🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!

De ‘A Substância’ a ‘Insaciável’: pressão estética é o novo fantasma de filmes de terror

Filmes do filão body horror refletem sobre o horror que assola mulheres mundo afora

Por Kelly Miyashiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 ago 2026, 08h00
De ‘A Substância’ a ‘Insaciável’: pressão estética é o novo fantasma de filmes de terror Priorizar nos meus resultados Google

Estudante de medicina, Hana (Midori Francis) vive em uma luta constante contra a balança. Ao reencontrar uma antiga colega de escola, que está irreconhecível após uma perda de peso drástica, ela descobre um remédio milagroso para emagrecer. Há apenas um detalhe perturbador: ele é feito de cinzas humanas. Desesperada, a jovem, que está longe de ser obesa, começa a tomar o medicamento por conta própria. Mais tarde, usa o cadáver de uma mulher de forma clandestina para fabricar novas pílulas. O objetivo é conquistado rapidamente e, de quebra, ela chama a atenção de sua paquera fitness, uma professora de ginástica da academia que frequenta. Tudo vai bem, pelo menos até o dia em que o espírito da defunta violada passa a assombrá-la no filme Insaciável (Saccharine, Austrália/Estados Unidos/Finlândia, 2026), em cartaz nos cinemas.

DISTORCIDA - Demi Moore em A Substância: estrela de TV sofre com etarismo
DISTORCIDA - Demi Moore em A Substância: estrela de TV sofre com etarismo (MUBI/Imagem Filmes/.)

Integrante do subgênero do terror chamado de body horror, o horror corporal, o longa da diretora americana-australiana Natalie Erika James ilumina uma safra de obras que carregam mensagens avassaladoras (e cenas de arrepiar) sobre um terror comum imposto às mulheres ao redor do mundo: o da pressão estética que leva à busca por padrões inalcançáveis. Do divertido clássico A Morte Lhe Cai Bem (1992) ao provocativo A Substância (2024) — ambos sobre o esforço inútil para deter o envelhecimento —, passando pelo indie A Meia-Irmã Feia (2025), uma releitura sombria de Cinderela focada em uma das irmãs, que se submete a procedimentos extremos em busca da aparência que não tem, o tema ganhou força recentemente com cineastas mulheres obstinadas em retratar os dramas femininos de forma estarrecedora, mas sem deixar o entretenimento de lado.

PREÇO - A Meia-Irmã Feia: filme apresenta procedimentos antigos angustiantes
PREÇO - A Meia-Irmã Feia: filme apresenta procedimentos antigos angustiantes (Mares Filmes/.)
Continua após a publicidade

O fenômeno, curiosamente, vem da apropriação de um território bastante masculino do cinema. A começar pelo “pai” do body horror, o canadense David Cronenberg, que é citado por essa geração de diretoras como uma inspiração. Responsável por clássicos como A Mosca (1986), Cronenberg usa a deformação do corpo como recurso narrativo para falar de perda da identidade, perversões sexuais e engrenagens sociais. Duas expoentes da vertente feminista, as francesas Coralie Fargeat, de A Substância, e Julia Ducournau, primeira mulher a ganhar sozinha a Palma de Ouro, pelo filme Titane (2021), unem as ideias de Cronenberg ao Cinema Extremo Francês. O movimento do início dos anos 2000 abusava da violência gráfica e da sexualidade explícita — geralmente com mulheres como vítimas de crimes brutais. As diretoras, então, se apoderaram da estética extremista, mas inverteram a lógica: as protagonistas até passam por maus bocados, mas as histórias são narradas sob o ponto de vista delas — assim como suas reviravoltas surpreendentes. Em Titane, por exemplo, uma dançarina, que sofreu um grave acidente na infância e recebeu uma placa de titânio no crânio, desenvolve uma atração bizarra por carros — e engravida de um automóvel. “A maneira como somos julgadas pela aparência e quando nossos corpos sofrem mutações, com o envelhecimento e com a gravidez, isso é horror corporal. Ser mulher é o próprio horror corporal”, definiu Coralie.

ETERNIDADE - A Morte Lhe Cai Bem: clássico mostrou obsessão pela juventude
ETERNIDADE - A Morte Lhe Cai Bem: clássico mostrou obsessão pela juventude (./Universal Pictures)
Continua após a publicidade

A afirmação foi testada há mais de três décadas pelo absurdo A Morte Lhe Cai Bem — precursor cômico do filão, no qual Meryl Streep e Goldie Hawn disputam o mesmo homem, não exatamente por amor, mas porque ele é um excelente cirurgião plástico. Ao tomar uma poção que garante a juventude eterna, elas se tornam imortais e, consequentemente, se aproximam mais de um zumbi do que de uma beldade jovial. Já no intrigante filme Insaciável, o assunto é mais sério. Estão na mira do roteiro os distúrbios alimentares, o culto à magreza e a famigerada indústria farmacêutica a todo vapor, lucrando com remédios variados, especialmente com as canetas emagrecedoras, que migraram do tratamento do diabetes para o uso estético — entre 2021 e 2025, a venda de medicamentos para perda de peso no Brasil cresceu 78,3%. A busca desmedida por um determinado padrão de beleza rende lucros às farmacêuticas e boas histórias de terror no cinema.

Publicado em VEJA de 7 de agosto de 2026, edição nº 3007

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).