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Diretor de ‘Velozes e Furiosos 9’ garante: ‘Estamos prontos para o fim’

Em entrevista a VEJA, Justin Lin fala sobre o próximo filme da franquia, a pandemia e as cenas de ação: ‘Nossos dublês nunca trabalharam tanto’

Por Raquel Carneiro 14 abr 2021, 15h35

Diretor de cinco dos nove filmes da franquia Velozes e Furiosos, o cineasta Justin Lin se tornou um nome badalado em Hollywood, com mais de 2 bilhões de dólares em bilheteria arrecadados por longas que levam sua assinatura. Primoroso com cenas de ação, Lin, que nasceu em Taiwan e se mudou para os Estados Unidos aos 8 anos de idade, está cotado para conduzir ainda os dois próximos longas da saga, que encerrarão a longa e rentável jornada da franquia de carros supervelozes. A VEJA, ele fala sobre Velozes e Furiosos 9, previsto para chegar aos cinemas em 22 de julho. Lin garante que a produção será uma das mais elaboradas da série, lembra o cancelamento da estreia em maio do ano passado por causa da pandemia e destaca a chegada do novo personagem Jacob, vivido por John Cena, um dos pontos altos do trailer lançado nesta quarta-feira, 14. Confira:

Os filmes da franquia Velozes e Furiosos costumam deixar os espectadores embasbacados com as elaboradas cenas de ação. Como é dirigi-las e o que se pode esperar no próximo filme? Nosso trabalho é, a cada filme, ir um pouco além. Mas o truque é não fazer uma cena de ação só por fazer. Ela tem que fazer sentido dentro da história. Nossa ambição com esse nono filme é dar nova visibilidade aos personagens, trazendo novos conflitos e obstáculos emocionais. A partir dessa ideia, as cenas de ação chegaram com naturalidade e pudemos fazer coisas que nunca fizemos antes. Então, logisticamente, posso dizer que nosso time de dublês nunca trabalhou tanto na vida. Será o filme mais elaborado da franquia. Para fazer jus já que é o primeiro capítulo para o encerramento da saga.

O primeiro filme estreou em 2001, há 20 anos. Agora, vocês se preparam para o encerramento no 11º filme. Como tem sido essa despedida? Falamos sobre isso há muito tempo. Com o Vin (Diesel) tenho trocado ideias sobre o desfecho há dez anos. Então, chegou a hora, estamos prontos para o fim. Será difícil fazer os próximos filmes, mas esse frio na barriga é o que nos move desde o começo.

Um dos destaques do novo trailer é o personagem Jacob, vivido por John Cena, que será irmão do Toretto, interpretado por Vin Diesel. O que pode nos falar sobre ele? Os personagens da saga são como uma família, mas até então não tínhamos explorado de fato a família de sangue. Problemas entre irmãos são comuns e ficamos animados em olhar para esse lado de Toretto e ainda ter como apresentar algo novo aos fãs no nono filme. Falamos sobre a ideia de introduzir esse irmão, todo mundo gostou, mas quando fui dormir perdi o sono pensando: quem vai interpretar esse personagem perto da força do Vin Diesel? Começamos a pesquisa e me senti com sorte quando John apareceu. Em 30 segundos de conversa, percebi que era o cara para o papel. Ele trouxe novas camadas e texturas emocionais para o filme, e ainda injetou uma dose extra de energia.

Velozes e Furiosos 9 provavelmente será o grande lançamento de Hollywood nos cinemas desde o começo da pandemia. Quais são suas expectativas? Quando a pandemia começou, tivemos uma conversa séria com o estúdio e todos concordamos que não lançaríamos este filme em maio como previsto, isso até que o público pudesse ir com segurança aos cinemas novamente. Queremos que as pessoas assistam o filme tranquilamente, que possam rir e torcer pelos personagens juntas. Só o fato de que estou falando agora com você sobre esse lançamento já me dá esperanças de que isso se dará em breve.

O filme passou por alguma alteração por causa da Covid-19? Estávamos em pós-produção quando a pandemia começou, mas não, não gravamos nenhuma cena nova.

Outro detalhe emocionante do trailer é o retorno de Han, um personagem querido da franquia, vivido por Sung Kang. Essa volta coincide com um momento em que os Estados Unidos e Hollywood se posicionam contra o racismo direcionado a asiáticos. Como enxerga esse momento? É uma tristeza. Eu cresci nos Estados Unidos nos anos 80 e nunca achei que esse preconceito poderia ser pior do que o que eu vivi. Agora, porém, tive de sentar com meu filho de 11 anos e conversar com ele sobre isso, alertá-lo para ficar atento nas ruas e com as pessoas ao redor. Isso é terrível e inaceitável. Quando falamos de representatividade nos filmes estamos falando de oportunidade. Quando comecei em Hollywood era um período muito diferente, com muitas restrições, só o fato de poder falar agora sobre um personagem asiático popular em um grande filme americano é motivo de celebração, e também de melancolia, por causa do que temos vivido. Mas é maravilhoso, como um asiático, poder ouvir que não estamos sozinhos e que há um apoio de pessoas variadas e da indústria cinematográfica.

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