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Diretor de ‘Notting Hill’ lança comédia sobre roubo real de quadro de Goya

Baseado em caso de taxista excêntrico que furtou a obra da National Gallery de Londres nos anos 1960, longa estreou no Festival de Veneza nesta sexta-feira

Por Lucas Almeida, de Veneza - Atualizado em 5 set 2020, 14h14 - Publicado em 4 set 2020, 14h43

Roger Michell, o diretor que teve a carreira marcada por Um Lugar Chamado Notting Hill (1999), compareceu ao Festival Internacional de Cinema de Veneza nesta sexta-feira, 4, para lançar sua nova comédia.

The Duke retrata a história real de Kempton Bunton, taxista de 60 anos que roubou o retrato do Duque de Wellington, obra de Francisco Goya, em 1961. O homem passou a mandar cartas afirmando que devolveria o quadro, se o governo britânico investisse mais verba no cuidado de idosos.

“De certa forma, é a história de Robin Hood”, afirmou o cineasta durante uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira 4. “Ele era um homem da classe trabalhadora que se ergueu e falou contra os que estavam no poder”.

O protagonista, vivido pelo ator Jim Broadbent, dá o tom de comédia para o filme pelo jeito excêntrico. Kempton pulava entre empregos, sendo constantemente demitido, pela falta de atenção no trabalho. O britânico destinou grande parte do seu tempo a uma causa um tanto curiosa: o fim da taxa que até hoje é cobrada pelo governo inglês de todos so cidadãos que têm um aparelho de TV em casa.

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“É um tanto arriscado falar sobre Kempton, porque ele cometeu algo ilegal”, comentou Broadbent. “Ele é um protagonista incomum para sua idade e se tornou um personagem muito divertido de interpretar.”

A estreia do filme na 77° edição do Festival de Veneza acontece sem a presença de Helen Mirren. A atriz interpreta a esposa do protagonista, e é uma figura que tenta manter a ordem na casa mesmo com a bagunça provocada pelo marido. O elenco ainda conta ainda com o excelente Fionn Whitehead (Dunkirk e Black Mirror: Bandersnatch), como o filho do casal.

O caso do taxista marcou o primeiro (e único, até hoje) roubo da National Gallery de Londres. A ideia do longa surgiu da própria família de Kempton, que cedeu fotos, documentos e coleções de reportagens para a equipe de produção.

“Mesmo na Inglaterra, muitas pessoas não conhecem essa história. Mas essa celebração da identidade de indivíduos excêntricos faz parte da cultura britânica até hoje”, comentou o diretor Roger Michell.

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