Com novo spin-off, ‘The Big Bang Theory’ desafia a ‘maldição’ das séries de comédia
Novidade na HBO Max, a série 'Stuart Não Consegue Salvar o Universo' atesta o apelo incansável da trama sobre nerds atrapalhados, mas adoráveis
A vida de Stuart Bloom (Kevin Sussman) nunca foi fácil. Dono de uma loja de quadrinhos que passou anos à beira da falência, ele ganhou a simpatia do público ao empilhar fracassos amorosos e financeiros que o consolidaram como o grande azarão de The Big Bang Theory, sitcom de popularidade estelar, exibida entre 2007 e 2019. Depois de anos de perrengues, as coisas, enfim, se ajeitaram para o coadjuvante: ao fim da comédia cabeçuda, que mesclava conceitos da física com cultura pop, Stuart conseguiu sucesso nos negócios e juntou as escovas de dentes com a namorada, Denise (Lauren Lapkus). Agora, sete anos depois, esse final feliz é posto em xeque na criativa Stuart Não Consegue Salvar o Universo, série derivada de The Big Bang que acaba de estrear na HBO Max, com um total de dez episódios lançados semanalmente às quintas-feiras.
Esse é o terceiro filhote da produção criada por Chuck Lorre e Bill Prady, na qual um grupo de amigos nerds e com pouquíssimas habilidades sociais, encabeçado pelo hilário físico Sheldon Cooper (Jim Parsons) e seu amigo introvertido Leonard (Johnny Galecki), desabrocha na vida pessoal e profissional graças à chegada da vizinha bonitona Penny, vivida com gosto por Kaley Cuoco. Foram doze anos no ar, que fizeram da atração a sitcom mais longeva da TV americana — e uma das mais rentáveis, com 1 bilhão de dólares em receitas para a Warner Bros.: trinta segundos do intervalo comercial da série chegou a custar 285 000 dólares. Por anos, The Big Bang Theory liderou a audiência na TV e, hoje no streaming, ainda surpreende: são mais de 30 bilhões de minutos vistos por ano nos Estados Unidos e, frequentemente, ela supera lançamentos inéditos nas paradas de audiência. “É um universo que gira em torno de pessoas que fogem do padrão. Apesar de possuírem uma mente científica sofisticada, elas são incompetentes no mundo real e, com exceção de Sheldon, querem se encaixar”, explicou Lorre na coletiva de lançamento do novo spin-off, dissecando o magnetismo da franquia.
O apelo óbvio do material original não necessariamente garantiria bons resultados paralelos. Outras sitcoms, como Friends e How I Met Your Mother, por exemplo, escorregaram ao tentar reproduzir a fórmula nas decepcionantes Joey e How I Met Your Father, respectivamente. Ao contrário das concorrentes, que apostaram na nostalgia e na repetição de fórmulas, o macrocosmo de The Big Bang vem gerando descendentes bem-sucedidos por priorizar histórias inesperadas, com identidade própria e arcos que carregam seu DNA embrionário, mas cativam de maneira independente. Assim, a encantadora Jovem Sheldon triunfou — e ainda gerou outra série derivada, Georgie e Mandy — Seu Primeiro Casamento, já renovada para a terceira temporada.
Em Jovem Sheldon, que ficou no ar por sete temporadas — entre 2017 e 2024 —, a infância do físico excêntrico é retratada com um humor mais melodramático e familiar do que em sua fase adulta, abrindo mão do jogo com o riso da plateia, característico do formato. Em seguida, a série com o irmão mais velho de Sheldon, Georgie, surgiu como uma sequência natural. “São personagens interessantes e as pessoas querem descobrir mais sobre eles”, afirmou Prady.
A franquia, agora, dá um novo e ambicioso passo ao abraçar a ficção científica, aproveitando a predileção dos fãs pelos conceitos mais cabeçudos da física. Ambientada logo após o desfecho da série original, Stuart Não Consegue Salvar o Universo começa com uma das trapalhadas do protagonista, que quebra uma máquina misteriosa feita por Sheldon e Leonard. O acidente gera um apocalipse e, para consertar o mundo, ele usa a engenhoca para pular entre universos paralelos, com a ajuda da amada Denise e de dois outros personagens secundários de The Big Bang, o físico sem noção Barry Kripke (John Ross Bowie) e o geólogo abobalhado Bert Kibbler (Brian Posehn). A ideia surgiu quando The Big Bang entrava na reta final. “Sempre quis trabalhar com um gênero mais grandioso, com computação gráfica e todas as possibilidades que existem hoje”, explicou Lorre. Abrir mão da comédia, contudo, nunca foi uma opção. “Não há efeito especial capaz de tornar engraçado algo que não é”, completou. Sendo o novo spin-off ambientado na mesma linha temporal do original, há expectativas para ver participações especiais de outros personagens em cena — até o momento, espera-se a presença de Kunal Nayyar, o Raj, e Wil Wheaton. A expansão do universo não tem limites.
Publicado em VEJA de 24 de julho de 2026, edição nº 3005







