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Depois de atrasos e polêmicas, Fórum Humboldt abre as portas na Alemanha

Complexo de museus consumiu mais de 680 milhões de euros, abriga peças saqueadas sob disputa e ainda enfrentou denúncias de abuso de funcionários

Por Amanda Capuano Atualizado em 21 jul 2021, 13h27 - Publicado em 21 jul 2021, 12h29

Depois de quase dois anos de atraso e muitas polêmicas, o Fórum Humboldt, em Berlim, abriu as portas para o público na terça-feira, 20. O novo complexo cultural, considerado o mais ambicioso do país, foi construído no local do antigo Palácio de Berlim, no centro de capital alemã, e consumiu mais de 680 milhões de euros para ser concluído. Segundo a publicação especializada The Art Newspaper, o local  pretende organizar cerca de 1 000 eventos por ano para até 3 milhões de visitantes, misturando ciência e cultura.

Com a inauguração, o complexo receberá público em seis exposições, espalhadas por dois andares. A principal delas, batizada de Terrible Beauty, apresenta a relação dos seres humanos com os elefantes e a exploração do marfim de suas presas, do uso artístico até a violência contra os animais. Uma importante exposição científica montada pela Universidade Humboldt também está em exibição, e explora o impacto das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade na sociedade e na democracia. Há ainda uma mostra voltada a crianças entre 3 e 10 anos, que brinca com a história de como o ato de se sentar varia em diferentes culturas.

Berlim
Crânio de um elefante em exposição do Forum de Humboldt Jens Kalaene/picture alliance/Getty Images

A ideia para o complexo surgiu nos primórdios de 2002, quando o Parlamento alemão aprovou a construção com inauguração inicialmente prevista para 2019. O nome é uma homenagem aos irmãos Alexander e Wilhelm von Humboldt, o primeiro um naturalista conhecido por expedições pela América Latina, Estados Unidos e Ásia Central, e o segundo, um importante linguista e fundador da primeira universidade de Berlim.

Ao longo do caminho, porém, a construção mostrou-se mais custosa do que o esperado, e uma série de problemas adiaram a abertura. O jornal Süddeutsche Zeitung chegou a noticiar uma lista de defeitos na construção, e a pandemia de coronavírus veio atrapalhar ainda mais a conclusão do projeto, que optou por fazer uma inauguração virtual em dezembro de 2020, disponibilizando tour online e acesso ao acervo no site.

  • Além dos problemas com a construção, o Fórum também recebeu críticas por seu conteúdo. Projetada pelo arquiteto italiano Franco Stella, a ala modernista do complexo abriga dois museus da Fundação Patrimônio Prussiano (Stiftung Preussischer Kulturbesitz), que tem em seu acervo obras saqueadas durante expedições na época colonialista e fruto de disputas de restituição – como os célebres Bronzes de Benin, sob promessa de serem devolvidos para a Nigéria. Isso, aliado à ideia de reconstruir a fachada ao estilo prussiano, e com ornamentação cristã, levantou críticas de que o projeto seria uma exaltação ao colonialismo.

    As polêmicas também se estenderam aos funcionários. Desde que as áreas externas foram abertas em dezembro, prestadores de serviço vieram a público denunciar abusos por parte da instituição, e muitos deles deixaram o museu. Segundo uma reportagem da revista Der Spiegel, diversos deles revelaram uma atmosfera marcada por humilhação intencional e vigilância constante, e quase trinta funcionários deixaram a instituição, parte deles demitidos, e os demais por iniciativa própria em função da pressão.

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