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Claudia Alencar fala sobre aborto que fez aos 17: ‘Nunca me arrependi’

Atriz afirma que passou pelo procedimento sem anestesia: 'Lembro a dor até hoje'

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 24 ago 2018, 09h45 - Publicado em 23 ago 2018, 20h28

A atriz Claudia Alencar, 68 anos, fala sobre o aborto que fez quando tinha 17 anos em entrevista ao programa Sensacional, da RedeTV!, que irá ao ar nesta quinta-feira. “Eu fiz o aborto sem anestesia. Ele colocou um ferro dentro de mim, que eu me lembro a dor até hoje”, relembrou a atriz.

Claudia ainda conta que, logo em seguida, tirou férias com seus pais no Guarujá, com a “boca fechada” e sem poder falar sobre o que tinha acontecido com ninguém. “Nunca me arrependi porque eu sei que eu não seria a mãe que eu fui porque não tinha maturidade. Eu não teria dinheiro, não teria a possibilidade de criar e dar para ele o melhor”, explicou a atriz, que tem dois filhos.

“Fiz todas as precauções para não ter filhos e tive. Eu não poderia, meus pais eram professores, meu pai era filósofo, não tínhamos dinheiro, então eu sei da dor das mulheres em fazerem um aborto. Eu sei da dor e sei que nenhuma mulher é monstro”, disse.

  • “Nós tínhamos muito medo de ter filho”, continuou. “A gente só namorava, transava, ficava junto, fazia amor, sem penetração. Quando a gente viu que eu estava grávida, a gente (falou): ‘Como? Tudo o que a gente menos queria era isso’. A gente tinha muito cuidado. Isso não é raro, isso não se fala.”

    “Todas as mulheres querem ter filhos, mas elas não podem. E se elas não podem, que o Brasil legalize o aborto como os Estados Unidos, para que nós possamos ter os filhos nas melhores condições e dar a eles o nosso melhor, nosso maior amor”, afirmou. “A mulher está desprotegida, completamente desprotegida. Nós mulheres somos vilipendiadas por essa sociedade machista, nós mulheres somos realmente donas do nosso corpo, porque todo mundo é dono do seu corpo.”

    Essa não é a primeira vez que Claudia falou sobre o procedimento. A atriz já tinha dado um depoimento para uma edição de VEJA publicada em setembro de 1997.

    A voz delas - Capa de VEJA de setembro de 1997 trazia o depoimento de dezenas de mulheres que fizeram aborto: quebrando um muro de silêncio //VEJA
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