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Cinemas americanos amargam queda em bilheteria e voltam a fechar as portas

Entre Canadá e Estados Unidos, América do Norte perdeu 706 salas nos últimos dias e enfrenta o pior fim de semana em arrecadação desde agosto

Por Amanda Capuano 23 nov 2020, 18h17

O aumento no número de casos de coronavírus é uma realidade nos Estados Unidos, e o mercado cinematográfico voltou a sentir de maneira dramática os impactos da pandemia. Segundo a Comscore, 646 cinemas americanos fecharam as portas na última semana – 706 se somados com os do Canadá. Entre 20 e 22 de novembro, a arrecadação em bilheteria da América do Norte ficou abaixo dos US$ 5 milhões, a pior para um final de semana desde que iniciou uma recuperação com a estreia de Fúria Incontrolável, no fim de agosto, e Tenet, no início de setembro.

A comédia trash Freaky – No Corpo de um Assassino liderou o final de semana com 1,2 milhão de dólares, uma das piores bilheterias registradas por um filme no topo do ranking em toda a história. Em relação a semana anterior, o longa teve uma queda de 66% em arrecadação, e foi o único, entre todos em cartaz, a alcançar a casa do milhão. Segundo relatório da Comscore, 2,154 salas receberam público no último final de semana, número que corresponde à cerca de 40% dos cinemas americanos.

Embora a situação tenha avançado nos últimos meses, ela não deixou de ser delicada: em Los Angeles e Nova York, os dois maiores mercados do país, os cinemas sequer voltaram à ativa desde março e grandes estreias foram postergadas, impedindo uma recuperação mais efetiva. Com marcas diárias acima dos 100 mil infectados, os estados retomaram medidas mais rígidas de segurança, e a situação tende a piorar mesmo sem um lockdown declarado. Isso porque, com as limitações de horário e ocupação, muitas empresas não são capazes de manter os custos de abertura, tornando o funcionamento financeiramente inviável – no último mês, por exemplo, a Cineworld  anunciou o fechamento de 400 salas por tempo indeterminado.

A queda acentuada na bilheteria neste fim de ano coloca ainda mais expectativas sobre 2021: com o adiamento de dezenas de produções para o próximo ano, espera-se que haja um acúmulo de grandes lançamentos e, consequentemente, uma volta em peso de altas bilheterias, em especial com filmes aguardados como 007: Sem Tempo Para Morrer, Viúva Negra, Velozes e Furiosos 9, entre outros inicialmente agendados para 2020 – isso, é claro, considerando a existência de uma vacina eficiente que controle de vez a pandemia. “Dado o número limitado de cinemas abertos, a temporada de fim de ano será uma ponte ente entre um momento extremamente desafiador e o que parece ser uma série espetacular de blockbusters em 2021”, projetou Paul Dergarabedian, representante da Comscore, ao The Hollywood Reporter.

No Brasil, embora o número de casos e a lotação dos hospitais também esteja em ascensão, o público dos cinemas têm aumentado gradualmente. Segundo o último relatório da Comscore, 264,02 mil pessoas compareceram aos estabelecimentos neste final de semana — uma alta de 38% em relação ao anterior, que registrou 191,3 mil pessoas. Entre 19 e 21 de novembro, 4,49 milhões de reais em ingressos foram vendidos em território nacional, um número ainda bem abaixo do habitual. Assim, cinemas menores, com exibições fora do circuito de blockbusters, seguem com a sobrevivência ameaçada – a exemplo disso, André Sturm, diretor do Petra Belas Artes, em São Paulo, escreveu nas redes sociais que a instituição provavelmente voltará a fechar as portas em dezembro, por falta de público. “Infelizmente, os cinemas ficaram fechados dois meses a mais do que os outros locais da cidade. Isso causou a impressão de que são um local mais perigosos”, escreveu ele.

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