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Carta de Mário de Andrade rompe “conspiração do pudor”

Que o poeta modernista tenha tentado preservar sua intimidade é compreensível. Que Manuel Bandeira, seu interlocutor, tenha zelado para não expor o amigo, também. Que a crítica hesite em enfrentar a questão da homossexualidade na vida e na obra do autor de 'Macunaíma', aí não

Por Cecilia Ritto, Daniel Jelin, Meire Kusumoto e Raquel Carneiro 20 jun 2015, 10h54

A homossexualidade do grande intelectual modernista Mário de Andrade foi, desde sempre, um segredo de polichinelo. Era um fato conhecido durante a sua vida – ele nasceu em 1893 e morreu em 1945, aos 51 anos de idade. E é um fato conhecido para todos aqueles que estudam ou estudaram sua obra ao longo dos últimos 70 anos. A crítica, contudo, hesitou por muito tempo em tratar do assunto, apoiando-se no fato de que nunca houve uma prova cabal das inclinações do poeta – o relato de um amante, a foto reveladora ou a confissão do próprio escritor. Agora há: em carta endereçada ao poeta Manuel Bandeira em 7 de abril de 1928, cuja íntegra só veio a público nesta quinta-feira, Mário de Andrade confidencia de forma explícita sua “tão falada (pelos outros) homossexualidade”. A divulgação rompe certa conspiração do pudor, que, a pretexto de preservar a intimidade do poeta, não só embaça sua trajetória de vida como empobrece a leitura de sua obra.

O acervo com a rica correspondência entre Mário e “Manu”, como o escritor paulista chamava o amigo pernambucano, foi entregue à Casa de Rui Barbosa, no Rio, em 1978, pela viúva de Bandeira, para compor o arquivo Museu de Literatura Brasileira. Por instrução do autor de Macunaíma, os documentos ficaram lacrados durante 50 anos contados desde sua morte – ou seja, até 1995. Uma das quinze cartas, contudo, continuou lacrada. São quatro folhas datilografadas, cujo conteúdo já havia sido publicado em livro, embora sem a passagem crucial sobre homossexualidade (e sem que a supressão fosse devidamente informada). Nesta semana, por ordem da Controladoria Geral da União (CGU), a Casa de Rui Barbosa foi obrigada a franquear o acesso ao documento original, em atenção à Lei de Acesso à Informação. O trecho revelado dá continuidade a uma frase que já constava da versão conhecida da carta: “Está claro que eu nunca falei a você sobre o que se fala de mim e não desminto”. E eis a sequência inédita do texto:

Mas em que podia ajuntar em grandeza ou milhoria pra nós ambos, pra você, ou pra mim, comentarmos e eu elucidar você sobre minha tão falada (pelos outros) homossexualidade? Em nada. Valia de alguma coisa eu mostrar um muito de exagero que há nessas contínuas conversas sociais? Não adiantava nada pra você que não é indivíduo de intrigas sociais. Pra você me defender dos outros, não adiantava nada pra mim, porque em toda a vida tem duas vidas, a social e a particular, na particular isso só interessa a mim e na social você não conseguia evitar a socialisão absolutamente desprezível de uma verdade inicial. Quanto a mim pessoalmente, num caso tão decisivo pra minha vida particular como isso é, creio que você está seguro que um indivíduo estudioso e observador como eu há de estar bem inteirado do assunto, há de tê-lo bem catalogado e especificado. Há de ter tudo normalisado em si, si é que posso me servir de “normalisar” neste caso. Tanto mais, Manu, que o ridículo dos socializadores da minha vida particular é enorme. Note as incongruências e contradições em que caem: o caso de “Maria” não é típico? Me dão todos os vícios que por ignorância ou interesse de intriga são por eles considerados ridículos e no entanto assim que fiz duma realidade penosa a “Maria”, não teve nenhum que caçoasse falando que aquilo era idealização para desencaminhar os que me acreditam nem sei o que, mas todos falaram que era fulana de tal. Mas si agora toco neste assunto em que me porto com absoluta e elegante discrição social, tão absoluta que sou incapaz de convidar um companheiro daqui a sair sozinho comigo na rua (veja como eu tenho minha vida mais regulada que máquina de precisão) e si saio com alguém é porque esse alguém me convida. Si toco no assunto é porque se poderia tirar dele um argumento pra explicar minhas amizades platônicas, só minhas. Ah, Manu, disso só eu mesmo posso falar, e me deixe que ao menos pra você, com quem, apesar das delicadezas da nossa amizade, sou duma sinceridade absoluta, me deixe afirmar que não tenho nenhum sequestro não. Os sequestros num caso como este, onde o físico que é burro e nunca se esconde entra em linha de conta como argumento decisivo, os sequestros são impossíveis. Eis aí uns pensamentos jogados no papel sem conclusão nem consequência. Faça deles o que quiser.

