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Caiu a casa de Brad Pitt: marketing social com vítimas do Katrina em ruína

Ator comandou projeto de erguer e vender casas ecologicamente sustentáveis a preços mais acessíveis para os desabrigados, que agora as revendem com prejuízo

Por Sergio Martins Atualizado em 16 jul 2018, 23h41 - Publicado em 15 jul 2018, 18h05

Tempos atrás, o ator americano Brad Pitt anunciou com toda pompa e circunstância que iria construir casas para os desabrigados do furacão Katrina, em Nova Orleans. Ele ergueu mais de 150 residências ecologicamente corretas, assinadas por arquitetos como Frank Gehry, Thom Mayne e Sigeru Ban. Pois o sonho se tornou um novo pesadelo para os habitantes da cidade mais musical dos Estados Unidos. As casas apresentam problemas como vazamentos, apodrecimento de estruturas e até desmoronamento. Muitos dos moradores agraciados com esse presente de grego abandonaram as residências e passaram a morar nas ruas aparentemente, são mais seguras que o lar bancado pelo ator.

As casas não saíram de graça. Elas eram vendidas a preços menores que os do mercado local. Estima-se que saíam por 150.000 dólares (580.000 reais), divididos em inúmeras prestações. Em 2010, a reportagem de VEJA visitou uma dessas moradias. Elas eram confortáveis, bem construídas e tinham até wi-fi gratuito. Mas trouxeram tantos desconfortos que seus donos agora aceitam se livrar desse transtorno por 85.000 dólares (cerca de 328.000 reais). Pitt teria gasto 25 milhões de dólares (cerca de 96,7 milhões de reais) no projeto.

  • A atitude de Brad Pitt fez parte de uma iniciativa do showbiz americano para ajudar as vítimas do furacão Katrina. Além do ator hollywoodiano, os músicos Branford Marsalis e Harry Connick Jr. construíram uma vila para os músicos que perderam suas residências no furacão, e a indústria cinematográfica passou a filmar mais na cidade. Outras atitudes visaram aumentar a auto-estima da população. O trompetista Terence Blanchard, natural da cidade, transferiu a sede do Instituto Thelonious Monk, uma escola de jazz, de Los Angeles para Nova Orleans.

    Brad Pitt, por seu turno, não dá as caras por ali desde 2016. Aparentemente, sua boa ação foi muito mais uma tentativa de fazer propaganda de bom moço do que realmente ajudar os locais.

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