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Carnavalesco Fernando Pamplona morre no Rio aos 87

Foram seus aprendizes grandes nomes do espetáculo da Marquês de Sapucaí, como Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Maria Augusta e Rosa Magalhães

Por Da Redação 29 set 2013, 16h56

O carnavalesco Fernando Pamplona morreu na manhã deste domingo vítima de um câncer raro, um dia depois de completar 87 anos. Ele faleceu em casa, no bairro de Copacabana, Zona Sul carioca, três dias depois de receber alta do Hospital São Lucas, onde ficou internado por 12 dias. O corpo foi enterrado hoje à tarde no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Pamplona é considerado um dos precursores dos desfiles do Carnaval carioca nos moldes que conhecemos hoje. Foi o primeiro a levar as teorias acadêmicas da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou, aos barracões das escolas de samba.

Ele atuou como cenógrafo de muitos teatros e museus no Rio de Janeiro em sua fase pré-carnavalesca e, a partir dessa experiência, ajudou a dar um caráter mais profissional e imprimir uma padronização estética aos desfiles das agremiações. Foram seus aprendizes grandes nomes do espetáculo da Marquês de Sapucaí, como Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Maria Augusta e Rosa Magalhães, carnavalesca que assinou o desfile campeão deste ano, da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, antes de anunciar a ida para a Estação Primeira de Mangueira.

Pamplona conquistou o campeonato logo no primeiro ano à frente da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, em 1960, quando os desfiles ainda eram realizados na avenida Rio Branco, no centro do Rio, com o samba-enredo Quilombo dos Palmares. O carnavalesco também conquistou o campeonato pela escola em 1965, 1969 e 1971.

Repercussão – A ligação de Rosa Magalhães com o carnavalesco começou na Escola de Belas Artes do Rio, onde Pamplona foi seu professor, e depois continuou quando trabalharam juntos no Salgueiro. “Quando comecei a trabalhar com ele eu não sabia nem o que era carnaval. Parti do zero. A forma dele se comportar, de ter uma dignidade muito grande, de apoiar as outras pessoas… Ele foi meu professor e meu muito bom amigo”, disse Rosa.

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Para a carnavalesca, de uma certa forma, Fernando Pamplona pode ser considerado o pai dos carnavalescos. “Ele fez uma mudança muito grande na estética e na forma de apresentar o carnaval.”

Para o carnavalesco da Escola de Samba Portela, Alexandre Louzada, a história de Pamplona se confunde com a de todos os carnavalescos. Ele lembrou que Pamplona se apaixonou pelos desfiles quando foi jurado das escolas de samba e, no ano seguinte, já estava no Salgueiro. “Ele formou uma escola de carnavalescos. É uma referência histórica e não só de estilo. Ele trouxe a história da África para o carnaval”, disse Louzada.

Louzada disse que está desenvolvendo um projeto de enredo para 2015 sobre as personalidades do carnaval, com destaque para a participação dos carnavalescos. Pamplona fazia parte dessa história que ele quer apresentar. “Ainda pretendo fazer essa homenagem a ele e a todos os carnavalescos e prestar uma reverência a quem criou realmente essa história toda. Quem passou a gostar de carnaval e tem a minha faixa etária tinha Pamplona como referência.”

Carreira – Pamplona deu início à sua carreira artística como aluno da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também conheceu Zeni, bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e sua mulher por mais de 60 anos. Ele atuou como cenógrafo em muitos teatros cariocas até ser convidado, em 1959, a compor o corpo de jurados do desfile das escolas de samba cariocas e nunca mais deixou o Carnaval. No ano seguinte, tornou-se carnavalesco da Acadêmicos do Salgueiro e lá permaneceu pelos 14 anos seguintes. Nos anos 1980, Pamplona atuou como comentarista de desfiles da extinta TV Manchete e também da TV Globo.

(Com agência Brasil)

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