Como ‘Da Magia à Sedução’ foi de fracasso a filme cult – com direito a sequência
Com Sandra Bullock e Nicole Kidman, a continuação é a mais nova aposta dos chamados clássicos tardios
Em 1998, Sandra Bullock e Nicole Kidman enfrentaram com pesar o escrutínio da crítica e o resultado pífio em bilheteria do filme Da Magia à Sedução, no qual interpretam bruxas e irmãs modernas. “Foi uma experiência horrível, a recepção foi brutal”, revelou Sandra anos mais tarde. Logo, a ideia de uma sequência pareceu por muito tempo uma estupidez — até, enfim, não ser mais. Após 28 anos, chega aos cinemas a continuação Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (Practical Magic 2, Estados Unidos, 2026), já em cartaz. A aposta, desta vez, é calculada.
Sob o teste do tempo, o filme é hoje tratado como um clássico cult. Exibições na TV, venda de DVDs, reproduções no streaming e, mais recentemente, cortes para as redes sociais deram uma segunda vida à produção, que ainda se beneficiou de espectadores mais abertos a tramas envolvendo magia e sororidade. O fenômeno tem nome em Hollywood: são as chamadas legacy sequels, ou “sequências de legado”, em português. Elas recuperam personagens, atores e universos depois de intervalos de décadas, apoiadas pela força da nostalgia, enquanto tentam abocanhar uma nova geração na plateia.
O substrato tem exemplares em vários gêneros. Tom Cruise voltou aos aviões de Top Gun (1986) na sequência tardia Top Gun: Maverick (2022); o cineasta Tim Burton se rendeu aos pedidos dos fãs para continuar a história de Os Fantasmas se Divertem (1988) — após 36 anos, fez Os Fantasmas Ainda se Divertem (2024); até O Diabo Veste Prada (2006) ressuscitou a chefona má de Meryl Streep em um segundo filme, lançado neste ano. Em comum, todos foram um estrondo em bilheteria — experiência que deve se repetir com este Da Magia à Sedução.
Baseado nos romances de Alice Hoffman, a trama segue uma família de bruxas que carrega uma maldição ancestral: os homens que se apaixonam pelas mulheres do clã — e que são correspondidos — estão condenados a morrer. Sally, vivida por Sandra, tenta renegar a magia por uma rotina convencional; enquanto Gillian, papel de Nicole, se joga em romances curtos e erráticos, já que não vê escapatória à maldição. O dilema se repete no novo roteiro quando as filhas de Sally, vividas por Joey King e Maisie Williams, descobrem os segredos da família — e a maldição que também as assola. Enquanto o primeiro filme misturava comédia romântica, fantasia, drama e até terror, o segundo explora melhor os dotes cômicos da dupla protagonista e a importância das relações femininas, para além do amor romântico que pode, ou não, acontecer. Um olhar encantador sobre a vida.
Publicado em VEJA de 11 de setembro de 2026, edição nº 3012





