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Britney Spears vai, finalmente, depor contra a tutela do pai

Cantora tenta se livrar de controle exercido por Jamie Spears, que detém o direito de administrar sua fortuna, carreira e decisões desde 2008

Por Redação Atualizado em 23 jun 2021, 13h42 - Publicado em 23 jun 2021, 11h03

A cantora Britney Spears irá depor nesta quarta-feira, 23, no julgamento que tenta colocar fim à tutela de 13 anos que dá a seu pai, Jamie Spears, o controle sobre os seus bens e decisões profissionais. A audiência está marcada para às 13h30 em Los Angeles (17h30 no horário de Brasília). Britney comparecerá virtualmente. Nas redes sociais, a hashtag #FreeBritney (liberdade para Britney, em tradução livre) amanheceu entre os assuntos mais comentados do Twitter, com mais de 40.000 menções na plataforma pedindo liberdade para a cantora de 39 anos. Apesar do depoimento dar-se virtualmente, espera-se uma presença significativa de fãs em frente ao tribunal, já que a pressão popular tem desempenhado um papel importante no julgamento.

O depoimento de Britney, que falará abertamente sobre o caso pela primeira vez, já que o pai e a empresa tutora controlam até mesmo suas declarações oficiais, vem um dia depois de o jornal The New York Times revelar uma série de documentos judiciais que lançam luz sobre o calvário da cantora. Segundo a publicação, Britney se opôs à tutela bem antes do assunto ganhar as manchetes através do movimento dos fãs. Em 2014, seu advogado demonstrou interesse em retirar Jamie Spears do papel de tutor citando seu hábito de beber e outras queixas — na época, Britney alegou que o regime deu tanto poder ao pai que ele controlava tudo em sua vida, incluindo seus namorados e as cores dos armários de sua cozinha. “Ela sente que a tutela se tornou uma ferramenta opressora e de controle contra ela”, diz o advogado nos documentos.

Fãs protestam em apoio a Britney Spears do lado de fora do tribunal de Los Angeles, em setembro de 2020
Fãs protestam em apoio a Britney Spears do lado de fora do tribunal de Los Angeles, em setembro de 2020 Frazer Harrison/Getty Images

A tutela de longo prazo imposta a ela é uma medida geralmente destinada a idosos com demência ou adultos com danos cerebrais – nada que se aplique à estrela pop. A sequência de episódios que deu argumentos a Jamie Spears para estabelecer sua mordaça sobre a filha começou em 2007, quando a cantora raspou o cabelo e atacou o carro de um fotógrafo na noite em que seu ex-marido Kevin Federline a impediu de ver os dois filhos. Na ocasião, Britney foi internada numa clínica psiquiátrica e só retomou contato com os herdeiros depois de ceder à pressão e se submeter à tutoria do pai, em 2008.

Desde então, toda decisão sobre a cantora passou a ser dele, incluindo a administração da fortuna de 60 milhões de dólares conquistada com a carreira iniciada ainda na infância como estrela mirim da Disney, trabalho que abriu caminho para os palcos. Além do controle das finanças, Britney perdeu também o direito de expressão. Na última entrevista em que teve liberdade para dizer o que pensava, desabafou: “É um excesso de controle. Até quando alguém vai para a prisão, a pessoa sabe que um dia vai sair. Comigo, é indefinido”.

  • Treze anos depois, pouca coisa mudou. No ano passado, o advogado chegou a dizer ao tribunal que Britney tinha medo do pai. Jamie, então, passou a dividir a tutela com uma empresa especializada. A história é narrada no documentário Framing Britney, disponível no Globoplay, que disseca a relação dramática da cantora com a fama e a posição de incapaz em que foi colocada sem poder de reação.

    Nada indica, porém, que a popstar seja de fato incapaz. Desde que foi submetida ao regime, Britney lançou quatro discos, fez turnês e foi jurada de TV. O arranjo é rentável para Jamie — que, aos 68 anos, ganha anualmente 180 000 dólares pela função, além de embolsar lucros de shows. Enquanto isso, ela recebe uma mesada de 1 500 dólares semanais. “Ela está cansada de ser explorada e disse que é ela quem trabalha e ganha dinheiro, mas todos ao seu redor estão em sua folha de pagamento”, escreveu o investigador no documento.

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