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Datas: Jacques Rogge e Lee “Scratch” Perry

O dirigente olímpico e o músico

Por Da Redação Atualizado em 2 set 2021, 21h09 - Publicado em 3 set 2021, 06h00
O ANÚNCIO - Em 2009, em Copenhague, o então presidente do COI anuncia o Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016: vitória contra Madri e Chicago -
O ANÚNCIO - Em 2009, em Copenhague, o então presidente do COI anuncia o Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016: vitória contra Madri e Chicago – Franck Fife/AFP

Foi o então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o belga Jacques Rogge, quem anunciou o Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016. Houve surpresa naquela cerimônia de 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca — os favoritos eram Madri e Chicago. Cirurgião ortopédico especializado em medicina esportiva, Rogge competiu na classe Finn da vela em três Olimpíadas: 1968, 1972 e 1976. Foi eleito presidente do COI em 2001, em um dos períodos mais conturbados da entidade. Em 1998, no processo de definição da cidade onde ocorreria a Olimpíada de Inverno de 2002, descobriu-se que o filho de um dos membros do COI tinha a escola paga pelo comitê organizador de Salt Lake City, nos Estados Unidos, que seria agraciada. A denúncia culminou com a expulsão de dez membros da cúpula olímpica e uma mancha até hoje incômoda. Coube a Rogge estabelecer métodos de controle contra a corrupção, no que foi razoavelmente bem-sucedido.

Em uma outra linha de preocupação, e que ele próprio assumiu como missão, houve mais dificuldades: a briga contra o doping. Nos últimos anos de sua presidência, encerrada em 2013, já começavam a surgir relatos das contrafações promovidas pela Rússia e que culminariam, em 2016 e 2021, na exclusão do país da maior de todas as competições — embora, de modo hipócrita, tenha sido autorizada a participação de equipes com uma bandeira neutra e a alcunha de Comitê Olímpico Russo. Rogge tinha 79 anos. Morreu em 29 de agosto, de causas não reveladas pela família.

O Salvador Dalí da música

PIONEIRO - O produtor, compositor e cantor: o descobridor de Bob Marley -
PIONEIRO - O produtor, compositor e cantor: o descobridor de Bob Marley – @lee_scratch_perry/Instagram

Não haveria Bob Marley e o fenômeno global do reggae, a partir do fim dos anos 1970, sem o produtor, compositor e cantor jamaicano Lee “Scratch” Perry. Ele começou a carreira profissional como vendedor de discos em uma loja de Kingston. O dono do comércio abriu um estúdio de gravação — e Perry aproveitou para começar seus experimentos. Especializou-se numa técnica, o dub, de desconstrução de trilhas desconhecidas em formas diferentes da original, muitas vezes irreconhecíveis. No meio do caminho conheceu Marley, a quem ajudou a definir o som sincopado, suingado e viciante a partir de registros iniciais de Bob Marley & The Wailers, como Soul Rebel (1972) e Small Axe (1973). Sem nunca ter aprendido a ler ou escrever música, era pura intuição. “É o Salvador Dalí da música”, disse o rolling stone Keith Richards. “Ele é um mistério, o mundo é seu instrumento.” Perry trabalhou também em álbuns do The Clash, Beastie Boys e Paul McCartney. Morreu em 29 de agosto, aos 85 anos, de causas desconhecidas, em Lucea, na Jamaica.

Publicado em VEJA de 8 de setembro de 2021, edição nº 2754

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