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Bruno Gagliasso revela como casos reais de crimes inspiraram seu vilão sádico em ‘Corrida dos Bichos’

Ao lado de João Guilherme, ator falou a VEJA sobre novo filme do Prime Video

Por Kelly Miyashiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 ago 2026, 09h00
Bruno Gagliasso revela como casos reais de crimes inspiraram seu vilão sádico em ‘Corrida dos Bichos’ Priorizar nos meus resultados Google

Estreia nesta sexta-feira, 7, o filme nacional Corrida dos Bichos, no Prime Video. Criado por Ernesto Solis, que também dirige a produção ao lado de Rodrigo Pesavento e Fernando Meirelles, o longa retrata um Rio de Janeiro em um futuro distópico, em que pessoas usam máscaras de bichos para disputar uma competição violenta e até mortal por um prêmio milionário.

Em entrevista a VEJA, Bruno Gagliasso, intérprete do vilão Leon, e Jonas, um jovem que deseja ser um dos competidores, conversaram sobre os desafios do projeto.

Confira a entrevista:

VEJA: Bruno, como foi o processo de interpretar esse personagem que é um vilão sádico mais interessado em usar o sofrimento das pessoas como entretenimento?

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Bruno Gagliasso: A gente está falando sobre um filme distópico, e acho que o Leon é fruto de toda essa distopia. Dinheiro e poder são a bússola moral dele; ele é a personificação dessa distopia, de tudo de moral que se foi. Então, a verdade é que meu trabalho foi ler jornal. Acho que meu maior laboratório foi pesquisar casos reais de pessoas que ainda existem assim. Outro dia, uma mulher foi presa porque estava mantendo uma funcionária em trabalho análogo à escravidão. Acho que foi dar atenção a essas pessoas. Imagina se essas pessoas dominassem o mundo e fossem a linha de frente — é o que acontece no nosso filme. Eu construí o Leon pensando nisso, na ideia de que todo mundo tem um preço. É isso que o move, por isso ele está em busca de poder.

VEJA: João, o seu personagem já é o oposto: ele está em uma posição na qual quer ser usado por essas pessoas poderosas e sádicas. Como foi habitar a mente desse jovem que está interessado em melhorar de vida dentro desse universo desigual?

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João Guilherme: Realmente é o outro lado da moeda, como o Bruno acabou de falar. O Jonas é um cara que ainda tem esperança, e acho isso legal. A pessoa que joga lá, que ainda tem essa ambição, é porque realmente acredita. É aí que mora toda a vantagem e o peso que está do outro lado da moeda. Qual é o limite para uma pessoa que ainda tem esperança? Se há 1% de chance, o esperançoso vai lá e corre em uma corrida mortal ou vai como seguro de alguém em quem confia. Ele mostra esse outro lado de quem está em uma situação de vida difícil, querendo sair dela, mudar, melhorar, evoluir, e não tem muita opção a não ser fazer parte dessa dinâmica, desse jogo e desse sistema. O Jonas é essa figura: alguém que ainda acredita e tenta, diferente do Mano, por exemplo, que é a resistência.

VEJA: Bruno é do Rio e o João nasceu em São Paulo. Já existia alguma relação de vocês com o jogo do bicho no aspecto pessoal?

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Gagliasso: Claro. Sou de uma geração que cresceu ouvindo sobre o jogo do bicho, com família ou amigos jogando. Sou alguns anos mais velho que o João — tenho 20 anos a mais do que ele. Mas acho que é um tema muito atual também, não só sobre o jogo do bicho. Estamos falando de um futuro muito mais presente do que distópico, talvez.

João: Eu concordo 100%. Pessoalmente, não tenho muita relação com o jogo do bicho por ser mais jovem e não ser do Rio, mas com apostas sim. Como ele disse, é um filme distópico, porém muito atual. Na minha família, por exemplo, sei que tive um bisavô que veio da China com o hábito do jogo e perdeu tudo aqui no Brasil jogando. Não sei se era no jogo do bicho ou em outro, mas ele fez parte dessa dinâmica e saiu perdendo.

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VEJA: O filme termina com um gancho, como se fosse para uma sequência. Não sei se está nos planos fazer uma continuação de Corrida dos Bichos, mas o que vocês acham que poderia ser desenvolvido nos personagens de vocês caso houvesse uma sequência?

Gagliasso: Acho que o Leon já está muito lá no topo. Não existe classe média nesse Rio de Janeiro distópico, só quem está lá em cima e quem está lá embaixo. Ele acaba indo para o alto escalão, para a cúpula do jogo, e acho que vai perder qualquer traço remanescente de moralidade e respeito depois disso. Mas eu também gostaria de ver esse cara em um lugar de vulnerabilidade, para ver do que ele seria capaz. Porque, se estando no topo ele já faz o que faz, imagina em um lugar de vulnerabilidade, sem nada a perder. Seria interessante.

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João: Sinto que o meu personagem termina com uma sensação de “como teria sido” e com uma rejeição crescendo dentro dele. Ele entende que nunca foi parte dos planos que a Dalva (Thainá Duarte) fosse o seguro. É uma família por quem ele tem um carinho claro, mas, de repente, ele — que era a esperança de melhora de vida ali — é deixado de lado e toma um golpe. Dentro do Jonas, existe essa ambição de querer mudar de vida. Não existe classe média, é 8 ou 80, e acho que o Jonas é um cara que, se recebesse a oportunidade, viraria 80. Penso que, se um dia quiserem recrutá-lo para fazer parte do sistema que faz o jogo funcionar, em vez de apenas participar ou ser da resistência, ele poderia se tornar um aliado do lado das trevas.

Produção Corrida dos Bichos 

Além de Bruno Gagliasso e João Guilherme, Corrida dos Bichos tem em seu elenco Matheus Abreu, Rodrigo Santoro, Isis Valverde, Anitta, Grazi Massafera, Seu Jorge, Thainá Duarte, Silvero Pereira, Leandro Firmino, Jade Sassará, Azzy e Jéssica Córes. O filme tem roteiro de Ernesto Solis, Eva Klaver, Marco Abujamra e Rodrigo Lages, produção de Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro e Vinicio Espinosa, coprodução de Cristina Abi, da O2 Filmes, e direção de Ernesto Solis, Rodrigo Pesavento e Fernando Meirelles.

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