Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Datas: Joe Lara, Januário de Oliveira e Maurice Capovilla

O intérprete de Tarzan, o locutor esportivo e o cineasta

Por Da Redação Atualizado em 3 jun 2021, 14h25 - Publicado em 4 jun 2021, 06h00
ÚLTIMO GRITO - O ator: acidente de avião nos EUA -
ÚLTIMO GRITO - O ator: acidente de avião nos EUA – Moviestore/Shutterstock

Depois de Johnny Weissmuller (1904-1984), o campeão olímpico de natação que faria fama no cinema, parecia impossível levar às telas com dignidade e verossimilhança um outro Tarzan, o celebrado personagem do escritor Edgar Rice Burroughs. Mas o americano Joe Lara conseguiu o feito (o francês Christopher Lambert também tentou ir bem como o Rei da Selva, mas fracassou). Em 1989, Lara estrelou Tarzan em Nova York. Em seguida, fez sucesso nos Estados Unidos com a série de televisão Tarzan: the Epic Adventures, que não chegou a ser exibida no Brasil. Nada, evidentemente, que tenha mudado a recente história da dramaturgia, — mas a presença do ator nas telas foi sempre imponente, com 1,90 metro e olhos verdes faiscantes, frequentemente acompanhado da macaca Chita. Era celebrado pela beleza, “o mais bonito dos Tarzans”, como se acostumou dizer. Depois de abandonar o personagem, tentaria outros papéis e deflagraria uma tímida carreira como cantor de música country, sem brilho, quase no anonimato. Lara morreu em 31 de maio, aos 58 anos, em decorrência de um acidente aéreo. O avião, uma aeronave Cessna 501, que decolara em Smyrna, no estado de Delaware, caiu nas proximidades de Nashville, no Tennessee. O destino era Palm Beach, na Flórida. Na queda, morreram Lara, sua mulher, Gwen Shamblin, conhecida entre os americanos por defender o jejum religioso cristão para a dieta, e outras cinco pessoas.

A voz do futebol

BORDÕES - O locutor: “Sinistro, muito sinistro!” -
BORDÕES - O locutor: “Sinistro, muito sinistro!” – Carlos Costa/.

O locutor esportivo gaúcho radicado no Rio de Janeiro, Januário de Oliveira associava a dicção perfeita com o vozeirão inigualável e imensa criatividade em suas narrações pelo rádio e nas emissoras TVE e Band, do Rio de Janeiro. Nos anos 1980 e 1990, criou uma coleção de bordões que caíram no gosto popular: “Cruel, muito cruel”; “Sinistro, mas é muito sinistro!”; “Taí o que você queria” e, o mais celebrado de todos, “Tá lá um corpo estendido no chão”. Craque em inventar apelidos, batizou o centroavante Ézio, do Fluminense, de “Super Ézio”. Sávio, do Flamengo, virou “Sávio, o Anjo Loiro da Gávea”. Oliveira sofria de diabetes havia anos, vetor para sérios problemas de visão. Ele morreu aos 81 anos, em Natal, no Rio Grande do Norte, em decorrência de pneumonia.

O Brasil nas telas

**ATENÇÃO**NÃO REUTILIZAR ESTA IMAGEM, SUJEITO A COBRANÇA POR USO INDEVIDO**FOTO EXCLUSIVA PARA A UTILIZAÇÃO APENAS NA REVISTA VEJA**
REALIDADE – O diretor paulista: mestre do “cinema marginal” – Monica Imbuzeiro/Agência O Globo

Não havia problema social no Brasil dos anos 1960 e 1970 que tivesse escapado das lentes do diretor de cinema, roteirista e professor paulista Maurice Capovilla. Seus trabalhos formam um pacote chamado de “cinema marginal”. O mais conhecido, e inaugural, é Bebel, Garota-­Propaganda, de 1968, inspirado em livro de Ignácio Loyola Brandão. Trata de uma menina pobre contratada para a publicidade de uma marca de sabonetes. Capô, como era chamado, morreu em 29 de maio, em São Paulo, aos 85 anos, de causas não reveladas.

Publicado em VEJA de 9 de junho de 2021, edição nº 2741

Continua após a publicidade
Publicidade