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‘Caiu no colo da Regina Duarte a memória do cinema nacional’, diz Bodanzky

Presidente da SPCine, Laís Bodanzky analisa nomeação da ex-atriz para a Cinemateca e a gestão da área pelo governo federal: ‘querem implodir a cultura’

Por Raquel Carneiro Atualizado em 20 Maio 2020, 14h49 - Publicado em 20 Maio 2020, 14h24

Laís Bodanzky, cineasta e presidente da SPCine, braço da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, falou a VEJA sobre as implicações da saída de Regina Duarte da Secretaria da Cultura do governo de Jair Bolsonaro e de sua nova atribuição, assumir a Cinemateca.

“Caiu no colo da Regina Duarte toda a memória do cinema nacional”, diz Laís. “Dentro da Cinemateca estão mais de 200.000 títulos que demandam cuidados específicos. São produções como filmes da companhia Vera Cruz, até as primeiras filmagens feitas no país. Proteger esse acervo não é uma questão de esquerda ou direita, mas de proteger a história do Brasil.”

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A cineasta, que tem no currículo filmes como Bicho de Sete Cabeças (2001) e Como Nossos Pais (2017), e assumiu o cargo público em 2019, ressalta ainda o descontentamento da classe com a falta de rumo da Secretaria de Cultura. “A saída de Regina Duarte não pegou o setor de surpresa. Era esperado. Faz parte do não-projeto do governo federal, prometido desde as eleições, que é implodir a cultura”, diz Laís. “Trocar a equipe o tempo todo com pessoas inexperientes faz parte desse projeto. Há uma compreensão do setor de que não há solução para essa pasta. Que dependeremos de ações locais para manter a cultura viva.”

A cineasta Laís Bodanzky Edison Vara, Pressphoto/Divulgação

Há tempos a Cinemateca enfrenta uma grave crise financeira, agravada desde o final do ano passado quando a Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto (Acerp), que administra desde 2016 a instituição, teve seu contrato cortado com o Ministério da Educação, pelo ministro Abraham Weintraub, que acusou a associação de produzir conteúdos de esquerda. Hoje, a Cinemateca tem salários atrasados e dificuldades para pagar até a conta de luz – extremamente necessária para manter a refrigeração adequada das salas onde se encontram os filmes.

Apesar da baixíssima popularidade da ex-atriz global com a classe artística, Laís consegue enxergar na chegada de Regina Duarte à Cinemateca uma oportunidade. “Que ela use esse acesso ao governo e o que aprendeu nos dois últimos meses para colocar a Cinemateca de pé. O conteúdo ali não é só uma memória simbólica, é física, que precisa de cuidados. Ela não vai querer ser a responsável pela morte da história do cinema nacional”, diz.

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