Do anonimato ao best-seller: quem é Virginia Evans, vencedora do Women’s Prize for Fiction
Livro 'A Correspondente' já vendeu mais de 2 milhões de cópias no mundo e chegou recentemente ao Brasil
Parece quase impossível que o livro de estreia de uma autora completamente desconhecida pelo grande público se transforme em um best-seller do dia para a noite, mas é exatamente o que aconteceu com Virginia Evans, romancista americana de 40 anos. Em abril de 2025, ela publicou sua primeira obra, A Correspondente, que gira em torno de Sybil Van Antwerp, uma mulher de 73 anos, advogada aposentada, divorciada e filha adotiva, que encontra na escrita de cartas uma forma de compreender o próprio passado e reorganizar a vida.
A sinopse pode passar despercebida, mas levou a escritora à vitória no Women’s Prize for Fiction deste ano, no valor de 30 mil libras, equivalente a R$ 210 mil. Superando o marco de 2 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, a obra foi eleita uma das melhores do ano por veículos internacionais e chega agora ao Brasil pela editora Arqueiro. O sucesso estrondoso também resultou no anúncio de uma adaptação da história para os cinemas, estrelada por Jane Fonda e produzida pela Lionsgate.
No romance, Sybil é uma idosa que vive em Maryland, nos Estados Unidos, e possui uma personalidade bastante forte. Opinativa, teimosa e sarcástica, a protagonista passa suas manhãs escrevendo cartas à mão para amigos, familiares, autores que admira e pessoas com quem deseja acertar as contas. Nos textos, ela reflete sobre arrependimentos, alegrias, perdas e descobertas tardias de sua vida. As correspondências, então, formam um mosaico bastante delicado sobre questões como o envelhecimento, memória, luto e perdão.
Quem é Virginia Evans?
Nascida nos Estados Unidos em 1986, Virginia Evans é formada em literatura inglesa pela James Madison University. Ao longo dos anos, teve mais de sete manuscritos rejeitados por editores e agentes literários e chegou a trabalhar como barista, secretária de um cirurgião ortopédico e assistente de um advogado especializado em falências enquanto esperava por um “sim”. Em 2019, determinada a investir na carreira de escritora, ela e o marido se mudaram para Dublin, na Irlanda, com os dois filhos, onde Virginia cursou um mestrado em escrita criativa na Trinity College.
Durante o período de estudo, ela desenvolveu um livro que também foi rejeitado por editores. Em sua última tentativa – já de volta aos EUA –, prometeu que escreveria apenas mais uma obra e que, se esta não desse certo, mudaria de área para estudar Direito. Durante a pandemia, escrevia das 5h às 7h da manhã todos os dias, sobre uma escrivaninha montada dentro do próprio closet. Foi apenas em 2023 que A Correspondente lhe rendeu a notícia que tanto esperava: o exemplar havia finalmente sido aceito e seria publicado.
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