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Cannes: nem Del Toro e Amalric salvam o tedioso ‘Jimmy P.’

Filme do francês Arnaud Desplechin parece uma longa e fria sessão de terapia

Por Mariane Morisawa, de Cannes 18 Maio 2013, 07h51

Quando nem dois atores como Benicio del Toro e Mathieu Amalric conseguem despertar interesse, é porque alguma coisa deu muito errado com o filme – no caso, Jimmy P., exibido em sessão de imprensa na manhã deste sábado, na competição do 66º Festival de Cannes. Pior ainda porque se trata de um longa-metragem de Arnaud Desplechin, um dos cineastas franceses mais interessantes em atividade.

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Baseado numa história real, o drama narra a história da amizade entre o índio Jimmy Picard (Benicio del Toro), que volta da II Guerra Mundial cheio de problemas, como tontura, dores de cabeça insuportáveis e cegueira parcial. Ele acaba internado num hospital militar para doentes mentais, que convoca Georges Devereux (Mathieu Amalric), um antropólogo, psicanalista e especialista em assuntos indígenas húngaro. Ao tentar desencavar as memórias e desvendar os sonhos de Jimmy, Devereux espera ajudá-lo. Para compor seus personagens, ambos os atores usam sotaques que só servem para incomodar. A questão indígena passa bem ao fundo, e, no fim, Jimmy P. parece apenas uma longa e entediante sessão de terapia desprovida de emoção.

Tal pai, tal filho – Em compensação, emoção não falta no melodrama japonês Soshite Chichi Ni Naru (ou Like Father, Like Son em inglês, “tal pai, tal filho” na tradução literal). Ryota (Masaharu Fukuyama) é um arquiteto bem-sucedido para quem o trabalho é a coisa mais importante – bem mais do que a mulher Midori (Machiko Ono) e o filho Keita (Keita Ninomiya), de 6 anos. Um dia, eles recebem uma ligação do hospital: houve uma troca de bebês, e Keita não é seu filho biológico. A primeira reação de Ryota é pensar “sabia que alguma coisa não estava certa”, porque o pequeno não consegue tocar piano bem, por exemplo. Ryota e Midori resolvem conhecer a outra família, de gente simples. E aí surge a indagação: seu filho é aquele que carrega seu sangue? É certo trocar as crianças e apagar os seis anos anteriores?

O diretor Koreeda cria muitos momentos para tirar lágrimas dos espectadores, equilibrados com as graças das crianças – Keita Ninomiya é particularmente fofo. É um filme correto e fácil de assistir, que pode agradar a alguns membros do júri, como Steven Spielberg e Ang Lee. Mas falta ali o ar mais fresco de longas anteriores do cineasta como Depois da Vida (2001) e Ninguém Pode Saber (2004) e sobra a sensação de que estar numa competição em Cannes é um pouco demais.

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