Duda Beat sobre Covid-19: ‘Sintomas leves graças à vacina’
Com shows adiados por causa da nova variante, cantora fala a VEJA sobre a dura retomada do setor cultural e como usou o período de isolamento para compor
Ansiando recuperar o fôlego já no começo de 2022, o setor cultural — em especial, shows e festivais — encontrou uma nova barreira no caminho: a variante ômicron. Entre os vários artistas que não só contraíram o vírus como também precisaram adiar apresentações está Duda Beat. A cantora, conhecida por entoar músicas da chamada “sofrência pop”, havia retornado aos palcos em dezembro de 2021 para divulgar seu mais recente disco, Te Amo Lá Fora, feito durante a pandemia. A agenda, porém, foi interrompida em decorrência do aumento de casos de Covid-19 no Brasil.
Em entrevista a VEJA, a artista fala sobre como artistas e profissionais da música têm sido afetados pela ômicron, e sobre sua próxima turnê na Europa. Confira:
Após tanto tempo sem fazer shows por causa da Covid-19, como foi a experiência de retornar aos palcos no final do ano passado? Foi maravilhoso e surpreendente. Confesso que tiveram alguns momentos que achei estar sonhando. O tempo é muito louco. A sensação era como se o calor do público não tivesse mudado, como se tivéssemos retomado de onde paramos, só que cantando um disco novo. Me deu confiança e autoestima ouvir o público de novo. Lancei Te Amo Lá Fora durante a pandemia, então não tive nenhum termômetro sobre quais canções as pessoas gostavam mais, por exemplo. É algo que só acontece nos shows.
O setor cultural sofreu bastante com a pandemia — e agora a variante ômicron está impondo novas barreiras. Como está encarando essa fase? Retomamos em dezembro quando estava tudo certo e agora em janeiro houve cancelamentos e adiamentos porque era necessário. Ao mesmo tempo, nós vimos como a vacinação é poderosa. Por mais que as pessoas estejam pegando o vírus, os sintomas costumam ser mais leves. Para os artistas é muito triste, pois vários vivem exclusivamente dos shows. Com a volta aos palcos, vislumbramos uma retomada do setor cultural e em seguida houve essa parada. É algo importante de se pensar já que para um show acontecer são necessários muitos profissionais. Confesso que é desesperador parar novamente. Se realmente tivéssemos um plano do governo para o setor cultural, as coisas estariam mais resolvidas.
Em janeiro, você foi diagnosticada com Covid-19. Como passou este período? Eu não tive a doença durante a pandemia inteira e acabei me contaminando com a nova variante no começo do ano. Tive sintomas leves graças à vacina. Acabei aproveitando esse período de isolamento para compor músicas novas para o meu próximo disco. Moro com meu marido, que também é meu produtor, e nós piramos fazendo canções. Tenho aproveitado esse tempo para isso. Compor e pensar nas coisas que quero para essa nova era que chegará — e que eu definiria como mais refrescante.
Você está com uma agenda de shows na Europa. Quais as expectativas de levar ritmos brasileiros para outros cantos do mundo? Estou com altas expectativas. Fui para a Europa e para os Estados Unidos no final de 2019 e fui muito bom. O público lá foi super-receptivo e caloroso. Esse ano voltaremos para lá, mas com uma equipe maior, e isso é uma grande conquista. Abri a agenda de shows e está vendendo bem. A galera está animada — principalmente nos lugares que ainda não cantei, como Paris e Londres. Grande parte do público é formada por brasileiros, mas também vão junto os amigos dos brasileiros — e isso é ótimo porque expande minha arte e fideliza outras pessoas.
Qual sua expectativa para o setor cultural este ano? Rock in Rio está batendo na porta já, e será minha primeira vez no palco principal. Estou com a expectativa lá no alto de que poderemos retomar os shows com muita gente cantando as músicas, se abraçando, confraternizando e vibrando. Tenho muita esperança de que isso vá acontecer no segundo semestre. Acho que a tendência agora é melhorar, com as pessoas se vacinando e pensando mais nas próximas.







