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Como Margo Está em Apuros e Euphoria abordam o OnlyFans — mas escondem seu lado obscuro

Séries abordam o tema sem se aprofundar no lado obscuro da pornografia virtual

Por Kelly Miyashiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 06h00 | Atualizado em 17 abr 2026, 09h59
Como Margo Está em Apuros e Euphoria abordam o OnlyFans — mas escondem seu lado obscuro Priorizar nos meus resultados Google

Aspirante a escritora, Margô (Elle Fanning), aos 19 anos, engravida do professor casado. Ao optar por manter a gravidez sem o apoio dele, ela abandona a faculdade e se vira para sustentar a criança. A situação que já não era boa piora com os percalços de ser mãe solo: Margô é demitida do trabalho de garçonete, por não conseguir conciliar a maternidade e o expediente, e fica com um aluguel caríssimo quando as colegas de casa se mudam, incomodadas com o choro do bebê. A sequência de dramas é o ponto de partida de Margô Está em Apuros, série de humor ácido que acaba de chegar na Apple TV, com episódios semanais às quartas-feiras.

Desesperada e sem um tostão, ela vê uma saída teoricamente fácil no OnlyFans, plataforma de conteúdo adulto independente, na qual homens e mulheres vendem fotos e vídeos sensuais e topam desafios, por vezes inofensivos (algumas vezes, nem tanto). Inicialmente, Margô encara com inocência o novo trabalho: avaliar fotos de genitálias masculinas, comparando-as com Pokémons, enquanto vende alguns nudes por 20 dólares, não é assim tão difícil. Com o tempo, o trabalho alternativo se torna uma dor de cabeça, especialmente pelo julgamento moral vindo de amigos, familiares e até de seu próprio pai, que foi ausente em sua infância.

DILEMAS - Margô e sua mãe na série: maternidade solo e problemas financeiros
DILEMAS - Margô e sua mãe na série: maternidade solo e problemas financeiros (Carl Herse/Apple TV/.)

Baseada no livro de mesmo nome da autora Rufi Thorpe, que mergulhou no submundo do OnlyFans entrevistando diversas garotas que atuam no aplicativo, a série parte do trabalho de profissionais do sexo para falar sobre os desafios da maternidade e os sacrifícios que as mulheres, principalmente, fazem pelos filhos. Na trama, a mãe de Margô, Shyanne (Michelle Pfeiffer), também foi mãe solo e chegou a trabalhar no Hooters — restaurante cujas garçonetes usam uniformes minúsculos para atrair clientes. “Há muita culpa em não conseguir dar a um filho a vida que ele merece”, analisa Michelle Pfeiffer em entrevista a VEJA. “A Margô vê os sonhos sendo desperdiçados e acaba fazendo escolhas questionáveis.”

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O OnlyFans também é assunto dentro da nova temporada de Euphoria, da HBO Max: na trama, a superficial Cassie (Sydney Sweeney) adere ao site, matando dois coelhos com uma cajadada só: de um lado, ela busca bancar um casamento luxuoso; de outro, encontra ali um modo de expor sua vaidade desmedida. A exemplo do que ocorre em Margô Está em Apuros, a série Euphoria não se aprofunda muito no universo dos aplicativos de conteúdo adulto. Na ficção, até agora, pouco se explorou de forma crítica o impacto do OnlyFans na cultura pornográfica virtual e na saúde mental de seus influenciadores e usuários.

SUPERFICIAL - Sydney em Euphoria: conteúdo adulto para bancar casório
SUPERFICIAL – Sydney em Euphoria: conteúdo adulto para bancar casório (./Reprodução)
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A plataforma, que começou como um meio de postar conteúdo exclusivo e sensual, virou um negócio gigantesco: movimentou 7,2 bilhões de dólares em 2025. Nos últimos anos, dentro da lógica de que é preciso ir mais longe para atrair cliques, entrou no campo dos excessos típicos das redes sociais. No YouTube, um documentário perturbador expõe o lado obscuro da empresa. Intitulado I Slept With 100 Men in One Day (Dormi com 100 Homens em Um Dia, em português), o filme segue a inglesa Lily Phillips, de 24 anos, que cumpriu o desafio anunciado em seu perfil no OnlyFans. Ao fim, aparentemente feliz com o resultado, ela não consegue segurar as lágrimas. “Isso não é para garotas fracas. Eu não recomendo”, diz ela, que faturou em torno de 400 000 dólares com a maratona ao aumentar sua base de assinantes no site. Na nova série da Apple TV, a protagonista Margô, sob a pressão de elevar o rendimento, passa a postar nudes com figurinos mais elaborados e faz parceria com mulheres populares na plataforma, sem refletir sobre como perde um pouco de si e de seus sonhos no processo. Na era do OnlyFans, toda nudez será postada, custe o que custar.

Publicado em VEJA de 17 de abril de 2026, edição nº 2991

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