De ‘Pantanal’ a ‘Rei do Gado’: relembre as cinco melhores novelas de Benedito Ruy Barbosa
Dramaturgo morreu aos 95 anos, e marcou a televisão brasileira ao se debruçar sobre a vida rural e sagas familiares
Poucos autores ajudaram a moldar a identidade da telenovela brasileira como Benedito Ruy Barbosa, morto aos 95 anos, nesta terça-feira, 7. Em uma televisão historicamente marcada por tramas urbanas, ele fez do campo, das plantações, dos rios, das disputas por terra e das famílias de imigrantes o centro de histórias que atravessaram gerações. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, consolidou um estilo próprio: novelas em formato de saga, protagonizadas por personagens de forte senso moral, romances quase impossíveis e um olhar atento para a formação cultural do país. Confira, a seguir, as cinco melhores novelas do autor:
Pantanal
Lançada em 1990, a novela escrita para a extinta TV Manchete revolucionou a linguagem da televisão ao privilegiar paisagens naturais e gravações externas, e fez do autor um cronista na vida no campo. Protagonizada por personagens icônicos como Juma, José Leôncio e o Velho do Rio, a trama ganhou um remake em 2022, comandado por Bruno Luperi, neto de Benedito.
Renascer
Depois do sucesso de Pantanal, Benedito Ruy Barbosa retornou à Globo para criar Renascer. Ambientado na Bahia, em uma fazenda de produção de cacau, a trama que ganhou remake em 2024 eternizou não apenas personagens como José Inocêncio e Maria Santa, mas também figuras que se tornaram parte do folclore brasileiro, como o Cramulhão na garrafa e o famoso pé de jequitibá que “fechou o corpo” do protagonista. Marco definitivo da dramaturgia rural brasileira, o folhetim integra a lista dos maiores sucesso de audiência da Globo.
Rei do Gado
Ao longo da carreira, as sagas familiares tornaram-se a assinatura de Barbosa. Em vez de concentrar a narrativa apenas no presente, Benedito gostava de reconstruir a origem dos conflitos, acompanhando personagens ao longo de décadas e mostrando como escolhas individuais repercutiam nas gerações seguintes. Foi essa estrutura que transformou famílias como os Mezenga e os Berdinazi, de O Rei do Gado, em símbolos da televisão brasileira. A trama também fez história ao discutir a questão dos sem-terras na televisão.
Cabocla
Inspirada no romance homônimo de Ribeiro Couto (1898-1963), Cabocla foi exibida pela primeira vez na extinta TV Rio em 1959, e ganhou um primeiro remake em 1979 na Globo, com Gloria Pires e Fábio Jr. nos papéis principais. Coube a Benedito Ruy Barbosa fazer tanto a adaptação de 1979, quanto a de 2004, que teve Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira como os protagonistas. A partir da história de amor de Zuca, uma jovem interiorana simples do Espírito Santo, e Luís Jerônimo, moço rico e filho de um comerciante que cresceu na capital, o folhetim discutiu a disputa de poder de coronéis em zonas rurais do país.
Terra Nostra
Exibida entre 1999 e 2000, Terra Nostra é uma das novelas mais marcantes da dramaturgia brasileira. Protagonizada por Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda, a história acompanha a relação de Giuliana e Matteo, que se apaixonam perdidamente a bordo de um navio imigrante rumo ao solo brasileiro. Através dos personagens, Benedito mergulhou nas raízes da imigração italiana, tema profundamente ligado à sua própria infância, para narrar a formação de uma parte importante da sociedade brasileira.







