Dark Horse: Ancine pode multar produtora de filme sobre Bolsonaro por irregularidade na produção
Agência de cinema autuou produção no final de julho
Órgão regulador do mercado audiovisual brasileiro, a Ancine autuou a produtora Go Up Entertainment por irregularidades na produção de Dark Horse, longa que dramatiza a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo documentos sigilosos divulgados pelo jornal O Globo, o órgão entrou com a ação contra a produtora no final de julho por “produzir no Brasil a obra cinematográfica estrangeira Dark Horse sem comunicar o fato à Ancine.”
De acordo com a legislação atual, filmes internacionais rodados no país precisam ser registrados e supervisionados pela agência — o que não teria acontecido com Dark Horse. Com isso, a produtora pode ter que pagar uma multa que varia de 2 mil a 100 mil reais, a depender do julgamento da Superintendência de Fiscalização. A multa, no entanto, não impede o lançamento nos cinemas.
Produção hollywoodiana
Filmado integralmente em inglês, o projeto tem direção de Cyrus Nowrasteh, e o roteiro, pelo que se sabe, tem assinatura de Mário Frias, deputado federal pelo PL-SP, ex-ator da Globo e ex-secretário Especial da Cultura durante o governo Jair Bolsonaro.
Bolsonaro é interpretado na produção pelo ator Jim Caviezel, que ficou conhecido mundialmente por filmes como “A Paixão de Cristo” e “O Conde de Monte Cristo”. A escalação aposta pesado no elenco internacional: Lynn Collins, conhecida por John Carter – Entre Dois Mundos, e Esai Morales, de Missão: Impossível – O Acerto Final, também estão no filme, além de Felipe Folgosi, que interpreta um policial federal.
As polêmicas de Dark Horse
A cinebiografia do ex-presidente causa polêmica desde seu anúncio, com investigações que apuram se houve desvios nos recursos da obra –a produtora é administrada pela mesma dona de uma contratada pela Prefeitura de São Paulo, que também recebeu emendas parlamentares.
Além disso, parte do financiamento do filme foi feita pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e há um inquérito em aberto que verifica se uma fatia desse dinheiro foi usada para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A relação afetou até mesmo a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que foi flagrado em áudios divulgados pelo portal The Intercept Brasil pedindo dinheiro para o dono do Banco Master para o pagamento das despesas do filme.
Pelo que é possível deduzir da conversa, o banqueiro teria se comprometido a repassar 24 milhões de dólares, o equivalente a 134 milhões de reais na época do contato, no final de 2025. Flávio confirmou que procurou Vorcaro para pedir financiamento, mas negou irregularidades. “No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, disse Flávio.
Em cima disso tudo, parlamentares da base governista pediram ao TSE para que o lançamento do filme fosse adiado, sob o argumento de que seria propaganda eleitoral antecipada –esse requerimento, no entanto, foi rejeitado pelo presidente da Corte, o ministro Nunes Marques.







