Bibi Perigosa estreia no cinema como traficante em bonde de mulheres
Ex-mulher do traficante Saulo que inspirou personagem de Juliana Paes em novela comemora trégua entre a polícia e o tráfico para gravações de ‘ARep’
Depois de servir de matéria-prima para a personagem vivida por Juliana Paes em A Força do Querer, última novela das 9 da Globo, Fabiana Escobar, a Bibi Perigosa real, vai estrear como atriz no cinema. Em ARep, filme que tem como título um código usado pelos policiais, Bibi, que já foi casada com o traficante Saulo, relacionamento retratado no livro Perigosa, faz ela mesma uma chefe do tráfico. “Sou a Bibi Tiroteio e lidero um bonde só de mulheres”, diz.
O filme, que tem direção de Sandro Luz e estreia prevista para dezembro, foi rodado por dois anos na Rocinha. “Atravessou guerra, invasão”, ri Bibi, para quem a melhor parte do projeto, além de envolver moradores da favela, foi a trégua firmada entre tráfico e polícia para que as filmagens pudessem ter lugar no morro. “Liberdade”, resume. “Foi emocionante e lindo.”
O longa conta, entre outros, com Mc Tikão em cenas de baile, Fabinho Zona Sul e Mc Jean. “Esse filme está dando oportunidade para muita gente na Rocinha porque envolveu atores, cantores de funk e de rap, e o mais interessante de tudo é que nem bandido nem polícia interferiu nas gravações”, conta Bibi. “Fazer um filme que é narrado por um policial e conta com homens fardados e armados dentro de uma favela que está em pé de guerra é complicado. Mas não houve nenhum tipo de implicância de nenhum dos dois lados.”
https://www.youtube.com/watch?v=gmZOqd4SX_U
O narrador do filme é um engenheiro que faz prova para a Polícia Militar e é alocado na Rocinha. Lá, se depara com todas as questões e contradições da favela, a guerra com polícia, a guerra entre facções e a hostilidade dos moradores. Para viver a chefe do bonde de mulheres, que conta também com um gay, Bibi fez uso, além da sua experiência pessoal, do longa Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (1967), que voltou a assistir. Bondes, na definição da própria Bibi, são grupos de pessoas que “obedecem ao comando de um dono”, de um cabeça do tráfico.
São “funcionários” de funções diversas, como vapor (que faz o delivery), soldado, olheiro e mochileiro. “Na hora do confronto, todos têm que meter a mão ou correm risco do mesmo jeito, porém a ordem é proteger os chefes”, explica.
“Para esse primeiro papel, eu apenas parei para pensar na minha vida, em toda essa dinâmica de crime, favela e polícia e assisti novamente a Bonnie e Clyde. Mas confesso que acordar e pensar ‘Vou trocar tiro com a polícia’ me deu uma dorzinha no estômago. Deve ser trauma do passado.”







