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Como o BookTok virou motor das adaptações literárias, segundo diretor do TikTok

De Off Campus a Véspera, livros que viralizam na plataforma passaram a influenciar não apenas leitores, mas também o mercado de cinema e streaming

Por Kelly Miyashiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 ago 2026, 12h56 | Atualizado em 26 ago 2026, 10h40
Como o BookTok virou motor das adaptações literárias, segundo diretor do TikTok Priorizar nos meus resultados Google

O BookTok deixou de ser apenas um espaço para recomendações de leitura e se transformou em uma espécie de radar do mercado audiovisual. No Brasil, mais de 1 milhão de vídeos sobre livros foram publicados no TikTok em 2026, enquanto conteúdos relacionados a obras literárias ultrapassaram 6 bilhões de visualizações apenas no primeiro semestre. O movimento criou uma via de mão dupla: livros impulsionados organicamente pelos leitores chegam ao radar de estúdios e plataformas, enquanto filmes e séries adaptados dessas obras reacendem o interesse pelos títulos originais.

O fenômeno pode ser medido pelo desempenho de Off Campus, série do Prime Video baseada nos romances de Elle Kennedy. A produção foi anunciada em outubro de 2024, começou a ser gravada em maio de 2025 e estreou em maio de 2026. Nos seis meses anteriores ao lançamento, as visualizações de vídeos sobre a obra cresceram 2.800% no Brasil, enquanto o número de publicações avançou 1.080%. As buscas relacionadas ao título subiram 3.000% no mesmo período. Depois da estreia, o efeito foi ainda mais evidente: as buscas pelo nome da obra aumentaram 14 vezes em maio na comparação com abril.

O mecanismo também aparece em franquias já consolidadas, como Bridgerton, da Netflix. Na estreia da quarta temporada, em janeiro de 2026, as buscas relacionadas à produção ficaram cinco vezes maiores do que em dezembro, enquanto as publicações cresceram 430%. Em fevereiro, as buscas avançaram mais 147% em relação ao mês anterior, acompanhadas por alta de 240% nas publicações. Até a pesquisa por “músicas Bridgerton” subiu 125% no período, mostrando como uma adaptação pode ampliar a conversa para além da própria história.

O poder de antecipação do BookTok também aparece em projetos que ainda não chegaram às telas. Quarta Asa, de Rebecca Yarros, ganhou novas informações sobre sua adaptação em maio de 2026, mês em que as buscas relacionadas ao livro cresceram 180% no Brasil em comparação com abril; as publicações avançaram 17% no mesmo intervalo. Já A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig, teve um salto de aproximadamente nove vezes nas buscas entre abril e maio, período marcado pelo anúncio de Florence Pugh no elenco. As visualizações de vídeos sobre a obra também cresceram 54%.

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O interesse não se limita a títulos específicos. No segundo trimestre de 2026, as buscas por “adaptações literárias” no TikTok brasileiro aumentaram 55% em relação aos três primeiros meses do ano. A expressão “adaptações literárias prime video” teve alta de 474%, enquanto “adaptações literárias para assistir” cresceu 57%. Para Eduardo Lorenzi, diretor-geral de Operações do TikTok para a América Latina, esse comportamento mostra que a plataforma funciona como um termômetro público das expectativas dos leitores. Segundo ele, embora decisões de elenco e roteiro continuem nas mãos dos estúdios, a reação espontânea da comunidade ajuda a revelar quais histórias já chegam às telas com uma base de fãs mobilizada.

O movimento também abre espaço para a literatura brasileira. Véspera, de Carla Madeira, está entre as obras nacionais que ganharão adaptação, enquanto iniciativas como o concurso “Livros do Futuro”, que recebeu mais de 2.500 inscrições, procuram aproximar autores e criadores do mercado editorial. O próprio TikTok afirma que a hashtag #BookTokBrasil já reúne mais de 3,5 milhões de publicações. A força desse ecossistema ajuda a explicar por que livros como A Empregada, de Freida McFadden, Verity, de Colleen Hoover, e Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid, permanecem no radar do audiovisual. O fenômeno, portanto, não é apenas uma consequência das adaptações: cada vez mais, começa muito antes delas.

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Confira a entrevista completa com Eduardo Lorenzi, diretor do TikTok: 

Antes, víamos o caminho tradicional: o livro fazia sucesso, virava filme e, opcionalmente, gerava conversas. Hoje, com o BookTok, o TikTok inverteu esse fluxo, agindo como termômetro antes da produção e amplificador depois dela. Como enxerga esse impacto cultural de “mão dupla”, onde o sucesso orgânico na plataforma dita o que os estúdios vão produzir? O BookTok se consolidou como um verdadeiro motor de descoberta e celebração de histórias, mudando completamente a dinâmica do mercado cultural ao transformar a leitura em uma experiência coletiva e viva. Essa relação acontece porque a plataforma funciona como um termômetro em tempo real: quando a comunidade abraça uma obra de forma espontânea, ela gera um impacto cultural, social e econômico global que os estúdios e editoras simplesmente abraçam. O TikTok é um o espaço em que os leitores atuam como cocriadores do sucesso de uma obra, ajudando a ditar o que o público realmente quer ver nas telas, tornando-se um ecossistema vivo onde o físico e o digital se alimentam constantemente. Vemos isso na prática quando fenômenos como Vermelho, Branco e Sangue Azul e Daisy Jones & The Six explodem organicamente no app antes de virarem grandes produções, ou no movimento inverso, quando o sucesso cinematográfico de Ainda Estou Aqui faz a comunidade correr para a plataforma para debater e estender a discussão.

