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Bafos olímpicos: relembre quem causou nos Jogos do Rio

Assalto falso, namoro no alojamento e acusações de racismo e transfobia, além de um pedido de casamento em campo, marcaram o lado mundano da Rio-2016

Por Maria Carolina Maia - Atualizado em 18 ago 2016, 10h12 - Publicado em 18 ago 2016, 10h06

Nem só de esportes se faz uma olimpíada. É o que os brasileiros estão descobrindo com a Rio-2016, pontuada de bafafás por vezes mais quente que as disputas dentro do campo. Confira:

 

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Assalto fake

O nadador americano Ryan Lochte e a modelo Kayla Rae Reid
O nadador americano Ryan Lochte e a modelo Kayla Rae Reid Reprodução/Instagram


Uma boa notícia para o Brasil (que teve a imagem manchada pela repercussão de um propalado assalto a dois hóspedes ilustres) foi ainda melhor para as redes sociais (que foram à forra com a revelação de que o crime não passaria de uma mentira contada pelos nadadores americanos Ryan Lochte e James Feigen, quem sabe até para camuflar uma pulada de cerca). Os dois foram para uma festa na Casa França, no sábado 13 de agosto, e só chegaram à Vila Olímpica no início da manhã de domingo. A culpa logo recaiu sobre o Rio e seus escandalosos índices de criminalidade. Mas desde o começo a história soou estranha: os atletas teriam sido assaltados depois da noitada, dentro do táxi. E os ladrões, muito camaradas – além de fantasiados de policiais –, teriam poupado as suas credenciais e os seus celulares de última geração. Contradições nos depoimentos à polícia e um olhar atento às imagens da câmera de segurança do alojamento, obtidas pelo jornal britânico Daily Mail, desmontariam a farsa: os americanos chegaram às quase 7h da matina, com suas carteiras e relógios, visíveis no momento em que passavam pelo detector de metais. Nesse mesmo horário, a namorada de Lochte dormia inocentemente no hotel – e não demorou para ser apontada como razão para a versão que apresentaram para a noite. Brasileiros indignados já trataram de alertá-la nas redes sociais: “abre o olho”. E a Justiça ordenou que os nadadores permaneçam no país para se explicar.


Ingrid e Giovanna

As brasileiras Ingrid Oliveira e Giovanna Pedroso, durante a final dos saltos ornamentais no Centro Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro (RJ) - 09/08/2016
As brasileiras Ingrid Oliveira e Giovanna Pedroso, durante a final dos saltos ornamentais no Centro Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro (RJ) – 09/08/2016 Pilar Olivares/Reuters


Ingrid Oliveira e Giovanna Pedroso ficaram em último lugar na prova de saltos ornamentais da Rio-2016, realizada em 9 de agosto. O resultado já seria suficiente para, com perdão do trocadilho, jogar água na relação das duas. Mas a dupla se separou por um motivo muito mais mundano: na véspera da prova, Ingrid teria levado um colega de delegação, o bonitão Pedro Henrique Gonçalves, da equipe brasileira de canoagem, para o quarto que dividia na Vila Olímpica com Giovanna – que, inclusive, foi convidada a se retirar para deixar os pombinhos mais à vontade. No dia seguinte, Ingrid foi ao Instagram dizer que nem tudo estava perdido porque ela – sim, ela – ainda confiava na parceira. Sobre o motivo da discórdia, porém, deu um salto ornamentado. “E sobre minha vida pessoal eu não tenho absolutamente nada a declarar”, disse, em uma saída digna de celebridade.

 

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Triângulo arenoso

A ginasta Simone Biles posta fotos tietando o ator Zac Efron e o ginasta brasileiro Arthur Nory
A ginasta Simone Biles posta fotos tietando o ator Zac Efron e o ginasta brasileiro Arthur Nory Reprodução/Instagram

