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Bibelô caro: a vaquinha para salvar obra de Jeff Koons feita de flores

Guggenheim de Bilbao faz financiamento coletivo de 100 000 euros para restaurar estátua; até o momento, arrecadou só um décimo do valor

Por Felipe Branco Cruz 12 jul 2021, 14h47

O museu Guggenheim, em sua filial de Bilbao, na Espanha, está fazendo uma campanha de financiamento coletivo para consertar a estrutura da icônica estátua Puppy, uma florida obra de arte de 13 metros de altura, em formato de um filhote da raça west highland terrier, criada pelo irreverente (e valorizadíssimo) artista americano Jeff Koons. Os organizadores pedem cerca de 100 000 euros (aproximadamente 615.000 reais) em doações. Até o momento, apenas um décimo do valor foi arrecadado. A previsão é que o restauro seja finalizado até meados de novembro.

O esforço de financiamento coletivo do museu de Bilbao ilumina uma questão curiosa: os desafios da conservação de obras de arte feitas com materiais instáveis. A estátua, que fica na entrada do museu, conta com 38 000 plantas, entre elas petúnias, malmequeres e begônias, substituídas duas vezes por ano. Exibida pela primeira vez em 1992, na Alemanha, a obra viajou em 1995 para o porto de Sydney, na Austrália, onde ficou até 1997. Naquele ano, ela foi adquirida por Solomon R. Guggenheim, que a comprou para o novo museu que inauguraria em Bilbao. Embora o exterior da estátua esteja bonito, por conta das flores, a estrutura interna está deteriorada após 24 anos ao ar livre. Parte do sistema de irrigação está vazando e precisa ser substituído.

Em entrevista ao site do museu, o artista americano afirmou que a obra foi criada para transmitir otimismo e incutir “confiança e segurança”. Na época da inauguração do museu, a estátua quase virou protagonista de um ataque terrorista, quando membros do grupo terrorista basco Eta, disfarçados de jardineiros, instalaram nela vasos cheios de granadas, que planejavam explodir quando o rei Juan Carlos I a inaugurasse. Felizmente, o ataque foi frustrado pelo policial José María Aguirre, morto a tiros enquanto os terroristas fugiam. Eis uma obra tão fofinha quanto cheia de histórias.

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