De corpo inteiro – E Bandeira fez mesmo como quis. Considerou, acertadamente, que os escritos de Mário ajudariam a entender melhor as suas obras e publicou inclusive passagens que havia sido instruído a não divulgar – exceção feita ao trecho agora famoso. O poeta de Libertinagem dizia ser o correspondente a quem Mário mais se abriu e tratava sua correspondência como uma “fotografia de corpo inteiro” do amigo paulista. O biógrafo Eduardo Jardim anota que Mário de fato pouco revelou de sua vida amorosa, salvo o que confiou a Bandeira, incluindo alguns encontros com mulheres. “Também os que o conheceram foram, quase todos, extremamente discretos e, a pretexto de proteger sua intimidade, criaram uma aura de mistério em torno do assunto”, escreve na recém-lançada Eu Sou Trezentos (Edições de Janeiro).

Para o crítico literário Silviano Santiago, organizador da correspondência trocada entre Mário e Carlos Drummond de Andrade, essa aura de mistério assumiu a forma de uma verdadeira conspiração. “Há gerações de críticos que se debruçaram sobre Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector e não há críticos que se debruçaram sobre o conjunto da obra de Mário de Andrade”, diz ao site de VEJA. “Eu acho que houve, não uma conspiração do silêncio, mas do pudor, porque se trata de um tema tabu. Não fosse assim, a carta não teria sido proibida, não haveria tanta curiosidade em torno dela, nem estaria fazendo tanto barulho agora.”

“O que eu acho mais curioso é o trecho em que Mário reclama de como era difícil para ele conviver com os boatos sobre sua homossexualidade. Ele nem sequer podia sair com as pessoas”, diz em entrevista ao site de VEJA o escritor João Silvério Trevisan, autor de Devassos no Paraíso – A Homossexualidade no Brasil, da Colônia à Atualidade (Record). “É uma carta que vale mais pela honestidade do que propriamente pela confissão da homossexualidade.” Em seu livro, lançado em 2000, Trevisan apontou “um patético jogo de cena que mais tem revelado do que ocultado a homossexualidade de Mário de Andrade”. Ele “tem sido vítima de um verdadeiro conluio de censores paranoicos, que cercaram sua vida e continuam atuando sobre seu cadáver como abutres zelosos da própria ‘honra’, em nome da qual têm tornado ‘indigno’ o passado do maior escritor modernista do Brasil”, escreveu.

Sem negar a importância da carta, a nova diretoria da Casa Rui, empossada em março, questiona as consequências que a decisão da CGU pode ter sobre futuros acordos para a doação de acervos privados. “Quando fiquei sabendo do caso, entrei em contato com eles (a família de Mário de Andrade) para entender o que se passava”, conta Lia Calabre, presidente da Casa de Rui Barbosa, em entrevista a VEJA.com. “Eles se opuseram a divulgar o trecho da carta, e nós atendemos. Entendo que essa decisão da CGU pode ter um efeito negativo a longo prazo sobre futuros doadores. Deixar de expor um conteúdo a pedido do próprio dono não é censura.”

Bocas de serpente – Que alguém queira preservar sua vida íntima é compreensível, ontem e hoje. Que Bandeira tenha zelado pela privacidade do amigo, também – a propósito, o pernambucano respondeu assim à confidência do paulista: “Fique tranquilo: a sua carta perigosa chegou”. Mais difícil de entender são os rodeios da crítica, que acabou tratando um assunto relevante na vida do modernista – e, por extensão, na análise de sua obra – com uma questão mundana, lateral, até desrespeitosa. Não se trata de resumir Mário de Andrade à sua sexualidade, mas de tratar com a atenção necessária esse aspecto de um artista que, na sua própria frase célebre, era “trezentos, trezentos e cinquenta”.

O próprio escritor deixou diversas pistas de sua sexualidade espalhadas por sua obra. Em Carnaval Carioca, de 1923, aparece a primeira passagem em que o poeta aborda a temática homossexual, aponta Jardim. “O poema faz um relato que revela proximidade com o personagem” (um travesti que se fantasia de baiana), escreve. Em Café, obra inacabada que acaba de chegar às livrarias, há um trecho em que o ingênuo Chico Antônio e um recém-descoberto “companheiro íntimo” andam de mãos dadas pelo centro de São Paulo, mas a sugestão para logo por aí: em seguida a atenção da dupla é capturada pelas pernas de certa mulher. Mais nítidos são os elementos do conto Frederico Paciência, escrito entre 1924 e 1942, em que o narrador relembra uma amizade arrebatadora da adolescência. “Quis ser ele, ser dele, me confundir naquele esplendor, e ficamos amigos”, diz Juca do momento em que conheceu Frederico, ou Rico. Os garotos chegam a se beijar, furtivamente, mas não vão além disso: alvo de gracejos na escola por parte das “bocas de serpente”, acabam se afastando. No fim, o narrador demonstra alívio com a separação – enquanto desenvolve o hábito de fazer “literatura em cartas”, tal como o autor, que dizia sofrer de “gigantismo epistolar”.

