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Cheio de clichês, ‘Ponto Sem Retorno’ é um dos piores filmes do ano

Trama dirigida por Ridley Scott é tediosa, carece de originalidade e sequer aproveita seu elenco estrelado

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 ago 2026, 14h40 | Atualizado em 27 ago 2026, 15h03
Cheio de clichês, ‘Ponto Sem Retorno’ é um dos piores filmes do ano Priorizar nos meus resultados Google

Mais uma vez, a Terra foi desolada por um vírus misterioso que dizimou boa parte da população e alterou o comportamento de todos os sobreviventes — mas este não é um capítulo da sofisticada saga Extermínio, de Danny Boyle, nem um episódio comovente de The Last of Us. Trata-se de Ponto Sem Retorno (The Dog Stars, Estados Unidos, 2026), estreia desta quinta-feira, 27, na qual o veterano Ridley Scott, outrora criador de tendências, tenta correr atrás do zeitgeist — sem sucesso.

Na trama, Jacob Elordi é o mecânico Hig, que vive em uma fazenda isolada ao lado do temperamental Bangley (Josh Brolin). A rotina é sempre a mesma: o galã se levanta, entra em seu monomotor junto do cachorro Jasper, sobrevoa a região em busca de saqueadores, junta recursos e volta ao lar antes do pôr do Sol. Certo dia, o rapaz capta um sinal de rádio no ar e decide dar uma segunda chance à vida: joga tudo aos ares e sai em busca de outras sociedades que resistem à selvageria. O roteiro, no entanto, jamais se desprende dos clichês, não chega perto de novos ares e muito menos justifica o farto orçamento que exigiu, estimado em 110 milhões de dólares.

Os cacoetes batidos estão na postura soturna de Hig; no luto superficial que sente por uma esposa morta e idealizada; nas paisagens inóspitas em planos abertos e na construção incompetente dos algozes, apelidados de “ceifadores”. Tal massa amorfa não é composta por zumbis, e sim por humanos ensandecidos, adeptos da maquiagem corporal e de adereços vagamente punk.

O suspense não se parece com um eco da pandemia de Covid-19, nem convence enquanto estudo de personagem. Despido de imagens marcantes, ele sequer exprime desejo de invenção. Recentemente, Scott afirmou não temer a inteligência artificial, pois sente-se capaz de competir com ela de igual para igual. Ponto Sem Retorno, contudo, não parece interessado em excedê-la.

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Subjugado à escrita rasa, o elenco é incapaz de brilhar. Em seu primeiro papel protagonista com cacife hollywoodiano, Elordi demonstra pouquíssima presença de tela e quase nenhuma química com Margaret Qualley, intérprete do par romântico que surge no enredo tardiamente. Enquanto isso, Josh Brolin vive uma caricatura de si mesmo e Guy Pearce é soterrado pela caracterização. Dentre eles, apenas a vencedora do Oscar Alison Janney tem direito aos excessos cênicos, mas sua breve participação é inconsequente e carece de coesão tonal.

Incansável aos 88 anos, Scott ainda planeja dirigir um faroeste, um musical e mais um capítulo da saga Alien. Tomara que esta aparente predileção sua por água de chuchu não seja, de fato, um ponto sem retorno.

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