Antes mesmo de colocar sobre o peito uma medalha de bronze por sua atuação no solo, na ginástica artística, o paulista Arthur Nory já havia cativado a torcida. A razão? A sua relação estreita com o mais novo fenômeno da modalidade: a genial (e simpaticíssima) Simone Biles. O brasileiro e a americana tiraram fotos abraçadinhos e ala ainda o chamou de “meu namorado” na legenda. A coisa quase ficou feia quando, dias depois, desembarcou no Rio o ator Zac Efron, que Simone já havia declarado em entrevista ser o seu “crush” e que lhe tascou um beijo na bochecha. No Instagram, um mexido Nory pareceu falar grosso. “Ela é minha garota. Sou da Lapa e lá nois breca talaricas”, disse, o que, num distinto linguajar de rua, quer dizer algo como “cai fora, fura-olho”. A coisa quase ficou feia. Quase: assim teria sido se tudo não passasse de uma grande brincadeira, um triângulo feito de areia, à moda dos castelos de praia. O único crush real nessa história é o do Brasil com Simone Biles. Carismática, a americana não abraçou apenas o amigo Nory, mas todo o país: elegeu Jorge Ben Jor para a sua apresentação e apareceu nas redes vestindo a camisa da delegação brasileira. E ainda fez o país inteiro segurar a respiração com a sua performance na ginástica.

 

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Nory no vácuo

Os ginastas Ângelo Assumpção e Arthur Nory
Os ginastas Ângelo Assumpção e Arthur Nory Reprodução/Instagram


Arthur Nory chegou ao pódio ao lado de Diego Hypólito, que levou a prata no solo da ginástica artística, no domingo passado. Mas, embora seja colega de ambos, o também brasileiro Ângelo Assumpção só felicitou Diego pela conquista. O cumprimento seletivo fez reemergir uma controvérsia protagonizada pelo paulista no ano passado, quando ele e outros dois colegas de equipe, Fellipe Arakawa e Henrique Flores, divulgaram um vídeo no Snapchat em que faziam piadas de cunho racista – e de extremo mau gosto – com Assumpção, que é negro. “Seu celular quebrou. A tela quando funciona é branca, quando estraga é de que cor? É preta!”, diziam no vídeo, olhando para Assumpção. “O saquinho de supermercado é de que cor? Branco. E o de lixo? É preto”, continuavam. As piadinhas sem graça chegaram a levar os dois às barras do tribunal desportivo e Nory quase ficou de fora dos Jogos do Rio. Não perdeu o evento – e até ganhou medalha. Mas, com o retorno do caso de 2015, o bronze ficou pálido.

 

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Joanna Maranhão

As melhores fotos da Natação nos Jogos Pan-Americanos de Toronto
A nadadora Joanna Maranhão Ivan Pacheco/VEJA.com

Outra atleta que se viu emaranhada com o passado – e com acusações de preconceito – foi a nadadora pernambucana Joanna Maranhão. Primeiro, Joanna foi à TV desabafar, com justiça, contra os que a criticavam, por vezes em um nível abaixo do aceitável, por não chegar à semifinal. Houve absurdos incontestes, como aqueles que disseram que ela merecia ser estuprada. Depois, porém, a nadadora passou de vítima a algoz: a escavação de tuítes antigos trouxe à tona mensagens discriminatórias da atleta. Em uma das publicações, Joanna afirmava que Ariadna, ex-participante transgênero do Big Brother Brasil, teria que nascer de novo se quisesse parecer uma mulher. Joanna, ao menos, agiu com fair-play e pediu desculpas.

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Casório de ouro

A voluntária Marjorie Enya (dir), beija a jogadora de rugby Isadora Cerullo, após proposta de casamento, na partida entre Austrália e Nova Zelândia, em Deodoro, no Rio de Janeiro (RJ) - 08/08/2016
A voluntária Marjorie Enya (dir), beija a jogadora de rugby Isadora Cerullo, após proposta de casamento, na partida entre Austrália e Nova Zelândia, em Deodoro, no Rio de Janeiro (RJ) – 08/08/2016 Alexander Hassenstein/Getty Images

O rugby feminino pode não ter subido ao pódio nesses Jogos. Mas subiu ao altar. Após a cerimônia de entrega das medalhas da modalidade, que sagrou campeã a seleção feminina da Austrália, o Brasil, que terminou em novo lugar, se tornou a grande atração do evento. Mais precisamente, a jogadora Isadora Cerullo, pedida em casamento no local por uma voluntária dos Jogos Olímpicos, Marjorie Enya. Enquanto Izzy (como Isadora é conhecida) achava que ia conceder uma entrevista depois da cerimônia, Marjorie pegou um microfone da organização e fez o pedido, romanticamente acompanhado por balões em forma de coração. Foi aceito prontamente. Um detalhe chamou atenção: a falta de uma aliança foi suprida por um grande laço amarrado no dedo de Izzy e Marjorie, selando o “amor olímpico”.

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