CazéTV tem prova de fogo pela frente na Copa do Mundo
Canal terá que driblar novo desafio na transmissão do torneio
Detentora dos direitos de exibição de todos os jogos da Copa do Mundo de 2026, a CazéTV enfrentará uma prova de fogo nas últimas semanas do torneiro: sem o Brasil na disputa, conseguirá o canal digital seguir batendo de frente com a televisão?
Até aqui, os melhores números de audiência do canal no YouTube foram, justamente, as partidas da seleção brasileira, que bateram recorde atrás de recorde mesmo exibidas também na Globo e SBT. As partidas transmitidas exclusivamente no canal tiveram desempenho satisfatório, mas não o suficiente para superar o interesse movido pela seleção canarinho.
Com a exceção do Brasil, o escrete que mais atraiu público para o canal foi a Argentina de Lionel Messi, que vai enfrentar o Egito nas oitavas de final nesta terça-feira, 7, às 13h. Portugal também aparece no ranking das mais badaladas, impulsionada pela presença de Cristiano Ronaldo — os lusos enfrentam a Espanha nesta segunda-feira, 6, com transmissão dividida entre o YouTube e a tv aberta e fechada.
Na reta final do torneio, a CazéTV seguirá com a exclusividade de metade dos jogos, o que pode ajudá-la a driblar a perda do público que assiste apenas aos jogos do Brasil — especialmente em fases mais avançadas, como na semifinal, em que o interesse pela competição tende a aumentar. Sem a seleção em campo, no entanto, a tendência é que Globo e SBT tenham mais espaço para escolher jogos de maior apelo, dividindo a audiência de confrontos importantes. Se conseguir seguir em alta, o canal da live mode sairá ainda mais fortalecido da competição.
Como é feita a divisão dos jogos entre Globo, CazéTV e SBT?
Antes de cada rodada, os detentores dos direitos se reúnem para escolher quais jogos serão exibidos em cada canal. Com o pacote completo, a CazéTV exibe todos os jogos, mas também dita quais deles vão ser exclusivos — na prática, vetando a exibição na concorrência. A escolha acontece de maneira alternada, o que acabou fazendo com que a Globo ficasse sem alguns jogos importantes, como as estreias da Argentina e da Alemanha na fase de grupos, ou o confronto entre Holanda e Marrocos na primeira fase do mata-mata.
Na prática, o que acontece é o seguinte: a Globo escolhe um jogo para exibir em seus canais e, na sequência, a CazéTV seleciona uma partida para passar de maneira exclusiva no YouTube. O processo se repete até que todos os confrontos tenham sido acomodados, e o SBT seleciona uma das partidas exibidas pela Globo para transmitir também em seu canal, junto com a N Sports. A ordem da escolha também é alternada: quem começa selecionando em uma rodada, perde a prioridade na seguinte, e assim por diante.
Nos 16 avos, por exemplo, a Globo exibiu oito partidas. Com o avanço do torneio, as escolhas vão se afunilando cada vez mais: nas oitavas, o canal da família Marinho transmite quatro jogos. Nas quartas, dois. E na semifinal, apenas um. A grande final fica de fora desse toma lá da cá, e será transmitida por todos os canais.
Por que a Globo abriu mão de metade da Copa do Mundo?
Em 2021, a emissora da família Marinho renegociou o contrato que tinha com a Fifa, no valor de 90 milhões de dólares anuais pelos direitos de transmissão, e passou a pagar 40 milhões por ano. Afetada pela pandemia, visando cortar custos — e sem dar à internet seu devido valor —, abriu mão da exclusividade da Copa de 2022 e do torneio seguinte no mundo virtual e, mais tarde, optou por comprar apenas metade dos jogos do torneio de 2026.
São várias as teorias para a decisão da Globo. Nos bastidores, a justificativa mais aceita é que, quando renegociou seu contrato com a Fifa, a emissora julgou que, com o aumento de 64 para 104 jogos em 2026, exibir todos eles afetaria demais sua grade e não compensaria o custo elevado. “O grande desafio é combinar a escalada dos custos de direitos e a estratégia para capturar a atenção do torcedor, que está fragmentada”, disse Manuel Belmar, CFO da Globo, em reportagem de VEJA. Hoje, a visão é de que o negócio subestimou a concorrência e se revelou um erro estratégico que deu de bandeja à Cazé o mote de ser “a única a ter todos os jogos da Copa”.
A disputa pela audiência da Copa
A transmissão da Copa do Mundo nunca antes foi tão fragmentada: as partidas se dividem na televisão aberta entre Globo e SBT, com a Cazé TV exibindo os jogos no YouTube. Nas partidas do Brasil, os três tem direito de transmissão, assim como Sportv e N Sports, que exibem o torneio na tv por assinatura.
Nessa disputa, a CazéTV saiu do posto de zebra para o de artilheira ao ser a única com os direitos de exibição de todas as 104 partidas do torneio: a Globo adquiriu apenas 55 partidas, e 32 delas são divididas com o SBT, que desembolsou 25 milhões de reais pelos direitos. Em meio à competição, os canais tem se alfinetado ao vivo: Globo e SBT cutucam o delay do canal digital alardeando que a tv aberta grita gol antes, enquanto a CazéTV exalta o fato de ser a única a exibir todos os jogos do torneio.
Quando o assunto é alcance, a TV aberta segue na liderança: na fase de grupos da competição, ao menos 88% do público passou pelas transmissões de Globo e SBT. Com a TV aberta, o SporTV e a plataforma on-line GE TV, o grupo Globo aparece em uma posição dominante, com 28% acompanhando as partidas de maneira exclusiva pelos canais da empresa. A posição, no entanto, já não é tão confortável quanto no passado, já que agora divide espaço e perde parte da audiência para o SBT e a CazéTV, que vem conquistando cada vez mais público no meio digital.
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