. “O principal para mim é fazer justiça a essas comunidades e mostrar como elas preparam os jovens para a vida adulta”, afirma.
Aos 50 anos, o aventureiro diz não se preparar como antes para as explorações, mas cumpre um ritual curioso. “Paro de usar calçados por uns dois meses antes de viajar, para que a pele dos meus pés fique mais resistente”, conta. “Não quero parecer arrogante mas, hoje, confio na minha capacidade de enfrentar a maioria das situações.” Habituado à natureza, ele torce o nariz para a ideia de que o meio ambiente é um inimigo a ser derrotado. “Somos parte da natureza, então acho estranho essa ideia de confronto. Tento viver sem pensar que há uma cobra sob cada pedra ou que vou ser devorado por uma onça”, diz, criticando o título Man vs. Wild (“homem versus vida selvagem”, em português), dado ao programa do concorrente Bear Grylls. Para sobreviver, é preciso mais que instinto.
Publicado em VEJA de 3 de julho de 2026, edição nº 3002