Mário de Andrade também conheceu gracejos bastante cruéis. Para sua desolação, os mais ferinos partiram de outra figura central do modernismo, seu velho amigo Oswald de Andrade, que em 1929 se referiu a ele como “nosso Miss São Paulo traduzido em masculino”. “Dizem que há um artigo do Oswald, terrível, chamado Boneca de Piche, em que ele diz que no Mário de Andrade conviviam um mulato, um padre, um hipócrita, uma coisa assim […] e que isto foi lido pelo Mário à saída de um jantar que ele tiveram com o Oswald”, lembra o crítico Mário da Silva Brito, na coletânea de memórias sobre Mário de Andrade Eu Sou Trezentos, Eu Sou Trezentos e Cinquenta​ (Agir). “É a cara do Oswald, aquela coisa meio cafajeste”, comenta Trevisan. “A impressão que se tem é que isso pegou muito fundo na personalidade do Mário, especialmente porque eles eram amigos e tiveram uma atividade intelectual conjunta. Isso deve ter soado como uma facada nas costas.”

Data dessa época, fins dos anos 1920, o rompimento definitivo de Mário com Oswald – “o verso e o reverso de um certo momento da cultura brasileira”, segundo Brito. Alguns anos antes, porém, o poeta de Pauliceia Desvairada já não fazia segredo das desconfianças que passara a nutrir, como atesta a carta original tornada pública esta semana. Nela, Mário escreveu sobre sua difícil (“inexplicável”) amizade com Oswald, mas pediu que Bandeira riscasse o nome. Bandeira seguiu a instrução – mas não a ponto de torná-lo ilegível. Na versão editada da carta, o nome de Oswald foi substituído por X, mas o documento original permite identificá-lo: “Se você imaginasse tudo o que tenho falado para Osvaldo em nossa vida! E com que asperezas… E o mais bonito, Manu, é que o Osvaldo não é nem meu amigo, fique sabendo. Eu é que sou amigo dele. […] Porém conhecendo cotidianamente o Osvaldo, posso muito, mas muito particularmente, afirmar para você que ele não tem nobreza moral.”

Duas vidas – Mário é o patrono de toda uma linhagem ilustre de estudiosos da cultura e da literatura brasileira. Seu herdeiro imediato foi Antonio Candido, ele mesmo uma instituição cultural. Há um templo dedicado a ele – o Instituto de Estudos Brasileiros da USP, onde está depositado o seu acervo, sob a direção da professora Telê Ancona Lopes, que dedicou a vida ao estudo de sua obra, e também serviu como guardiã do acesso aos seus papéis. Foi desse círculo da USP que saiu João Luiz Lafetá (aluno de pós-graduação de Antonio Candido), o crítico que chegou mais perto de tratar a sexualidade de Mário como matéria relevante para a leitura de sua obra, em especial sua poesia lírica. Mas nunca pareceu apropriado esmiuçar o tema para além disso. A carta que veio a público nesta quinta-feira sugere que esse tipo de reverência – ou deferência – não seria requerida pelo próprio autor. O trecho até agora inédito mostra um homem cioso de sua privacidade e desgostoso do falatório, mas não intimidado pelo tabu. Mário trata a questão como “decisiva para sua intimidade”, afirma que “catalogou e especificou” o assunto – ou seja, refletiu sobre ele – e diz saber ser impossível reprimir, ou “sequestrar”, sua inclinação: “Os sequestros num caso como este… são impossíveis”. Não vê razão para propagar aos quatro ventos a verdade sobre sua sexualidade, mas tão pouco se ocupa de desmentidos.

“Toda a vida tem duas vidas, a social e a particular”, escreveu Mário a Bandeira, “e na particular, isso só me interessa a mim”. Não é bem assim – e acontece até de ser o oposto com grandes artistas. O escritor de Amar, Verbo Intransitivo sabia disso e não se furtou a tratar do assunto ao analisar outros autores. Sobre a caracterização das mulheres na obra de Machado de Assis, escreveu ter entrevisto “boa prova da forte sensualidade nitidamente sexual do artista”. De Álvares de Azevedo, sondou fixações, recalques e concluiu que o “amor sexual lhe repugnava, e pelas obras que deixou é difícil reconhecer que tivesse experiência dele”. De Castro Alves, escreveu que “canta, e, sem querer, prega a pansexualidade reconhecida e aceita”, acrescentando que “este é um lado por onde o sinto extremamente simpático, essa conquista ao direito de amar, variada e sempre sinceramente”. Espera-se que a divulgação do segredo confiado a “Manu” estimule a crítica a enfrentar o caso de Mário de Andrade com a mesma desenvoltura. “Há um grande trabalho pela frente. Acho que poderia haver uma imersão na questão da sexualidade, que é o tema dominante do novo milênio. Essa carta pode abrir novas interpretações”, acredita Santiago. “Agora é possível trabalhar a obra dele sob esse viés, o viés da homossexualidade”, acrescenta Trevisan. “É um aspecto da personalidade do Mário que teve importância muito grande na obra dele, e agora há a possibilidade de um novo olhar.”