 O fenômeno de Off Campus mostrou que, após a estreia nas telas em maio, as buscas pelo título cresceram 14 vezes em um único mês. De que forma o TikTok trabalha para manter essa audiência engajada a longo prazo, impedindo que o interesse pela obra seja apenas um “pico” momentâneo de estreia? O sucesso de Off Campus mostra que, no TikTok, o livro ganha uma sobrevida que reverbera direto nas telas e no mercado. O segredo para manter esse engajamento vivo está na criatividade e na alta qualidade do conteúdo produzido de forma constante por nossos criadores, editoras e livrarias. Após a estreia das produções, por exemplo, a comunidade naturalmente migra para novos formatos de conteúdo como listas temáticas, vídeos de teorias, interações humoradas ou até resgata a tradição dos clubes de livro. Transformamos o que seria apenas um “pico” momentâneo em um hábito contínuo de leitura e consumo cultural.

Os dados do segundo trimestre de 2026 mostram um crescimento explosivo de buscas associando o TikTok a players específicos, como o Prime Video (+474%). Como o TikTok tem estruturado parcerias comerciais e de conteúdo com essas grandes plataformas de streaming para transformar esse interesse de busca em audiência direta nas telas? Esse crescimento exponencial reflete uma sinergia muito clara: a comunidade do BookTok consome histórias em múltiplos formatos, e o streaming é uma extensão natural dessa paixão. Nesse sentido, temos relacionamento e parceria com todas as principais plataformas de streaming que atuam no Brasil, oferecendo soluções que ajudem a comunidade de criadores a descobrir e amplificar informações sobre diversas obras. Mais do que qualquer ação tradicional, o que move esse fluxo é o engajamento orgânico e espontâneo da comunidade, que debate estreias, faz análises e compartilha sua conexão emocional com as histórias. Para os mercados editorial e audiovisual, a plataforma oferece uma jornada completa onde comunidade, entretenimento e marcas se conectam.

Um simples anúncio de elenco, como o de Florence Pugh para A Biblioteca da Meia-Noite, é capaz de multiplicar as buscas de uma obra literária na plataforma. O TikTok orienta ou fornece insights de dados do BookTok para estúdios tomarem decisões de contratação de elenco ou direcionamento de roteiro? O mercado de entretenimento, de forma muito atenta, acompanha de perto o BookTok justamente porque a comunidade funciona como um grande termômetro público e em tempo real do sentimento do leitor. Embora as decisões de elenco e roteiro pertençam inteiramente aos estúdios, o comportamento espontâneo dos usuários na plataforma serve como um indicador valioso de identificação. Ao analisar quais livros estão gerando conversas orgânicas e como o público reage a determinadas tramas, os estúdios podem compreender, de forma natural, as reais expectativas da comunidade para que as adaptações encontrem uma base de fãs já aquecida e engajada.

Com mais de 1 milhão de vídeos sobre livros publicados no Brasil este ano, o BookTok brasileiro se consolida como um dos mais ativos do mundo. Há alguma particularidade cultural no comportamento do usuário brasileiro quando o assunto é transitar do livro físico para a tela da TV ou do cinema? A grande particularidade do público brasileiro está no senso de coletividade e na forma única como a comunidade se apropria das histórias. O brasileiro não guarda a experiência da leitura ou de assistir a um filme para si, ele transforma em conversas, tendências, análises e produções criativas que prolongam a vida dessas obras. Recomendações circulam rapidamente, transformando o que historicamente era uma atividade individual em um grande evento social e coletivo. Esse comportamento participativo explica a força gigantesca do nosso mercado. Hoje, o BookTok é uma das maiores comunidades globais da plataforma, mas o Brasil se destaca como um dos principais motores desse fenômeno com a hashtag #BookTokBrasil reunindo mais de 3,5 milhões de publicações e, só no primeiro semestre deste ano, vídeos relacionados a livros ultrapassaram a impressionante marca de 6 bilhões de visualizações no país. Quando uma obra migra do papel para as telas, esse público faz a transição de forma orgânica e apaixonada. O engajamento digital do leitor brasileiro tem a força única de movimentar, reaquecer e ditar os rumos do mercado cultural, seja lotando salas de cinema ou esgotando edições impressas nas livrarias.

Autores nacionais também estão ganhando espaço nesse movimento de adaptações, como Carla Madeira com Véspera. De que forma o TikTok planeja incentivar e impulsionar criadores de conteúdo e autores locais para que a literatura brasileira ganhe ainda mais força nas telas de cinema e streaming através do BookTok? O TikTok é uma plataforma de descobertas. E o BookTok também funciona como um catalisador de novos talentos que podem renovar o mercado literário e audiovisual brasileiro. Celebramos tanto o sucesso de autores consagrados quanto o surgimento de novas vozes descobertas na plataforma. Para ir além do ecossistema digital, criamos iniciativas concretas como o concurso “Livros do Futuro”. Esse projeto uniu o engajamento do TikTok ao mercado editorial tradicional, recebendo mais de 2.500 inscrições e premiando três autoras brasileiras com a publicação física de seus livros por grandes editoras e lançamento oficial na Bienal da Bahia de 2026. Ao darmos visibilidade e ferramentas de monetização para criadores e autores, consolidamos o BookTok como uma ponte real para que a riqueza da nossa literatura ganhe as telas, os streamings e as livrarias de todo o país. Temos orgulho em ser uma plataforma que, dentre tantas descobertas, ajuda a despertar e encorajar o hábito de leitura em brasileiros de todas as gerações.

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