Caso real da minissérie ‘O Atentado ao Voo Pan Am 103’ pode ter reviravolta importante
Série que dramatiza o ataque terrorista que matou 270 pessoas em 1988 está entre as mais vistas da netflix
Em 21 de dezembro de 1988, o voo 103 da Pan Am explodiu sobre a pequena cidade de Lockerbie, no sudoeste da Escócia, matando 270 pessoas — 243 passageiros, 16 tripulantes e 11 pessoas em solo. O que se seguiu foi a maior investigação de homicídio da história da polícia escocesa, com investigadores em busca de justiça para as centenas de vítimas provenientes de 21 países. Em alta na Netflix, a minissérie O Atentado ao Voo Pan 103 narra a história de maneira dramatizada, baseando-se em depoimentos de pessoas que vivenciaram a tragédia e o processo de investigação.
A dimensão da destruição foi impressionante. A explosão a 9. 144 metros de altitude espalhou destroços por uma área de 2. 184 quilômetros quadrados, com mais de 5. 000 pessoas vasculhando a região em busca de pistas e recuperando 319 toneladas de destroços. 253 corpos de 21 nacionalidades, a maioria de norte-americanos, foram recuperados, enquanto os restos mortais de 17 vítimas nunca foram encontrados. “Foi a maior cena de crime que o mundo já vira até aquele momento, e isso acabou se tornando uma metáfora para a enorme quantidade de informações que precisavam ser reunidas”, contou o roteirista Jonathan Lee ao Tudum, da Netflix.
A colaboração entre equipes de investigação de diferentes países foi fundamental para o progresso do caso, e levou 12 anos para levar os culpados à justiça. Para isso, milhares de fragmentos minúsculos de evidências foram coletados e analisados minuciosamente pela polícia escocesa e investigadores. “Um pedaço de placa de circuito do tamanho da ponta do meu dedo foi o que acabou desvendando o caso, conta o roteirista, atestando que, se a bomba tivesse explodido no momento previsto, todas as provas teriam caído no Oceano Atlântico, e teriam se perdido para sempre. Agora, o caso está prestes a levar mais uma pessoa para o banco dos réus.
Julgamento de suposto fabricante da bomba começa este mês
Quase quatro décadas depois, a investigação sobre o atentado terrorista mais letal do Reino Unido condenou apenas uma pessoa e permanece em andamento. Em 2012, o ex-agente de inteligência líbio Abu Agila Mohammad Mas’ud Kheir Al-Marimi teria confessado ser o fabricante da bomba que derrubou o avião da Pan Am. Posteriormente, alegou ter feito a confissão sob coação, afirmando ter sido ameaçado, agredido e forçado a mentir sobre a construção da bomba. O líbio foi preso em 2022 e aguarda o julgamento em Washington, D. C. , alegando inocência. O caso vai ao tribunal nas próximas semanas, a partir do dia 24 de agosto.
Com 190 vítimas norte-americanas, e indo de Londres a Nova York, a motivação do atentado ao voo 103 da Pan Am teria sido uma vingança política e retaliação militar do governo da Líbia contra os Estados Unidos, que impôs sanções e uma série de conflitos ao país na década de 1980. Em 1986, aviões americanos bombardearam as cidades líbias de Trípoli e Bengasi, matando dezenas de pessoas. O ataque foi uma resposta a um atentado anterior em uma discoteca de Berlim atribuído à Líbia.
Só em 2003, no entanto, o governo do líder líbio Muammar Kadafi assumiu formalmente a responsabilidade estatal pelo ataque e pagou indenizações às famílias das vítimas. Ele, no entanto, evitou admitir que tenha ordenado pessoalmente o planejamento e execução do ataque ao voo da Pan Am.
Quem foi condenado pelo atentado terrorista do voo Pan Am 103?
Ao analisar os destroços e reconstruir grande parte da aeronave, os investigadores determinaram que a bomba estava escondida dentro de um gravador de fita-cassete em uma mala Samsonite. As evidências mostraram que a mala foi embarcada em um voo de Malta para Frankfurt, onde foi transferida para a Pan Am e embarcada no voo 103 em Heathrow. Posteriormente, um fragmento do temporizador da bomba foi encontrado em um pedaço de camisa de um fabricante na Suíça e a uma loja em Malta — e levou as autoridades até dois agentes de inteligência da Líbia.
Em novembro de 1991, Abdelbaset al-Megrahi e Lamin Fhimah foram identificados como os autores do atentado e indiciados pelos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido. Os dois, no entanto, só foram extraditados em abril de 1999, quando o líder da Líbia Muammar Kadafi os entregou à ONU após um acordo para que o julgamento fosse realizado em uma antiga base militar americana na Holanda.
Durante o julgamento, realizado sob a lei escocesa em 2000, o comerciante maltês Tony Gauci testemunhou que al-Megrahi comprou as roupas encontradas na mala que continha a bomba. Os promotores também descobriram que ele usou um passaporte falso emitido pela Líbia para viajar a Malta. Em janeiro de 2001, ele foi condenado por 270 homicídios e sentenciado à prisão perpétua, enquanto Fhimah foi absolvido por falta de provas. Em 2009, após oito anos atrás das grades, al-Megrahi recebeu liberdade condicional após ser diagnosticado com câncer de próstata em estágio terminal. Ele faleceu três anos depois, em 2012, na Líbia.
Confira o trailer da série da Netflix:
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