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A opinião do especialista

  • O escritor Silviano Santiago durante a 12ª edição da Flip em 2014
    O escritor Silviano Santiago durante a 12ª edição da Flip em 2014 VEJA

    ” A carta era um documento praticamente mítico. Não há novidade, porque a questão era sabida, meio consensual, mas sua não-revelação atrapalhava a compreensão da obra de Mário de Andrade e de sua figura intelectual. Agora há um extenso trabalho pela frente, que é tratar daquela que eu julgo ser a grande questão libertária do novo milênio: a sexualidade. A grande questão a ser estudada hoje, em Mário, é essa. Há gerações de críticos que se debruçaram sobre Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, mas não há críticos que se debruçaram sobre o conjunto da obra de Mário de Andrade. Essa carta pode abrir novas interpretações. Acho que houve uma conspiração do pudor em não revelar a íntegra da carta porque se trata de um tema tabu. Se não, essa carta não teria sido proibida, não haveria tanta curiosidade em torno dela e agora, revelada, não estaria fazendo tanto barulho.”

    Silviano Santiago, escritor e crítico literário, organizador da correspondência trocada entre Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade, reunida em Carlos e Mário: Correspondência

  • O escritor João Silvério Trevisan
    O escritor João Silvério Trevisan VEJA

    “Agora será possível trabalhar a obra de Mário de Andrade sob o viés da homossexualidade dele. É um aspecto importante que certamente pode despejar luz sobre seu legado. Houve uma conspiração do silêncio sobre a homossexualidade de Mário. Essa é uma característica da intelectualidade brasileira. Ela adora fazer isso com qualquer coisa que não lhe convenha. Tenho a experiência de ter entrevistado várias pessoas próximas do Guimarães Rosa sobre a suspeita de que ele fosse homossexual. Elas me falaram a respeito, algumas delas enfaticamente, mas depois me proibiram de escrever sobre isso. Tenho cartas de pessoas que me deram entrevista e depois disseram que eu não estava autorizado a reproduzir o que elas tinham dito…”

    João Silvério Trevisan, escritor e ativista dos direitos LGBT, autor do livro Devassos no Paraíso, sobre a homossexualidade no Brasil

  • Eduardo Jardim
    Eduardo Jardim VEJA

    “A carta mostra claramente uma tensão entre o amor carnal, que é físico e sexual, e o amor sublime, espiritualizado, como o que ele demonstra ter pela amizade de Manuel Bandeira. Essas tensões atravessam sua personalidade. Vida e obra são coisas misturadas. Não dá para falar de uma, sem falar da outra. Ele se dizia pansexual. Talvez ele não tinha uma sexualidade exclusiva, ele também se relacionava com mulheres. A experiência da homossexualidade era muito diferente naquela época no Brasil, no ambiente dele, era algo mais reprimido do que é hoje. O cuidado que se teve em relação a isso está relacionado ao contexto e era totalmente diferente. Se estivesse vivo hoje, Mário agiria diferente e as pessoas reagiriam diferente.”

    Eduardo Jardim, autor da biografia Eu Sou Trezentos – Mário de Andrade – Vida e Obra

  • Lia Calabre
    Lia Calabre VEJA

    “Até os anos 80, não havia uma sistemática de fazer um contrato assim que a documentação entrasse na instituição. É provável que a família do Mário tenha recomendado que se salvaguardasse, especificamente, essa carta. Quando fiquei sabendo do caso, entrei em contato com eles para entender o que se passava. Eles se opuseram a divulgar o trecho da carta, e nós atendemos. Entendo que essa decisão da CGU pode ter um efeito negativo a longo prazo sobre futuros doadores. Deixar de expor um conteúdo a pedido do próprio dono não é censura. Estamos falando de documentos privados. A decisão de revelar ou não tem de ser da família. Teremos de discutir com os órgãos de controle para saber se poderemos garantir sigilo às famílias que tenham deixado seu desejo expresso em papel. Essa determinação de abrir a carta nos deixou sem qualquer segurança jurídica sobre o tema. Somos uma instituição pública que, assim como outras, cuida da preservação da memória do país. Se não pudermos atender aos pedidos das famílias no momento da doação, para onde irão esses documentos tão importantes? Podem acabar se perdendo.”

    Lia Calabre, presidente da Casa de Rui Barbosa

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