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Biquíni de Ursula Andress no primeiro filme da franquia ‘007’ vai a leilão

O mais famoso biquíni de todos os tempos pode ser arrematado por 2,8 milhões de reais

Por Sérgio Figueiredo - Atualizado em 17 out 2020, 18h04 - Publicado em 16 out 2020, 06h00

O novo filme de James Bond, Sem Tempo para Morrer, capítulo final do ator Daniel Craig na pele do agente secreto a serviço de Sua Majestade, foi adiado pela segunda vez nesta temporada. Originalmente programado para chegar aos cinemas em abril, precisou ser postergado para novembro por causa da pandemia e, em uma decisão que paralisou de vez o mercado exibidor, acabou empurrado para abril de 2021, completando o ciclo de um ano de atraso. Apesar disso, no rastro da expectativa da estreia — tem potencial para arrecadar 1 bilhão de dólares —, os negócios que cercam o filme continuam em andamento, inclusive o leilão de itens que foram usados na produção das 24 aventuras anteriores do agente 007.

Equipamentos e armas (que não necessariamente funcionam) estarão disponíveis, até 12 de novembro, a todos os cinéfilos endinheirados que quiserem dar lances na casa de leilões Profiles in History, cuja especialidade são relíquias de Hollywood. Do catálogo on-line que já está aberto ao público, nenhum item é mais cobiçado do que o biquíni que transformou Ursula Andress em uma celebridade instantânea e na primeira Bond girl — uma linhagem de mulheres deslumbrantes que passariam a fazer parte das missões futuras do espião britânico. O traje de duas peças entrou para a história em 1962, quando Ursula saiu de um mergulho nas águas quentes da Jamaica para deparar com Sean Connery em uma cena do filme 007 contra o Satânico Dr. No, na estreia do personagem no cinema.

O biquíni branco-marfim de Ursula está cercado de lendas que se misturam com fatos, como quase tudo no mundo cinematográfico. A atriz suíça, então com 26 anos, que falava inglês carregado de sotaque e precisou ser dublada na edição final, não teria gostado do figurino de sua personagem, Honey Ryder, e decidiu ela mesma desenhar o traje de banho. O top, feito de linha de algodão, foi montado sobre os aros de um sutiã meia taça. A parte de baixo, também forrada de algodão com amarração nas alças, era forte o suficiente para resistir a mergulhos, mas não para sustentar uma faca de pesca. Um cinto do uniforme da Real Marinha Britânica foi tomado emprestado de um oficial de verdade que estava por perto e colocado às pressas na cintura da moça.

Ursula Andress não lançou o biquíni, mas tirou de cena o maiô inteiriço e celebrizou a invenção de pouquíssimo pano de Louis Réard, um engenheiro automotivo francês que, em 1946, criou a novidade. Ursula, hoje com 84 anos, afirmou certa vez que o biquíni branco-marfim mudou sua vida, transformando-a no símbolo sexual de uma geração. Mesmo assim, em 2001 ela pôs o conjunto em leilão na casa Christie’s de Londres, onde foi arrematado por 41 125 libras esterlinas (cerca de 300 000 reais) pelo dono da rede de restaurantes Planet Hollywood. Em novembro, o atual proprietário espera vendê-lo por 500 000 dólares (2,8 milhões de reais). Não foram feitas réplicas da cobiçada peça. O biquíni desenhado e usado pela primeira Bond girl do mundo é único — jamais haverá outro igual.

Publicado em VEJA de 21 de outubro de 2020, edição nº 2709

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